o meu problema 1

Opinião

A dois meses das eleições – não sei se é por causa do calor e das férias, mas ainda parece tanto tempo –, os dois partidos que podem ambicionar chegar ao Governo já transpiram campanha eleitoral por todos os poros. Acertam as regras dos debates televisivos, gerem o aparelho de interesses na composição das listas, ensaiam discursos mais ou menos crispados que pretendem sugerir um genuíno embate ideológico e imagino, até já decidiram em que dias Manuela Ferreira Leite estará autorizada a não usar o seu colar de pérolas ou quando é que José Sócrates poderá deixar a gravata de lado.

Nada a que não estejamos já habituados e até cansados, pelos piores motivos. É o folclore de qualquer campanha eleitoral. Pode ser diferente, tornar-se mais moderno, encher-se de facebook e de twitter, mas no fundo, nada muda porque o objectivo é o mesmo, é conseguir obter o maior número de votos.

Este é o tesouro na história de qualquer eleição. O voto é demasiado valioso para se dar de qualquer maneira. Até porque, em princípio, tem uma validade de quatro anos, o tempo de uma legislatura. Por isso e também porque o tempo é o tesouro na história da vida de cada vez mais pessoas, sonho com partidos inteligentes, que me enviem por correio electrónico o programa eleitoral, mas todo de uma vez, que sejam claros no debate e na explicação das medidas propostas, que não me façam promessas estúpidas – ainda não me esqueci da da criação de 150 mil empregos – e que não saturem os meus sentidos com a sua presença. Só quando se justificar. Resumindo, que não me entupam de propaganda, que pensem a médio e longo prazo. Seria muito desejar que ensaiassem uma proposta para Portugal sair da sua própria crise depois do fim da crise internacional? A razão deste meu desejo é muito simples e os especialistas de comunicação em campanhas eleitorais saberão melhor do que eu do que falo. O que é só entretém enjoa quando é demais e eu posso, injustamente, fartar-me. Mas talvez este seja só um problema meu. 
Advertisements

pobre ministro

Opinião

Teixeira dos santos diz que quem tem razões para estar cansado por causa do BPP é ele. E tem toda a razão. Desde Novembro do ano passado – já lá vão cerca de oito meses – que a crise no banco fundado por João Rendeiro rouba tempo e energia ao ocupado ministro de Estado, da Economia e das Finanças. Pelo meio, ainda se arriscou perante a fúria de alguns clientes mais desesperados.

Mas no meio de tanto stress, só há mesmo um pequeno senão: a fadiga que Teixeira dos Santos sente é da sua responsabilidade, é culpa deste governo, que, neste caso como noutros, envereda por caminhos ziguezagueantes. Primeiro, diz que tudo fará para resolver o problema do banco e dos seus clientes, mais tarde, diz que já não é bem assim, que se tem que analisar bem o assunto, e no final, diz que o Estado não tem nada que entrar com dinheiro para resolver o problema de um banco privado e dos seus clientes. Parece, de facto, uma verdadeira canseira. Só de pensar…

Assim de repente, Teixeira dos Santos tem três saídas: faz como a administração de Fernando Adão da Fonseca e invoca desgaste para pedir a sua substituição; aguenta o tempo que for preciso até ter, um dia, uma boa, quem sabe perfeita, solução para os clientes do BPP; ou abrevia toda esta agonia e toma uma decisão. Já não há uma explicação aceitável para tanto tempo de espera e de incerteza. A não ser que o ministro não saiba ainda o que fazer. E isso é de uma tal gravidade, que só resta pedir ao ministro Teixeira dos Santos que vá descansar.