António Mendonça. “Como professor tinha mais liberdade”

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Passou a vida entre as aulas e a investigação. Há seis meses, o professor vestiu o fato de ministro das Obras Públicas. Em entrevista ao i, diz estar a gostar da experiência no governo, muito provavelmente apenas uma passagem da sua vida. O cuidado nas palavras é imposto pelo que chama contenção de discurso natural em quem ocupa cargos políticos.

Há 20 anos era uma das suas alunas da cadeira de Economia Internacional no ISEG. Mudou muita coisa.

Houve mudanças muito significativas na economia internacional. Fundamentalmente, uma maior integração económica, à qual se chama globalização. Mas também se verificou uma concentração das empresas a nível internacional. E houve uma perda de capacidade de intervenção dos estados, o que implicaria, necessariamente, um reforço das instituições internacionais ou a criação de novas.

Estava longe de imaginar que iríamos viver uma crise destas?

Um economista não pode ficar surpreendido com as crises, fenómenos cíclicos. Esta crise é geracional. É difícil que uma mesma geração conviva com duas crises económicas desta dimensão. Mas talvez tenha ficado aquém daquilo que se esperaria viesse a provocar. Aliás, houve uma atitude contraditória. Quando começaram a aparecer os primeiros sinais de que o mercado imobiliário estava a gerar qualquer coisa, as primeiras reacções eram de que aquilo não era nada.

Subestimaram-se esses sinais?

Sim. Mesmo em 2008, quando já era visível que alguma coisa grave ia ocorrer, a atitude de todos, dos mais altos responsáveis, foi de subestimação e diria até de negligência. O próprio Fundo Monetário Internacional só reconheceu que estávamos em crise já em Outubro.

Mas estamos longe de ter saído da crise.

Sim, mas as intervenções dos estados e dos organismos internacionais impediram que a crise atingisse a dimensão que inicialmente se pensava que poderia atingir. O que pode também ter contribuído para o excesso de confiança de agora, para a ideia de que é possível retirar imediatamente os apoios, ou voltar a uma atitude de negligência relativamente à regulação económica, o que pode dificultar a recuperação e levar a que não se tomem as medidas de natureza mais estrutural no sentido de evitar fenómenos com a dimensão que este teve. Agora temos de estar preparados…

Para o pior?

Não. Para que existam novas crises. Neste momento até tenho uma posição relativamente optimista em relação à recuperação da economia internacional.

Portugal poderá ser a próxima Grécia?

Existe a tentação de fazer da Grécia um bode expiatório, e não podemos esquecer que a crise começou no sector financeiro americano e se generalizou ao mundo inteiro. A Grécia, como elo fraco, sofreu as consequências.

Portugal também é um dos elos mais fracos.

As economias mais fracas têm tendência para sofrer as crises de forma mais profunda. A credibilidade da economia portuguesa é forte. Se olharmos para as reacções ao PEC, houve da parte das instituições internacionais e das próprias agências de rating uma atitude positiva.

As agências de rating reviram em baixa a notação da República e mantiveram o outlook negativo.

Não podemos cair na tentação de sobrevalorizar as opiniões menos positivas, nem de ser masoquistas.

Mas Portugal não sai das páginas do “Financial Times” sempre que se fala da Grécia.

Alguns analistas têm uma certa tendência para procurar situações negras. Agora é este, depois é aquele… Temos de contribuir para que não seja assim.

E para isso será essencial atingir um défice inferior a 3% até 2013?

É fundamental.

É um caso de vida ou morte?

Não direi isso, porque também depende muito da evolução da situação económica mundial. O objectivo dos 3% para 2013 é estratégico, fundamental para que a nossa credibilidade se afirme, mas não só. Internamente, é fundamental que haja um clima de confiança que conduza a um maior dinamismo económico.

Mas a ideia que o governo passa é a do vale-tudo. Corta nas prestações sociais, nos benefícios fiscais, aumenta a carga fiscal, corta no investimento…

A situação exige sacrifícios. Temos de ser mais selectivos no consumo e no investimento, de privilegiar tudo o que contribua para limitar os défices, seja o interno seja o externo, e ainda ter efeitos positivos no dinamismo económico.

Tentar o impossível?

