Jardim Gonçalves: “Neste momento, era importante o PS no poder”


Licenciou-se em engenharia civil, mas mas foi na banca que fez a carreira que começou ainda antes do 25 de Abril. Em 1985, fundou aquele que viria a ser o maior banco português, o BCP, que liderou durante duas décadas. Deixou a instituição na sequência da guerra de poder no banco em 2007 e acusa o governo de José Sócrates de assalto ao BCP. Em 2010, viu o seu nome ser envolvido em polémica. Foi acusado pelo Ministério Público de manipulação de mercado e falsificação de contas. Esse julgamento ainda decorre. Jorge Manuel Jardim Gonçalves nasceu há 77 anos no Funchal, é casado e tem 5 filhos e 21 netos.

Veja aqui o vídeo da entrevista a Jardim Gonçalves

O Governo apresentou um Orçamento que muitos dizem ser o mais duro da democracia portuguesa. Havia outro caminho?
É uma peça importante, mas seria útil desviar um pouco as conversas do Orçamento porque o país também pode viver algum tempo com duodécimos. O que seria muito importante era retificar o caminho que me parece não ter sido o melhor. O que sentimos em relação ao Orçamento é que foi ditado por regras exteriores ao país e, portanto, dificilmente as pessoas olham para ele como um instrumento óbvio da República.

É apenas o reflexo da vontade dos credores?

Será! Não vale a pena estar a referir muito o que se deveria ter feito, mas vale a pena percorrer um novo caminho e preparar uma negociação posterior. Quem está na situação de devedor – não vale a pena estar a discutir porquê, são circunstâncias, é a história do país – deve procurar falar com a maior autoridade junto do credor. E Portugal não fez isso, foi falar sem ter um trabalho feito no seu próprio país. Quem governa, quem está no país, o tecido empresarial, a concertação social, os sindicatos, as centrais, as entidades patronais, todos devem procurar qual a melhor solução. E, esgotadas todas as soluções, então, vamos negociar com o credor. Não foi isso que aconteceu mas é isso que deve começar a ser feito. Quando agora apareceu a Comissão Europeia a dizer “já aprovamos umas condições”, não o devia ter feito, mas também não devíamos ter dado oportunidade para que isso acontecesse.

Mas essa negociação de que fala…
Tem que ser feita agora. É óbvio que as finanças públicas têm de estar certas, os bancos têm de estar capitalizados, mas temos de ter presente que estamos a tentar fazer uma União Europeia e isso não se faz desta maneira. Estamos a aproximar-nos dos 100 anos sobre 1914 e todos sabemos o que foi 1914, e depois 1939-1945. A Europa é uma Europa de diferenças, e a União Europeia será uma União Europeia que só viverá de diferenças. Não dêem passos precipitados, não venham com imposições porque os países velhos da Europa, com tantas diferenças entre si, não vão aceitar.

O pacote de resgate deveria ser prolongado ou ter mais dinheiro?
Teria de ser o pacote possível para o país e o país é que teria de negociar, não receber regras cegas. Concretamente, não se podem estabelecer rácios de capitalização para o sistema financeiro, que são perfeitamente impossíveis de concretizar porque o país e as empresas cotadas não têm acesso ao mercado. Não é razoável aplicar ao sistema financeiro português as mesmas regras do banco central alemão. Há todo um conjunto de regras que tem de pressupor uma diferença nos países que estão a tentar fazer uma União Europeia.

Corremos o risco de entrar numa espiral recessiva da qual dificilmente vamos sair?
Não tenho dados suficientes para comentar se é bom, se é mau ou se poderia ser diferente. Que é bastante frustrante em relação à sociedade portuguesa, é! Eu acho que pode ser diferente. O Orçamento vai chegar e penso que deveríamos iniciar um outro caminho. Um outro caminho implica mudar o modo de governação do país? Provavelmente, não podem ser os elementos que estão nesta data a governar o país, se calhar não são os melhores para poder retificar o caminho. Em momentos de crise, em Portugal, sempre foi muito importante ter o PS.

