Acabei agora mesmo de fazer as contas

Opinião

Artigo de opinião publicado em Dinheiro Vivo

Acabei mesmo agora de fazer as contas ao meu salário com as novas tabelas de IRS e é verdadeiramente deprimente. Poupo-vos às minhas queixas, pois cada um já tem as suas, mas é útil para a discussão que se segue dizer apenas que, mesmo com duodécimos, o meu rendimento mensal cai, aliás, que nos últimos três anos tem sido sempre a cair.

Faço, por isso, parte dos muitos que são afectados pelo “enorme” aumento de impostos de Gaspar e Passos Coelho, daqueles a quem o Governo vem repetidamente avisando sobre a urgência de reformar, que é como que diz cortar o Estado Social, a única solução para, no futuro, aliviar a carga fiscal de todos os portugueses.

Quer pagar menos impostos, quer?! Então já sabe, a única alternativa é ter menos Estado Social, é o Estado pagar menos subsídio de desemprego e por menos tempo aos desempregados, é o Estado reduzir as pensões aos reformados, é o Estado aumentar as taxas moderadoras das urgências nos hospitais e as propinas de acesso ao ensino superior.

É isto que não param de repetir, e isso é desonesto. Há alternativa, há sempre alternativa, ao contrário do que este Governo, com o seu fundamentalismo ideológico, nos quer fazer crer.

Procure-se, primeiro, encontre-se, primeiro, toda a má despesa que há neste Estado, elimine-se, primeiro, todo o tipo de má despesa, que existe e não é pouca, reduza-se, de facto, o Estado, mas mantenha-se, melhore-se o acesso tendencialmente gratuito à Saúde e à Educação, mantenha-se o Rendimento Social de Inserção para quem verdadeiramente precisa, pague-se subsídio de desemprego e reformas aos mais velhos, mantenha-se, melhore-se, o Estado Social.

E fiscalize-se, eliminem-se as ineficiências, racionalize-se, reforme-se, melhore-se, construa-se – Estado e privados juntos – um melhor Estado Social. Ao contrário do que nos querem fazer crer, O Estado não tem que ser um predador. É com todo o gosto que pago os meus impostos, para ter menos Estado, mas um melhor Estado Social.

Sejam honestos e mostrem-me, primeiro, as alternativas – há sempre alternativa! E ponham a economia a crescer, que é o que faz falta, interrompam esta estúpida austeridade, peçam mais tempo à troika para atacar um monstro de várias décadas, façam-se à vida, façam por nós, e se não forem capazes porque não acreditam, digam-nos, porque não foram eleitos para isto, não têm mandato para isto.

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