Rui Semedo: “Não podemos criar a sensação de que vamos ter a vida que tínhamos antes”

Entrevista - Rui Semedo

Entrevista publicada em Dinheiro Vivo
Entrevista feita com Hugo Neutel
Fotografia de Diana Quintela

Alentejano, nasceu em Elvas há 54 anos, é casado e pai de dois filhos. Licenciou-se em Economia, no ISEG. Começou a trabalhar como funcionário público no Ministério da Administração Interna mas logo começou a sua carreira na banca, primeiro no Sotto Mayor e mais tarde no BCP de Jardim Gonçalves onde permaneceu mais de 16 anos, até chegar a diretor-geral. Em 2003 mudou de banco e assumiu a presidência do Barclays em Portugal, para mais tarde tomar conta da operação da instituição inglesa na Península Ibérica. Hoje é presidente executivo de um dos maiores bancos espanhóis em Portugal, o Banco Popular.

Veja o vídeo da entrevista, aqui

Depois dos maus resultados de 2011, o ano passado já foi um ano de lucros para alguns dos grandes bancos e mesmo a CGD conseguiu reduzir os prejuízos. O Banco Popular também sentiu o alívio em 2012?
Não é possível olhar para a banca em separado daquilo que se passa na economia porque os bancos são empresas como as outras, não são entidades que pairam sobre a realidade e, portanto, refletem sempre aquilo que se passa. Uma boa forma de interpretar aquilo que se passa na economia é olhar para o balanço dos bancos, está lá tudo. Os anos em que se sente algum alívio na economia, naturalmente, são anos melhores para os bancos. 2012 foi um ano difícil mas foi também um ano de muito realismo por parte dos bancos, de uma tarefa muito importante de estabilização, de limpeza, para que as instituições financeiras possam, em pleno, voltar a assumir aquele que é o seu real papel na economia, que é canalizar os recursos de quem os tem disponíveis para quem necessita deles. 2012 refletiu a situação de incerteza na economia e foi um ano em que os bancos apresentaram resultados em linha com a pressão que tinham.

Mas sentiu-se alguma recuperação face a 2011?
O ano de 2012 foi um ano de maior conhecimento da realidade, de algum alívio no funcionamento do mercados, com menos dramatismo do ponto de vista da liquidez. A grande ameaça para os bancos no pós crise foi a questão da liquidez e em 2012 as coisas melhoraram. E o comportamento da dívida pública também ajudou.

E para o Banco Popular como é que foi o ano?
O Banco Popular Portugal é uma subsidiária detida a 100% pelo Banco Popular Espanhol. Em Espanha, o banco teve um ano, em alguns aspetos, absolutamente notável. Teve necessidade de ampliar o seu capital e foi ao mercado levantar 2,5 mil milhões de euros juntos dos acionistas, nem necessitou de recorrer às ajudas públicas. Foi uma operação daquelas once in a lifetime, com um êxito incrível, que permitiu ao banco fazer um grande processo de resolução de problemas. O Banco Popular Espanhol fez mais de 9 mil milhões de euros de provisões, foi um ano de recomeço. Tem neste momento condições para voltar a uma trajetória de sucesso e para aplicar o seu modelo de negócio, que é muito comercial. 70% do ativo do grupo Popular é crédito a clientes.

Quais foram os prejuízos do grupo em Espanha?
2,4 mil milhões de euros.

E em Portugal?
Em Portugal, os resultados foram positivos. Como somos uma subsidiária a 100%, é prática do grupo não anunciar os nossos resultados. Caímos um bocadinho nos resultados, mas são positivos. Fundamentalmente, também sofremos do mesmo mal: a degradação da qualidade do ativo do banco reflete-se em mais problemas na recuperação do crédito, o que implica mais provisões. Somos uma casa muito rigorosa na gestão dos custos e tivemos, naturalmente, que fazer muitas provisões para estarmos preparados.

Até que ponto os 2,5 mil milhões de euros de prejuízos em Espanha comprometem a estabilidade e a estratégia do Banco Popular em Portugal?
Em nada. O grupo Banco Popular está a desempenhar completamente a sua atividade, como nunca deixou de estar. O mercado em Espanha teve um grande crescimento durante muitos anos e os bancos tiveram de absorver no seu ativo muito desse investimento. Aquilo que foi feito foi resolver esse tema de uma vez. O próprio presidente do grupo Popular disse recentemente que há que direcionar para outros mercados, mais para o crescimento internacional. É preciso olhar em frente.