A solução passaria pela queda deste Governo e a formação de um Governo de iniciativa presidencial?
Não gostaria de falar nem de queda do Governo nem de iniciativa presidencial. Uma coisa e outra brigam com o esforço que se deve ter para manter, fazer, viver, fortificar, fortalecer a democracia. Neste momento, fala-se muito, em alternativa, das iniciativas presidenciais, não me parece o melhor. Neste momento, era importante o PS estar no poder. O líder do partido entende que deve ser eleito primeiro-ministro pelo povo. Nunca tal aconteceu, o povo português escolhe a força partidária e o senhor Presidente da República, face os resultados, convida quem entende que deve convidar.

Mas porque defende que o Partido Socialista deve estar no poder?
Penso que, neste momento, o líder de uma coligação seria sempre o PSD, portanto, não ponho em questão a liderança do PSD e do Dr. Passos Coelho. Agora, entre ter uma coligação com o CDS, uma coligação com o PS, ou um coligação a três, penso que não é tão benéfico para o país ter umas coligação com o CDS como seria se tivesse com o PS. O PS tem uma base e tem uma capacidade de diálogo com as centrais sindicais, com as forças económicas que o CDS não tem.

Mas acha possível uma coligação PSD/PS com estes líderes?
Não sei, é um problema que o PS pode resolver. O PSD tem um líder que não é contestado, tem o problema resolvido. O PS tem um líder que disse aquilo, mas não sei se mantém. Olhando para a história de Portugal, em democracia, o PS é sempre muito benéfico em tempos de crise. Lembro-me que, em 1983/1985, estava o PS onde está hoje o PSD, com a assistência do FMI, e o ministro das Finanças estava no Buçaco a reunir com empresários e a promover a iniciativa privada para áreas até então vedadas, como a banca e os seguros. Estávamos em crise, mas estávamos a promover a iniciativa privada. Hoje, é diferente. O apelo a iniciativas presidenciais e a ministros independentes é perverso.

Cavaco Silva deve promover o encontro entre Passos Coelho e António José Seguro?
Não se deve pedir ao Presidente mais do que institucionalmente deve fazer. Agora, o apelo à iniciativa presidencial, tem pressuposto o convite a figuras independentes para governar o país. E isso é mau!

Um Mario Monti.
Mario Monti, em Itália, está a ser apontado como um sucesso, vamos ver até quando. Em Portugal, a minha sugestão é que, se os partidos não têm capacidade interna para formar Governo e querem convidar pessoas que até então não foram membros do partido, informem, mal se possa, em que partido é que elas passam a estar. Qual é o pensamento em termos de dimensão social, política, ideológica, etc., do ministro das Finanças? Ou do ministro da Educação? Ou do ministro da Economia? Eu não sei! E penso que o povo português precisa de saber quando alguém está no Governo. E o Parlamento precisa de olhar para o conjunto do Governo porque são os deputados que analisam a performance do Governo. Está a dar-se um privilégio e uma classificação muito positiva a quem venha independente, que não é. É como os administradores independentes nas empresas. São independentes até ao momento em que são convidados, a partir daí passam a ser dependentes do convite que receberam, ou de quem os convidou. Não deveria haver um único membro de Governo independente. Não esvaziem as forças políticas dando o poder de governação a quem não se define, não diz quem é, não diz o que pensa.

Como é o caso de Vítor Gaspar?
De todos os independentes. No Parlamento, quem lá está sentado, não se revê naqueles senhores, porque eles não pertencem às suas famílias políticas.

A coligação entre o PSD e o CDS-PP já está ferida de morte?
Há coisas que têm de passar discretamente, nos gabinetes. Agora, o momento da crise aconselharia uma coligação deferente: a liderança do PSD mas com outro partido, com o PS.