A margem de manobra é estreita. É por isso que temos de ser selectivos e definir prioridades.

Vale congelar salários?

Não poria as coisas em termos de congelar, mas temos de ser extremamente criteriosos. Relativamente ao sector público a contenção terá de ser muito maior. O que está decidido é aquilo que é ajustado à situação actual. Temos objectivos de natureza macroeconómica e ao nível da própria competitividade das empresas. Uma das vias para assegurar o dinamismo económico assenta nas exportações.

Mas não somos propriamente uma economia virada para a exportação?

Não, não somos. É algo que temos de trabalhar.

Daí não se poder esperar que o crescimento venha das exportações.

Temos de ir à procura do crescimento, ter uma atitude positiva e voluntarista no sentido de estabelecer e intensificar relações que permitam ganhar novos mercados e exportar para países que têm um dinamismo evidente.

Mas afinal, com tantos constrangimentos, por onde se pode crescer?

Não podemos cair no pessimismo porque há sempre alternativas. Temos também de ter capacidade de atrair investimento estrangeiro, de projectar o país, de o transformar numa plataforma atractiva no plano económico internacional. É aqui que entram todos os investimentos de modernização das infra-estruturas que ponham o país num patamar superior de competitividade e atractividade.

Não está aí um pouco do político que quer promover uma cultura de optimismo?

Não é de político, é de economista que acha que há potencial no país. Se queremos potenciar o nosso lugar geoestratégico, são fundamentais os investimentos associados às ligações internacionais, à melhoria das nossas infra-estruturas, dos portos, das ligações aeroportuárias, das ligações internacionais ferroviárias e rodoviárias.

O político teve de se zangar com o economista por causa deste PEC?

Não, aliás, neste momento, e pelos condicionalismos internacionais e internos, temos de atender à necessidade de corrigir défices estruturais – não apenas o interno, mas também o externo. Até aqui temos falado muito do défice orçamental, mas também temos um défice externo, ao qual temos de dar a devida atenção. Manifesta-se aí uma debilidade estrutural da nossa economia.

Um problema que não se resolve com um PEC.

Não, mas talvez com um programa económico específico. Não podemos esquecer que o PEC é Programa de Estabilidade e Crescimento, e portanto há também a componente de crescimento.

Onde é que ela está?

Se conseguirmos conter os desequilíbrios macroeconómicos a curto prazo, criamos condições para o crescimento a médio e longo prazo. Digamos que este PEC é fundamentalmente orientado para a estabilidade, mas, se assegurarmos a estabilidade, criamos as condições para o crescimento. As coisas não podem estar desligadas. Temos de ter sempre uma perspectiva de curto, médio, longo prazo. Um político pode dar-se ao luxo de trabalhar com o curto prazo, mas o economista não.

Mesmo assim concorda com este PEC?

Concordo.

Mas de repente o ministro das Obras Públicas ficou quase sem pasta.

Não, porquê? Há uma série de projectos que continuam e vão ser concretizados.

As concessões foram suspensas e o TGV e as grandes obras só consumirão recursos a partir de 2013.

Não é verdade. No que respeita às concessões rodoviárias, é importante dizer que parte significativa está em curso.

As que já tinham sido lançadas.

As que faltavam são uma parte pouco significativa relativamente ao que está em curso.

O ministro das Finanças travou investimentos e dilatou o prazo de outros.

Há tendência para ver as datas como limites. As datas são referências que fixamos, mas temos de estar preparados para deslocamentos, em função dos projectos.

A verdade é que o Estado não tem dinheiro.

Sim, mas o que importa é ter a capacidade de redefinir as prioridades, de afectar de recursos escassos.

O PEC foi responsável pelo adiamento de obras?

Não há nada que tenha sido parado em resultado do PEC. Temos de ter duas ideias de investimento público, aquele em sentido estrito, que consta do Orçamento, e aquele investimento público em sentido lato, que é gerado pela iniciativa pública. Ou seja, investimento privado, mas que é gerado pela iniciativa pública. Falo das parcerias público-privadas.

Não sentiu que a sua actuação foi limitada pelo ministro das Finanças?

Não, de forma alguma. O que vejo é o bom desempenho na Praça do Comércio, condição sine qua non para que, também neste ministério, as políticas possam ter pleno sucesso. Há uma articulação.

