Se o i fosse um país…

Opinião

Hoje é um dia especial e por isso, queridos leitores do i, desculpem-me a ocupação do espaço do editorial para talvez não falar do governo, da oposição ou do pacote de austeridade que nos impuseram à pressão.

Há momentos – cada vez mais – em que as regras devem ser quebradas e hoje é um dia assim. Hoje, curiosamente, sinto-me optimista em relação ao futuro. Talvez porque, como diz o meu amigo: “És tão teimosa que mesmo depois de perderes continuas a teimar.” Sei que ele às vezes tem razão mas, seja como for, acredito em poucas coisas – gostava de acreditar em mais, mas ainda não fui capaz… -, acredito na vontade, no trabalho, na energia, nas boas ideias, acredito em algumas pessoas, nas que têm tudo aquilo e ainda se esforçam por fazer boas escolhas e evitar as más. E desconfio quase sempre – teimosia?! – das imagens escuras que me apresentam do futuro, prefiro sempre pensar que as previsões apocalípticas falham, que como diz o meu amigo, há pessoas que vivem atrás do nosso tempo: “Nos negócios, isto quer dizer problemas para a maioria dos investidores.”

Depois do meu amigo Martim Avillez Figueiredo, hoje sai da direcção do i o André Macedo, o meu amigo, e mesmo assim estou optimista. Porque ser optimista não é o mesmo que ter olhos castanhos ou 1,64 m, é uma atitude que está relacionada com acontecimentos e com pessoas.

Há quase dois anos, começámos juntos a aventura do i, há um ano o i saiu para as bancas e, neste preciso momento, olho à volta e não posso deixar de garantir que aprendemos todos qualquer coisa, somos todos melhores. À conta de muita coisa, mas hoje quero falar das manhãs alucinadas do André, um adivinho de leitores, das suas injecções de jornalismo, da emoção, algumas vezes insuportável, com que pegava todos os dias no i, da sua disponibilidade infinita para discutir, do seu talento raro para lançar e, mais importante, voltar e dizer com as palavras exactas o que foi feito e ficou por fazer. Posso não estar optimista? Nem sempre somos mais pequenos do que julgamos. Por tudo isto e muito mais, que não se pode explicar num espaço amarelo de página chamado “Editorial”, o i está hoje, se houver vontade e visão, mais pronto que ontem para continuar igual, na sua essência, e diferente todos os dias, à frente do nosso tempo mas sempre ao lado dos nossos leitores.

Mas se o i fosse um país e não vivesse em Portugal seria tão diferente de Portugal. Por esse país que não vive em Portugal, pensa-se e diz-se o que se pensa sem medo, arrisca-se, imagina-se, questiona-se tudo que até cansa, trabalha-se 12 ou mais horas por dia, discute-se, ri-se, resiste-se e vivem-se todos os minutos com um imenso prazer. Nesse país que não vive em Portugal, não pensamos pequeno e seríamos sem dúvida o jornal preferido de quem tem prazer em ler jornais. Fica o obrigada ao Martim e ao André de toda a equipa do i, porque por este país agradece-se e pede-se desculpa (também pela ocupação deste espaço), mesmo que todos os dias nos limitemos a cumprir o nosso dever.

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