A banca fechou o crédito à economia. Se estivesse na presidência de um grande banco, o que faria de diferente?
Faria todo o esforço para não aceitar a desalavancagem imposta ao sistema financeiro. É insólito.

Mas foi imposto pela troika…
Não se pode estar nessa atitude de subalternidade em relação a quem quer que seja.

Mesmo quando não há dinheiro?
Mesmo quando não se tem dinheiro! Eu não entendo uma visita de 6 horas da Sra. Merkel na Grécia, muito menos em Portugal.

Mas vem cá no dia 12 de novembro.
Espero que não venha, mas não tenho nada a ver com o assunto. O que é muito importante para o sistema financeiro é ter outro grau de liberdade à medida que os mercados permitam. Nos anos 70, se um banco recolhia 100 só podia emprestar 93 porque 7 ficavam depositados no Banco de Portugal: eram as reservas de taxa. Depois passou de 7 para 10. A certa altura essas reservas de taxa, desapareceram, e os bancos começaram a pedir aos mercados, e tendo 100 podiam emprestar 110, 120 130 140, houve bancos que chegaram aos 160. Não é de um momento para o outro que se pode exigir aos bancos que baixem dos 160 para 120 ou 110. É preciso ser indiferente, cruelmente indiferente à economia de um país. O sistema financeiro português tem um regulador, que tem de ter força para dizer: isto não é possível! E não teve!! Não sei sequer se se propuseram a ter. Porquê? Terei sido talvez a primeira pessoa a protestar publicamente que a Troika tivesse dado um conferência de imprensa quando, efetivamente, havia governantes portugueses vivos e que estavam em pleno exercício do seu poder. Os bancos centrais não deviam ter aceite essa regra e a regra devia ser diferente conforme a situação económica do país.

Faria sentido Portugal sair do euro?
Não, o que acho detestável é falar do euro fraco e do euro forte. Portugal entrou sem a total ponderação das sua consequências, portanto, se há que corrigir, se há que retificar, não é nenhuma vergonha, não é humilhação. E vamos fazê-lo só na medida, em que as pessoas, as famílias, as empresas, não fiquem esmagadas.

Vítor Gaspar diz que não há qualquer margem de manobra.
É uma forma de expressão. Depois, já o ouvi dizer que afinal havia porque tem de haver. O Parlamento é soberano no sentido de aprovar ou não aprovar e o ministro quer um Orçamento aprovado.

O BCP não conseguiu evitar o pedido de ajuda ao Estado para atingir os rácios de capital que são exigidos. Como é que vê esta situação do Estado entrar num banco que liderou durante 20 anos?
Vejo muito mal e toda a gente sabe isso a começar pelo Banco de Portugal e pelas diferentes administrações do BCP. Acho muito mal e não devia ter sido assim: a desalavancagem não devia ser exigida. A saúde de um banco está na boa qualidade dos seus ativos.

Grande parte desses ativos desvalorizou, como é o caso da dívida pública.
Há que se preparar para isso, mas não é o capital que vai poder dar suporte a tudo isso. O que dá suporte é a saúde da instituição financeira, que tem que ver com a saúde da economia e a quem se empresta. É demasiado aquilo que se pediu ao BCP: o empréstimo é muito caro. É um preço perfeitamente inusitado e as condições durante esse empréstimo cortam graus de liberdade e que reduzem a atratividade do banco.

O BCP aumentou o capital em 500 milhões de euros. Reforçou a sua participação e qual foi o investimento?
Acompanhei a minha posição, que desvalorizou muito. Tudo o que eu tinha no banco é, hoje, 7 % em valor, portanto perdi 93%. Não quis dar qualquer sinal, durante estes tempos, de que não acreditava no futuro do banco, portanto, tive esta atitude, neste momento: acompanhei.