Zangou-se com Teixeira dos Santos?

Não, nunca. Aliás, até é um dos ministros mais simpáticos do governo.

Muito se fala do estilo centralizador de Sócrates. Sentiu alguma limitação na sua vida de ministro?

Não, de forma alguma.

Tem autonomia para tomar decisões?

Tenho, mas é natural que as grandes decisões passem também pelo acordo do primeiro-ministro. Da curta experiência de trabalho com o primeiro-ministro tenho uma opinião extremamente positiva.

Uma surpresa agradável?

Muito. Tive oportunidade de o conhecer, a forma como trabalha, a capacidade de liderança, e sobretudo a capacidade de incutir confiança nos ministros. Quando olhamos para o que se tem passado e para todas as campanhas de que tem sido alvo, é notável que mantenha a capacidade de liderança. É uma pessoa que neste contexto só pode subir na nossa consideração.

Na sua opinião, as campanhas de que fala foram montadas?

Montadas e empoladas.

Nunca teve dúvidas sobre o primeiro- -ministro?

Pelo contrário. A minha condição de ministro leva-me a ter acesso a informações que me levam a considerar que de facto são campanhas montadas e orquestradas. Não tenho dúvida nenhuma.

São tantos casos…

E vão ser mais. Tudo é pretexto. Neste momento o primeiro-ministro é responsável por tudo o que ocorra neste país.

Passados estes meses de governo, sente- -se mais confortável no fato de professor ou no de ministro?

No de professor, porque o visto há mais anos e a responsabilidade é diferente. Enquanto professores temos mais liberdade de expressão, de opinião, os constrangimentos são menores. Ao assumir responsabilidades ministeriais temos de ser mais contidos no discurso. É evidente que um economista e um professor têm mais liberdade.

Essa necessidade de contenção nunca lhe causou azia?

Não. Causa problemas porque temos de ser mais precisos na linguagem.

Mas não o obriga a dizer aquilo em que não acredita?

Não, até agora não. Aliás, quero dizer que nunca vou fazer isso.

Entrou para o governo e uma das palavras que mais se escreveu sobre si foi independente. Continua a sê-lo?

O que entende por independente?

Não é filiado no PS, não faz parte do grupo de confiança de Sócrates…

Espero ter a confiança do primeiro-ministro. Se ele me convidou para ministro, terá confiança em mim.

Mas não é um militante.

Sim, mas a partir do momento em que passamos a pertencer a um governo do PS é óbvio que a independência tem de ser vista nesse contexto. Aqui sim, faz sentido a palavra “solidariedade”. Estou solidário com um partido e com um programa de governo.

Nesse sentido, deixou de ser independente?

Na medida em que integro um projecto. Naturalmente que sou independente, pois continuo a pensar pela minha cabeça, e portanto procuro dar o meu contributo neste contexto.

É este o momento da vida em que sente que tem mais poder?

É um poder diferente. Houve outras situações em que as coisas dependiam inteiramente de mim. Quando se pertence a um governo há um primeiro-ministro um colectivo de ministros, uma Assembleia da República. Digamos que, provavelmente, é um poder de outra natureza, mais limitado.

Do que gosta menos nas funções de ministro?

Talvez o mais difícil seja a exposição pública, o ser difícil andar na rua, ir a um restaurante…

Uma questão que em geral se faz às mulheres: o facto de ser atraente influenciou a sua vida profissional, enquanto professor e agora enquanto ministro?

Eu creio, espero que não. Espero que a minha realização e o meu sucesso se tenham ficado a dever fundamentalmente às minhas competências.

Talvez não saiba, mas existia algum entusiasmo das alunas em relação às suas aulas…

[risos] Tenho-me na qualidade de bom professor, de bom economista, e creio que serão essas qualidades que fundamentalmente serviram de sustentação para a evolução da minha vida profissional.

Sente-se, agora que é ministro, mais exposto ao olhar de estranhos?

Quando falo da minha exposição, tanto é a olhares de mulheres como de homens, de crianças, de idosos. É natural a curiosidade em relação a uma pessoa que aparece mais vezes na televisão ou na comunicação social e que assume uma pasta como esta, de grande exposição. Mas continuo a fazer a minha vida sem qualquer problema. Ainda ontem tive a oportunidade de passear com a família por vários locais…

Agora vê menos os seus filhos?

