Os pequenos líderes

Opinião

Apenas poucas horas depois do congresso do PSD, já não são os discursos dos candidatos à liderança do partido que saltam na memória. Ontem a aprovação da polémica proposta de Santana Lopes, que aperta a malha aos militantes que venham a criticar a liderança do partido, abafou qualquer espécie de ideia tentada no congresso. Ontem nem Aguiar-Branco e Paulo Rangel, nem mesmo Passos Coelho saíram do pavilhão multiusos Engenheiro Ministro dos Santos mais primeiros-ministros do que entraram.
Espremida a matemática dos aplausos, dos sound bites e das gafes, fica a imagem de uma espécie de congresso dos pequeninos. Discute-se quem foi o vencedor do fim-de-semana como se alguma coisa de verdadeiramente marcante se tivesse passado, como se o que os distinguiu tivesse sido verdadeiramente importante. Não é o passeio confiante de Passos Coelho até ao palco, a descontracção oferecida por dois anos de trabalho ou a provocação a Sócrates acompanhada da tirada “não vamos andar com o PS ao colo” que o faz vitorioso do que quer se seja. Como também não é a resposta deselegante a Machete, quando este o avisou de que o seu tempo estava a chegar ao fim, nem a atabalhoada tentativa de pazes com Alberto João Jardim que mancharam o percurso de Passos Coelho. O mesmo se pode dizer em relação a Rangel e à sua “dessocratização” e inesperada insegurança, ou em relação à expectável fleuma de Aguiar-Branco, que repetiu até à exaustão que sabe o que quer para o partido e para o país.

A verdade é que em dois dias de reunião social-democrata só se passaram coisas pequenas, nada que indicie que quem vencer as directas de dia 26 não será apenas líder do PSD, mas também um bom candidato a primeiro-ministro, capaz de fazer frente a um Sócrates indiscutivelmente debilitado.

A história deste congresso do PSD é desinteressante, é a história de um partido órfão, é a história de pequenos líderes. É verdade que, como dizia José Miguel Júdice na entrevista ao i, por vezes somos surpreendidos, eles superam-se, agigantam-se. Alguém se lembra dos candidatos a líderes partidários Cavaco Silva, agora Presidente da República, Durão Barroso, agora presidente da Comissão Europeia, ou José Sócrates, agora primeiro-ministro. Também se dava pouco por eles, é verdade, e hoje é o que é.
É então isto que se pode esperar, para já, ficar à espera da surpresa, acreditar que, como disse Marcelo, o PSD tem ideias, força e unidade para disputar eleições e até vencer com maioria absoluta, dar a volta a Portugal. Mas como Marcelo também disse, isso não se faz apenas com a mudança de gente, também é preciso mudar a forma de fazer política. Um líder não se faz sozinho. Como lembrou Marques Mendes, exigir-se-á aos derrotados lealdade, solidariedade e respeito porque, como disse, ninguém acreditará que o PSD será capaz de governar o país se não mostrar que se governa a si próprio. E ontem, no fim dos trabalhos em Mafra, a falta de unidade continuava a perseguir o PSD como uma nuvem negra e carregada. E não se vai lá com silêncio forçado.

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