Já ninguém me engana!

Opinião

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Sosseguem de vez todos os que ainda suspeitam da existência de um “plano” do governo de Sócrates para controlar a TVI e outros órgãos de comunicação social. Ouçam Pinto Monteiro e José Sócrates. Depois de ontem, a dúvida só pode ser um capricho dos loucos, um vício dos conspiradores profissionais ou um problema daqueles com os quais a mãe natureza foi, infelizmente, pouco generosa. Das três, uma.

É tudo muito simples. Pinto Monteiro, aquele que já aceita “lições jurídicas de muito poucos e não seguramente de comentadores de ocasião”, assegura que, afinal, tudo não passa do “velho esquema”. A Procuradoria, tão velha que já não se deixa enganar, constata que são “poucos os políticos relevantes que escaparam a esta armadilha política”. Aquela que pretende “conseguir determinados fins políticos utilizando para tal processos judiciários e as instituições competentes”. E mais nada, podemos ficar tranquilos, assegura Pinto Monteiro à “Visão”: não foi encontrado qualquer indício da prática do crime de atentado ao estado de direito. É assim que o procurador- -geral da República arruma o assunto e parte para outra. Eventuais propostas, sugestões, conversações sobre negociações que, hipoteticamente, tenham existido “poderão ter várias leituras nos planos político, social ou outros, mas isso não corresponde necessariamente à constituição de crime” de atentado ao estado de direito. Mesmo que se tenha passado alguma coisa, impossível na opinião de Pinto Monteiro, que já não se deixa enganar, isso já não é consigo. Não há nada que a Procuradoria-Geral da República deva ou possa fazer.

Só para os mais obstinados, que ainda mantenham uma réstia de dúvida, Sócrates não poderia ter sido mais claro. O primeiro-ministro, aquele que sabe-se lá porquê foi o mais atacado dos chefes de governo, garantiu, solene, “verdades claras e fáceis de compreender”. Numa declaração ao país, Sócrates assegura que nunca deu orientações à Portugal Telecom ou aos seus administradores para adquirir a TVI, que nunca foi informado pela referida empresa da tentativa de negócio e que é absolutamente falsa a existência de plano para condicionar os media. Esta, diz Sócrates, é uma ideia “rotundamente falsa”, “infundada”, senão mesmo “delirante”.

Afinal, não são todos os portugueses as melhores testemunhas de que Portugal tem uma imprensa livre? Não há como desmentir, responde o primeiro-ministro.

Desde ontem evaporou-se toda e qualquer dúvida. Nada existe de suspeito nas escutas feitas às conversas telefónicas entre Paulo Penedos, Armando Vara e Rui Pedro Soares. Será que não foi tudo um entretém de pessoas ocupadas que às vezes precisam de descomprimir do stresse diário? E depois, claro, há sempre os que se aproveitem de crimes, nomeadamente do da violação do segredo de justiça, para os ataques pessoais. Certo e sabido, é apenas o velho esquema.

E agora que tudo está finalmente claro que nem água, não seria melhor avisar os deputados da comissão parlamentar de Ética que estarão ali nove semanas e meia a perder tempo, não só porque não sabem inquirir e aproveitam o palco da comissão para o jogo do costume – tudo tão velho -, mas sobretudo porque não há mesmo mais nada para esclarecer. As dúvidas já se foram. Não ouviram ontem Pinto Monteiro e José Sócrates?

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