Sim, muito menos. Enquanto professor, se tinha um teste para corrigir, podia ir para uma esplanada e ter os filhos a brincar ao lado. Hoje não consigo fazer isso. Não é possível ser ministro numa esplanada. As exigências são maiores e a família ressente-se disso.

Se o governo voltar a ganhar eleições, estará disposto a continuar com esta vida ou trata-se apenas de uma passagem?

Vejo esta experiência governativa como uma passagem, uma etapa na minha vida que não terá necessariamente continuidade. Ainda é cedo para fazer um balanço da experiência – que terá de ser feito por mim e por outros. Não sei como responder, ainda nem sequer pensei nisso.

Trabalha com sectores que atravessam neste momento dificuldades, nomeadamente o da construção. Ainda é o sector dos patos bravos?

Não. Os contactos que tenho feito com responsáveis de empresas e das associações têm-me permitido chegar à conclusão de que são pessoas muito competentes e que têm uma consciência muito grande dos desafios.

Estando o sector a passar por dificuldades, não sentiu pressão dos construtores?

Naturalmente que estão preocupados. Houve uma quebra no sector da construção e do imobiliário. Transmitem-me essas preocupações e eu próprio tenho estabelecido canais. Da parte deles há uma consciência muito clara do que há a fazer, de como têm de se ajustar, de como têm de encontrar novas oportunidades de negócio, designadamente através da internacionalização. E têm-no feito de forma interessante.

Mas afinal a construção é ou não um lóbi poderoso? Ou transformou-se num sector demasiado dependente do Estado?

Recuso-me a ver as coisas nesses termos. Quando olhamos para as empresas fundamentais, algumas delas não são tão dependentes quanto isso. Parte significativa já está internacionalizada. E num país que se queira sustentável do ponto de vista económico temos de ter empresas equilibradas do ponto de vista económico e financeiro, com know-how, tecnologia, com capacidade de internacionalização. Porque essas empresas actuam em cadeia. As médias e pequenas empresas beneficiam também de termos grandes empresas.

O sector está com a corda na garganta?

Está apertado, mas não é o único. O sector da construção tem efeitos dinâmicos muito grandes no conjunto da economia e na criação de emprego.

Nunca cheirou a corrupção?

Temos de estar atentos, mas não podemos cair na tentação de pensar que tudo o que se faz no sector da construção é fruto da corrupção. Isso não é verdade. Há uma atitude em Portugal que muitas vezes tem a ver com mesquinhez e inveja.

Nunca sentiu que podiam estar a tentar corrompê-lo?

Enquanto ministro estou atento a tudo o que possam ser fenómenos de corrupção. Não senti qualquer sinal. Houve comunicação de insatisfações, mas isso é normal. Tenho tido contactos com responsáveis de várias empresas e nem sempre estamos de acordo. Mas isso é normal. Agora a corrupção existe, e temos de estar preparados para ela. Até agora não vivi essa experiência. Não podemos viver permanentemente na atitude de que tudo…

Não podemos viver em permanente desconfiança?

Temos de ter sempre uma atitude de precaução, porque a partir do momento em que há negócio há campo para corrupção, em Portugal ou em qualquer parte do mundo.

Recebeu presentes no Natal das empresas que tutela?

Sim. Recebi livros, uma ou outra garrafa de vinho. E partilhei.

Não recebeu Rolex, Montblanc?

Não.

E se recebesse o que fazia?

Rejeitava, pura e simplesmente. Tanto rejeito um Rolex como uma garrafa de vinho ou um livro se sentir que por trás disso pode haver uma tentativa de exercer influência. Mas isso tanto faz ser uma prenda de alto valor como uma prenda de pequeno valor. Agora no Natal dão e eu próprio também dei lembranças a algumas pessoas. Se calhar nem sabiam que já havia outro ministro.

Quem são os campeões dos presentes?

Não fiz um levantamento, pode ser que no próximo Natal me dê a esse trabalho.

Acha normal que um ministro saia do governo e passe directamente para a gestão de uma empresa privada?