Em Espanha, o sector foi alvo de resgate. Em Portugal o mercado bancário é maduro e está em crise. Porque é que Portugal merece a aposta do Banco Popular?
Uma razão óbvia é a proximidade. Se falamos do mercado europeu, por maioria de razão podemos falar do mercado ibérico. As afinidades de natureza cultural, as parecenças entre as duas realidades económicas e sociais justifica que qualquer empresa, seja ibérica ou não, olhe para todo o espaço económico ibérico como um mercado de 60 milhões de habitantes. Há uma natural e óbvia tendência baseada na própria atividade económica que leva a que, com a crise espanhola, bancos como o Popular, o Santander, o BBVA e mesmo outros mais pequenos, vejam em Portugal uma extensão natural do seu mercado. O Banco Popular é uma banco muito tradicional, com um grande sentido de longo prazo, tem uma longuíssima experiência em Portugal. Mesmo antes de ter esta presença direta, está presente em Portugal desde os anos 60. O Banco Popular chegou a ser acionista do Banco da Agricultura, foi acionista do BCP na parte inicial, teve sempre uma ligação a Portugal, até que depois resolveu investir de forma mais direta com uma operação aqui em Portugal, tendo comprado o BNC, em final de 2003. Tem uma relação de longo prazo com este país.

O facto de o empresário português Américo Amorim ser um dos principais acionistas do Banco Popular espanhol protege a operação em Portugal nestes tempos conturbados?
Só há uma grupo de aspetos que protege de facto as operações, que são os dados, o desempenho e a capacidade de gestão.

Neste momento, algumas instituições estrangeiras, como por exemplo o Barclays, que conhece muito bem, estão a rever a sua estratégia para Portugal, a cortar no pessoal e nos balcões. O Banco Popular poderá seguir o mesmo caminho, ou a situação está estável?
O Banco Popular para Portugal só tem uma estratégia: crescer no mercado, ser um banco de referência, especialmente no que toca ao serviço às empresas, com uma grande vocação para as PME. Apesar do momento de crise e de toda esta situação, a estratégia do Banco Popular em Portugal não sofreu uma única vírgula: queremos ser uma operador estável, de referência, em Portugal.

Não vão fazer como o Barclays e cortar na rede de balcões e começar reduzir em pessoal?
Nós queremos crescer em Portugal. Estamos a fazer crédito, estamos a aumentar o número de clientes. Ajustaremos a rede, se a conjuntura o exigir, como, aliás, já o fizemos, já fechámos alguns balcões, mas isso não tem qualquer reflexo dentro do banco. O banco continua a crescer, continua a afirmar-se, e eu já gostaria de ser maior para ter uma maior influência junto das empresas e para chegar mais longe na economia portuguesa.

Os maiores bancos portugueses, com exceção do BES, tiveram que recorrer à ajuda do Estado para atingir os rácios de capital exigidos pela Agência Bancária Europeia (EBA). Tem havido alguma evolução na solidez dos balanços da banca nacional, por via dessa injeção de capital, mas a verdade é que o valor em bolsa dos bancos tem-se ressentido. O caso do BCP, por exemplo, é paradigmático. Os bancos nacionais estão particularmente vulneráveis nesta altura, a ofertas públicas de aquisição (OPA)?
As OPA têm a ver com um conjunto grande de fatores, que vai muito além do preço, esse é um fator importante, mas não é tudo. Todos nós sabemos, independentemente de estarmos a falar do sector bancário ou de qualquer outro sector, que a primeira condição para que uma empresa portuguesa seja apetitosa para qualquer tipo de investidor é a estabilidade do país, a situação e a dimensão do mercado. Não é só o facto de o preço ser aparentemente atrativo, que leva alguém, de repente, a lançar uma OPA, até porque estamos a falar de investimentos grandes. Em todos os países, os grandes bancos comerciais são normalmente bancos nacionais. Em Espanha, há muito bancos, mas os mais importantes são os bancos de matriz nacional, em França a mesma coisa. Pode aparecer um ou outro banco estrangeiro, mas há e vai haver sempre grandes bancos nacionais. Os grandes bancos portugueses são bons bancos. Estão a sofrer, de facto, um momento difícil, que tem a ver com toda a envolvência, mas são bons bancos. Se eles estão a criar apetite, ou estão a pegar outros investidores, depende muito da perceção que de fora existe em relação ao mercado português.