Nuno Amado é o homem certo para liderar o banco?
Os acionistas têm que ponderar e têm que analisar e não se pode fazer cair no presidente uma carga dessa dimensão. Existem outros órgãos sociais. Preside ao conselho de administração outro senhor que não tem experiência bancária, mas que pode ter experiência na criação de consensos e conseguir criar um clima de governo que dê confiança ao investidor. Há que fazer voltar o banco ao mercado de investidores, daqueles que entram e saem à custa da boa liquidez do título.

Esta equipa de gestão tem o seu apoio enquanto acionista, fundador e antigo presidente do banco?
Não sei como funciona o banco, não conheço a distribuição de pelouros, não conheço todas as pessoas, não conheço o estilo de liderança do Dr.. Nuno Amado. Neste momento, não estou habilitado para avaliar a capacidade de gestão do banco.

O principal acionista do banco é a Sonangol, uma petrolífera controlada pelo Estado angolano. E o Estado português, através da operação de recapitalização, também tem um influência muito forte no banco. O BCP foi “nacionalizado”?
Prefiro falar da cultura do banco. Os administradores executivos só tinham de olhar para todo o conjunto de acionistas. E, segundo a apresentação de resultados do aumento de capital, foram os acionistas anónimos que garantiram o êxito da operação. Houve grandes acionistas que reduziram a posição, outros que mantiveram e portanto, quem respondeu ao aumento de capital foram as dezenas de milhares de acionistas que o banco tem. Portanto quem está a gerir deve estar a olhar para todos os acionistas e para ninguém em especial.

Essa independência é possível, tendo acionistas como a Sonangol e estando o banco num processo de recapitalização?
Eu creio que a Sonangol quererá que o BCP seja, de facto, uma empresa cotada. E só continuará a ser uma empresa cotada com sinais perfeitamente claros de que a Sonagol o deseja. Só isso é que pode valorizar o título, só isso é que pode fazer subir o valor do título. Tenho a certeza do empenho da Sonangol, porque fez um investimento muito caro.

Agrada-lhe este peso da Sonangol?
No meu tempo, há muitos anos, tive conversas de trabalho com os dirigentes angolanos, e a Sonagol sempre foi a instituição apontada para partner do BCP. Mais recentemente, ainda no conselho geral e de supervisão, tive conversas pessoais com o presidente da Sonangol de aprovação, de apoio, acreditando que a Sonagol cumpriria as regras em relação a uma casa cotada. Se para isso é preciso ter 11 %, penso que não! É bem vindo, mas para a influência que tem não era preciso tanto. Agora, também era bom que não reduzisse porque seria um sinal de dúvida em relação ao futuro da instituição. Acho que a Sonangol teve uma atitude muito sábia [no aumento de capital], que foi manter aquilo que tinha.

O Ministério Público acusa-o dos crimes de manipulação de mercado e de falsificação de contas do BCP. O processo remonta a 2007, mas o julgamento só arrancou no final de setembro. A pena pode chegar até 3 anos de prisão. Teme a condenação?
Não, não, não. Vamos lá ver, estamos em Tribunal e é o Tribunal que decide. Agora, os nomes da manipulação de mercado e falsificação são mais fortes do que aquilo que está a ser julgado. Tem que ver com regras contabilísticas que foram impostas depois daquilo que efetivamente o banco é acusado e, portanto, espero que tudo se esclareça e que não haja qualquer condenação. É a esperança que eu tenho.

O valor da sua pensão, cerca de 175 mil euros mensais, continua a ser motivo de polémica. O BCP acusa-o de ser o único ex-gestor que recusa renegociar. A crise e a situação do banco não o fazem reponderar e aceitar uma redução?
Eu não falo, não confirmo o valor.

Porquê?
É um assunto que foi decidido por órgãos próprios, estes que falem do tema se entenderem. Eu não tive qualquer intervenção. Passou por fundadores do banco, pela comissão de remunerações, pela assembleia geral e, portanto, não falo daquilo que os órgãos sociais decidiram.