Há legislação específica sobre a matéria, há o bom senso de cada um e há a ética. Não me pronuncio sobre isso. Acho que cada um, no quadro da legislação, das referências éticas e do bom senso faz as suas opções.

Faria sentido que o ministro Mário Lino, seu antecessor, assumisse funções de chairman na Cimpor?

Depende da legislação, do bom senso e da ética de cada um. Relativamente ao ministro Mário Lino, conheço-o, tenho em relação a ele uma grande consideração e quero crer que aqueles princípios de que falei seguramente estarão presentes nas opções que vier a fazer.

Está convencido de que o primeiro-ministro não mentiu ao Parlamento?

Os responsáveis da PT já me disseram. Não creio que tivesse existido intervenção do governo. O negócio da compra da TVI era algo que obedecia à lógica de negócio da PT. Neste contexto, é evidente que não mentiu.

Esse é o objectivo desta comissão de inquérito parlamentar, saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.

Mas as comissões de inquérito têm os objectivos que entenderem…

Políticos?

Julgo que sim, que há aqui preocupações de natureza política mais do que a preocupação de esclarecer verdadeiramente a origem e o interesse do negócio.

Em relação à TAP, congratulou-se com o acordo obtido entre os pilotos e a empresa, que evitou a greve na Páscoa. A empresa cedeu aos pilotos? E na próxima Páscoa, o que acontece se se repetir a ameaça de greve?

O que importa salientar é que houve um compromisso. Os pilotos tiveram o bom senso de não avançar para a greve e espero que se tenha criado uma base de colaboração futura. A TAP tem tido uma boa performance e é das que melhor resistiram à crise da aviação. É uma empresa de referência a nível internacional.

Sim, mas o que está em causa é que a ameaça dos pilotos pode repetir-se no Natal, na Páscoa…

Os pilotos são capital fundamental da empresa. E o facto de serem considerados competentes, o facto de alguns pilotos terem origem até na Força Aérea…

Faz com que a empresa tenha de ceder às suas exigências?

Poria mais as coisas em termos de compreensão e de bom senso.

A TAP está nas mãos dos seus pilotos?

Não. A TAP está na mão dos pilotos, como está na mão dos outros funcionários, como na de outros responsáveis. Não podemos ver as coisas assim. A TAP é uma empresa particular. Os pilotos são uma classe internacional e tem de haver capacidade de olhar para as características da TAP. Houve um compromisso interno que correspondeu aos objectivos estratégicos da empresa. É isso que quero valorizar.

Fernando Pinto recebeu um prémio, António Mexia, presidente da EDP, onde o Estado também tem uma participação importante, encaixou entre prémios anuais e plurianuais mais de 3 milhões de euros. Qual a sua opinião sobre isto?

Não podemos cair na tentação de ter uma visão mesquinha e invejosa das remunerações dos outros. O que está em causa não é a remuneração dos gestores, mas saber se o papel que exercem é ou não positivo para a empresa. Se a empresa tiver bons resultados, se estiver a expandir-se, se remunerar os accionistas, se gerar impostos, se aumentar o emprego… temos de olhar por essa via. Acho que é mau para o país olhar para as remunerações nessa perspectiva de ganhar muito ou pouco. Recuso-me a alinhar numa análise populista, imediatista e que apela a alguns dos sentimentos mais primários.

Teme a sucessão de greves e manifestações, uma crise social?

É natural que em períodos de contenção económica haja uma multiplicação de fenómenos dessa natureza, de reivindicações e greves. Faz parte. Aqui só podemos apelar ao bom senso, em particular dos sindicatos.

Mas prevê que a situação se venha a tornar um grande conflito?

Não, há a consciência da necessidade de contenção e de atingir objectivos, bem como das dificuldades do país. Essa consciência é factor de contenção, que não dará lugar a uma explosão social.

O PSD tem um novo líder, Pedro Passos Coelho. O governo tem agora uma oposição mais forte?

O que posso é desejar-lhe um bom trabalho e discernimento para entender a situação actual do país.

Passos Coelho ameaçou não apoiar algumas medidas do PEC que dependem do Parlamento.

Não dou a essa posição particular significado. Chega agora às mais altas responsabilidades no partido, está numa fase de afirmação. Espero que tenha a capacidade de entender a situação do país e saiba agir em conformidade com isso.

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