Como é que vê a hipótese de consolidação na banca nacional?
Acho que neste momento é um tema que não se discute muito. Podemos dizer que o mercado português é um mercado que tem bons bancos, podia haver menos um banco ou dois, é possível, mas nós já temos o mercado bancário bastante concentrado. Os cinco maiores bancos a operar em Portugal têm à volta dos 80% dos ativos bancários, já há um nível de concentração elevado. Por exemplo, em Espanha, existe um processo que está a levar a uma grande concentração, ou seja vai haver uma incrível redução do número de operadores no sector financeiro em Espanha. Portugal tem um panorama completamente diferente, portanto esta questão da consolidação não é, quanto a mim, uma questão atual, crítica, imediata. Acho que os bancos portugueses vão conseguir ultrapassar esta fase.

A banca foi tradicionalmente um sector lucrativo, 2011 foi um ano difícil, 2012 também. 2013 poderá ser o ano de viragem, em que se retorna ao habitual, que é os bancos apresentarem lucros volumosos?
Nós gostaríamos que o ano de 2013 fosse para todos o ano de viragem: para os bancos e para as pessoas. Mas tenho dúvidas quanto a fazer uma afirmação forte e categórica em relação a isso. Gostaria muito que este ano fôssemos capazes de introduzir elementos que nos abrissem horizontes ou expectativas mais positivas. Naturalmente, se isso acontecer na economia, os bancos refletirão isso, até porque, neste momento, basta ver que todos os bancos estão interessados em conceder crédito. Isso é muito importante porque o negócio dos bancos é esse. Mas estou muito otimista quanto ao futuro. Não posso é garantir que este ano será o ano da viragem. Aliás, temos aqui um dado que é o facto de a economia da Europa também estar um pouco trémula.

Trabalhou no BCP mais de 16 anos, durante a presidência de Jardim Gonçalves, e participou na constituição do maior grupo financeiro privado português. O que é que sente quando vê o banco a registar prejuízos superiores a mil milhões de euros e as ações a valerem poucos cêntimos?
Não me peçam – nem eu jamais o faria – para falar de outros bancos, pelo facto de ter participado no seu nascimento, na sua criação. Acho que o BCP foi um grande projeto, um projeto revolucionário no quadro do sistema financeiro português, sofreu muito ao longo destes últimos anos, acredito que esteja num rumo que o leve a sair dessa situação. O tema prejuízo não é um tema fundamental quando se olha para uma empresa, o prejuízo é o resultado de uma atividade num determinado período de tempo. É preciso saber porque foi ou porque não foi, e portanto só a questão do prejuízo não justifica tudo. A questão da banca é uma questão de estabilidade e de perspetiva de longo prazo. Não estávamos era habituados porque tinha havido uma longa sequência de anos em que não existiram grandes problemas com os bancos. Agora, o BCP vai continuar a ser um grande banco, tem excelentes profissionais, tem uma excelente rede comercial. Tenho a melhor das opiniões do dr. Nuno Amado.

Esta semana o governo admitiu finalmente que a recessão em 2013 vai ser o dobro da prevista no Orçamento do Estado e fala já num alargamento do prazo para cumprir as metas do programa de ajustamento. Acredita nesta nova previsão de quebra de 2% este ano ou ainda a considera otimista?
Eu sou contrário às visões catastróficas, sou muito realista e muito pragmático e acredito muito no poder da palavra; acredito que boa parte da economia é psicologia e expectativas e a primeira palavra que é necessário transmitir é uma palavra de que as coisas podem ser melhores. Nós podemos especular a propósito de tudo, podemos cair 1% ou 2%, teremos sempre uma panóplia de argumentos para provar isso.

