Pode repetir?!

Opinião

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É óbvio que o caso Freeport não vai morrer tão cedo. E ainda bem. Este não é só mais um caso, é aquele em que o primeiro-ministro português é citado num processo de suspeitas de corrupção. Chamem-lhe campanha negra ou o que quiserem, mas Sócrates deveria ser o primeiro a querer ver tudo em pratos limpos. E quanto mais cedo melhor. Da sombra, essa sim muito negra, já não se livra. Da desconfiança, muito menos. O seu bom-nome, que diz tanto prezar, não voltará a ser o que era se não houver uma conclusão. O arquivamento só é bom para quem deve. E o que o primeiro-ministro diz é que não teme.

Mas para que tudo acabe bem, independentemente da conclusão, é bom que a Justiça funcione e que consiga transmitir a confiança de que não existirão atropelos, pressões e outras coisas que tal e que ninguém, mas mesmo ninguém, vai falhar no cumprimento das suas obrigações. E é precisamente isso que não está a acontecer. Para o comum dos mortais, o que parece é que no meio de tamanha confusão, a promiscuidade entre o poder político e o poder judicial instalou-se para mastigar as investigações. E às vezes, à conta de tanto parecer, o que parece é.

A divulgação de um vídeo transmitido pela TVI, onde alegadamente Charles Smith acusa José Sócrates de corrupto, e as declarações do novo presidente do sindicato dos magistrados do Ministério Público, acusando a existência de pressões sobre os responsáveis pela investigação deste caso, são dois bons e recentes sinais de alarme. Mesmo que tudo o que já se passou não tivesse bastado para fazer soar as campainhas de quem, em Portugal, zela pela boa Justiça. Pinto Monteiro quebrou o silêncio sobre o assunto mas mais valia ter ficado calado.

O comunicado da Procuradoria-Geral da República revelou-se uma enxurrada de contradições. Primeiro, os responsáveis pela investigação não são alvo de quaisquer pressões, depois avisa que vai averiguar e castigar os magistrados que possam estar a prejudicar o andamento do processo, e a seguir chama de urgência o presidente do Eurojust porque lhe constou que Lopes da Mota terá contribuído para comprometer a isenção da investigação. Será que pode repetir, senhor procurador-geral da República?!
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