Mas é o beneficiário.
Posso garantir que tenho uma reforma do banco que, neste momento, não custa nada ao banco. Aliás, todos os colaboradores, quando saíam não pesavam sobre aqueles que ficavam a trabalhar. Quando saíam já tinham trabalhado o suficiente para a remuneração que tinham recebido enquanto trabalhavam e para a pensão que iriam receber depois. A minha reforma custa zero ao banco. Não falo sobre o valor e mais, não tive qualquer proposta para alteração da minha reforma. É falso, é uma mentira dizer que eu fui o único que não aceitou qualquer revisão. O banco nunca me propôs qualquer alteração ao valor da pensão.

O arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, disse, em Junho, que quase se engasgou quando tomava o pequeno almoço e leu que o antigo presidente do BCP recebia uma reforma deste montante!
O arcebispo D. Jorge Ortiga é uma pessoa que eu estimo, uma pessoa que eu conheço e uma pessoa com quem eu falei imediatamente a seguir a essas notícias.

O que é que lhe disse?
Foi uma conversa entre mim e ele e fez manter exatamente a mesma estima mútua. O assunto está claro.
Sem colocar em causa a legalidade da pensão, não compreende que o cidadão comum se sinta incomodado ou surpreendido?
É o tema de prestigiar, aceitar, estabelecer um consenso sobre o que é o valor do trabalho. Se uma pessoa nada faz e recebe uma herança muito superior ao que dizem ser a minha reforma, não há algum comentário.

O Governo está a cortar nos salários e nas pensões.…
Mas eu não tenho nada com o Governo. O meu último exercício foi o de 2004. As coisas não podem ser vistas em 2012 como foram vistas em 2004. Há uma componente perversa: se é património herdado sem qualquer mérito, ninguém comenta; se uma pessoa trabalhou e fez uma determinada obra e se amealhou e se foi ele próprio, com o seu trabalho, que fez o contributo para poder ter uma determinada reforma, que não foi ele que definiu, mas sim os acionistas, então levanta-se o problema..

Já fez contas ao corte que vai sofrer?
Tenho uma tema muito grave, em termos de justiça. Por circunstâncias que é difícil estar a explicar, o seguro de responsabilidade social dos administradores do banco não está a funcionar como deveria, um seguro pago desde a função do BCP. E a pessoa, hoje, defender-se de quase meia dúzia de processos que estão em curso, é muito caro. E se uma pessoa não se defende é naturalmente condenada e a última coisa que quero é não ser absolvido de todos os processos.

Pode quantificar os custos deste processos em tribunal?
São centenas de milhares de euros, ultrapassa, milhões.

A privatização da CGD, faz sentido?
Tive oportunidade de dar a minha opinião, ao mais alto nível, de que nada deveria ser vendido. Nada! Estou a dizer vendido de propósito. Aceito as privatizações, mas o que está a acontecer são vendas! A venda não resolve.

A quem é que disse isso?
Disse a quem de direito, ao mais alto nível, e disse-o oportunamente. Mas não me disseram se sim ou se não, nem me chamaram tonto. Ouviram com toda a delicadeza. A EDP, por exemplo, tinha um financiamento em curso, na ordem de milhares de milhões, e poderia vir a ter dificuldades no mercado em refinanciar-se. Portanto, a venda foi feita a quem não tem de dar contas a ninguém. O Estado chinês não tem de dar contas a ninguém e, por isso, pode estabelecer uma série de garantias, que outros concorrentes não puderam. Neste momento, não punha na agenda qualquer alienação de património do país. Não há condições.

Mas por princípio não é contra a privatização da Caixa?
Por princípio, entendo que o Estado deve ser forte na regulação e não precisa de possuir para regular e influenciar. Pelo contrário, ao possuir cria embaraço.

Entrevista feita com Hugo Neutel, jornalista da TSF.
Publicada em Dinheiro Vivo

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