Mas este governo não acerta uma previsão.
O governo não acerta uma previsão porque as suas previsões económicas em tempos de incerteza, são como tudo em termos de incerteza, são incertas. O exercício das previsões é sempre um exercício muito complexo, porque as variáveis que contribuem para isso são grandes e, neste momento, há uma grande pressão sobre o país. É certo que tem sido difícil acertar nas previsões mas, ainda assim, dou o benefício da dúvida: visto de uma forma global podem ver-se aspetos de natureza positiva. Nós em Portugal, nós cidadãos, não nos podemos alhear do facto de a economia portuguesa ter problemas estruturais muito profundos, e essa profundidade dos problemas é bem visível no facto de a economia já não crescer antes da crise. Por alguma coisa é. Hoje é fácil fazer o discurso de que agora é por causa destas medidas que não se cresce. Não há ninguém que não gostasse de ver o país a crescer. Eu, enquanto responsável por um banco, o melhor que posso ter é uma economia a crescer, que se consiga fazer crédito, que as empresas estejam bem. Não é racional admitir que alguém, por instintos de malvadez, não queira que a economia cresça. O que estamos a discutir é se o ajustamento pode ser feito em três ou cinco anos, esse é outro tema.

Mas agora até o próprio ministro das Finanças admite que precisamos de mais tempo.
Diz o senso comum que se tivermos mais tempo para fazer uma coisa, a probabilidade de a fazer é maior, mas isso não quer dizer que ela fique necessariamente mais bem feita. Eu acredito muito, como efeito de inspiração, na pressão de última hora. Gosto de falar, no momento que atravessamos, num perspetiva de um prazo mais alargado. A mim, o que me preocupa no país é que, terminado todo este período, terminada esta pressão sobre os cidadãos e esta dureza das medidas, muitas delas inevitáveis, que depois de tudo isto, possamos ter um país que não corrigiu as deficiências estruturais. Essa é que era a razão que devíamos discutir em profundidade, esse é que é o tema. Cada vez que colocamos propostas em cima da mesa, elas dependem em grande parte dos outros e não de nós, porque estamos sempre a falar de fazer coisas que implicam investimento, que implicam mais dinheiro, que implicam mais recursos, e esses recursos hoje são cedidos por outros dentro de um quadro de exceção. A discussão acaba por terminar sem conclusão porque podemos chegar a uma conclusão brilhante, mas que não depende de nós.

Um elogio recorrente é que Portugal está a recuperar a confiança externa, a confiança dos investidores no nosso país. O governo não está excessivamente concentrado na recuperação da confiança dos investidores no plano financeiro, e depois esquece-se que o que precisamos é de atrair investimento?
Não sei como é que as duas coisas se podem dissociar uma da outra. Chegámos onde chegámos, aliás, a intervenção externa foi solicitada exatamente por termos chegado a um ponto em que tínhamos dificuldade em financiar a economia. Tivemos de pedir ajuda porque não estávamos com capacidade para financiar a economia e essa questão continua em cima da mesa.

Estamos ou não numa espiral recessiva?
A espiral recessiva é um termo que se adapta a isto porque cada vez que se retira capacidade à procura interna isso pode gerar mais crise. Há aqui um jogo entre aquilo que é a procura interna e aquilo que é a confiança. O futuro do país são as empresas, a capacidade de o mercado funcionar de forma livre e de os cidadãos atuarem de forma livre e criarem empresas. Ao Estado compete basicamente remover obstáculos. Aquilo que se pede a um Estado ágil é que se removam os obstáculos que ainda hoje existem, porque somos um país complexo. E devíamos combater essa tal complexidade. Se conjuntamente com este processo de ajustamento duro, conseguirmos introduzir elementos, seja nesta discussão sobre o papel do Estado seja a discussão mirabolante do cortar ou não cortar. O que está em causa é que Estado vamos ter depois deste processo? E isso não se pode dissociar nunca da confiança dos agentes económicos externos e internos. Aquilo que mais precisamos é de investimento. Aquilo de que mais precisamos é de empresas que exportem porque somos um mercado pequeno.

