eu finjo ter paciência…

Opinião

Tantas vezes foram enaltecidas as características depuradoras da crise, só é pena que a dita não seja capaz de expurgar do do país, já para não dizer desta galáxia, os que deveriam ficar calados para sempre. A começar por Dias Loureiro, o ex-conselheiro de Estado, suspeito da prática de vários crimes no âmbito do caso BPN. Aquele que durante anos e anos foi responsável, enquanto ministro de Cavaco Silva, pela Segurança do país, disse assim ao "Sol", a propósito de uns documentos descobertos em sua casa: "se essa documentação fosse de facto comprometedora, não a teria em minha casa ou já a tería destruído". É verdade, foi tudo isto que disse alguém que durante anos e anos participou nas reuniões do órgão político de consulta do Presidente da República.

O que chamar a Dias Loureiro, que nem tão pouco teve o pudor de aspirar palavras que envergonham tanta gente? O homem que garante estar de consciência tranquila e seguro da sua inocência assegura a quem quiser ouvir que se fosse preciso destruiria qualquer prova que o pudesse incriminar. Melhor não dizer mais nada, entregá-lo apenas às homenagens estivais em Aguiar da Beira e esperar que não volte a falar tão cedo.

É que a paciência que tantos pedem em tempo de crise pode não chegar. Só nos últimos dias, perdi boa parte dela em voos atrasados, em horas e horas de espera pelas malas, e lembrei-me logo dos prémios que o presidente da TAP recebeu, merecidos ou não, num ano de sacrifícios, e ainda dos maus trabalhadores, que os há por todo o lado e também numa empresa pública. Mas depois de uma Manuela Ferreira Leite, ao estilo "Conta-me como Foi", e do seu desapontante programa eleitoral, a paciência salva-se à conta da informação de que, afinal, as investigações ao caso Freeport estão quase concluídas e não envolvem Sócrates. Fonte do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, liderado por Cândida Almeida, garante ao "Diário de Notícias" que o primeiro-ministro vai ficar fora da acusação, pelo que nem sequer deverá ser ouvido como testemunha. Uma boa notícia, oportunamente divulgada antes das eleições, mas que exige o selo do procurador-geral da República. A voz é de quem vale a pena ouvir. Pinto Monteiro tem a obrigação de explicar tim-tim por tim-tim como é que se chegou a esta conclusão, sobretudo porque o departamento de Cândida Almeida tem sido duramente acusado de falta de independência na investigação deste caso. É que não haverá falta de paciência para ouvir o PGR e até os procuradores titulares do processo, Vítor Magalhães e Paes de Faria. Para que não restem dúvidas. A notícia de que José Sócrates, primeiro-ministro e candidato a primeiro-ministro, não recebeu dinheiro para facilitar a aprovação do Freeport é óptima, mas só depois de se afastarem todas as suspeitas que pairam sobre a liberdade do Ministério Público.

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