As exportações representam uma das poucas hipóteses que Portugal tem para recuperar. A evolução recente tem sido menos positiva. Com a conjuntura internacional tremida e o consumo privado em níveis historicamente baixos, qual será a solução?
Se olharmos para outros países que passaram por situações parecidas levaram muitos anos, mesmo os processos de desalavancagem levaram cerca de dez anos – ou nunca terminaram, como é o caso do Japão, que está permanentemente a tentar fazê-lo. Por isso volto à questão da palavra e também de um discurso positivo. Uma coisa é discutir, e devemos discutir com muita profundidade, nomeadamente nos órgãos de comunicação social, o que é isso de refazer o Estado, o que é isso de refundar, porque é um tema sério, é um tema muito importante que o governo colocou em cima da mesa. Outra questão é apontar caminhos para a economia portuguesa, que deem sinais aos próprios investidores, sejam eles internos ou externos.

Os bancos em Portugal têm reforçado o capital e feito progressos na solidez dos balanços, mas com esta recessão mais aprofundada em 2013, que, diz o governo, será de 2% em vez de 1%, vai acentuar-se ainda mais a quebra do consumo privado e da capacidade de endividamento das famílias e das empresas. Não podemos estar perante um cenário em que o problema do crédito este ano acabe por ser mais do lado da procura do que da oferta?
Tem-se andado nesta discussão do financiamento da economia. Diz-se que os bancos não fazem crédito, mas é verdade que é um problema de falta de procura. Tem de haver uma lógica para investir, também é preciso criar essa tal confiança.

A verdade é que não há confiança dos agentes económicos na economia.
Não há confiança no meio de toda esta incerteza, com os indicadores económicos que existem. É muito importante o pequeno gesto da ida ao mercado, que muitas vezes passa para o cidadão de uma forma muito complexa, que não se percebe o que é, mas é um passo importante que Portugal seja olhado como um sítio que está a recuperar alguma estabilidade. É um pouco como a banca. Nós falamos desta situação dos mercados como se fosse uma coisa muito estranha, vinda de outro mundo, mas não, não vem de outro mundo. Estamos a falar exatamente daqueles que nos têm garantido o funcionamento da nossa economia. Portanto pequenos gestos desta natureza podem ser importantes. E eu reafirmo a questão do discurso. As palavras são muito importantes naquilo que se diz aos empresários, aos agentes económicos, a criação de uma cultura de estabilidade: mexe-se nos impostos, é para mexer para uma série de anos, mexe-se em qualquer coisa e é para ficar. O que é importante é que aproveitemos este momento para conseguir introduzir elementos novos. O que não podemos é criar a sensação, que muitas vezes parece deduzir-se de algumas intervenções de natureza política, de que isto vai acabar e de que vamos voltar a ser como éramos, de que vamos ter a vida que tínhamos antes. Vai ser muito difícil, é impossível que as coisas se repitam, que isto volte a ser exatamente como era, porque estamos no meio de um processo de grande transformação da economia. O modelo económico tem que se alterar, se queremos ser um país próspero, porque senão as razões que levaram a que a economia não crescesse antes da crise financeira voltam a manifestar-se.

E a alteração do modelo económico está a acontecer ou não?
Eu acho que está a acontecer, mais lentamente do que podia acontecer, mas está a acontecer.

Disse há pouco tempo que, se até o Sporting tem futuro, Portugal também tem de ter. Mas o Sporting vai agora a eleições. Para resolver os problemas que tem, o país terá de ir a eleições ou deve continuar com o mesmo governo até ao final da legislatura?
Reforço o meu total sportinguismo, a minha completa dedicação ao Sporting e a minha preocupação relativamente ao futuro. Ainda não tenho a minha opção de voto decidida, estou à espera que se clarifique o terreno eleitoral [no Sporting]. Certamente vou votar, tenho muito gosto. É daquelas coisas mais perenes na minha vida, o amor ao Sporting. Relativamente ao país, penso que as eleições não serviriam a ninguém. Sou um democrata, acredito na expressão da vontade das pessoas. Se isso fosse necessário, não me amedronta o facto de haver eleições, mas creio que, neste momento, não é desejável e creio que o governo deve criar as condições para que governe até ao fim da legislatura para não perdermos tempo neste processo já por si tão complexo. Só acontecimentos de natureza mais profunda do ponto de vista político é que justificariam esta tomada de posição – acho que ninguém está interessado nisso.

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One thought on “Rui Semedo: “Não podemos criar a sensação de que vamos ter a vida que tínhamos antes”

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