Palha da Silva: Amorim e Soares dos Santos “mantêm distância higiénica” da gestão

Entrevista - Luís Palha da Silva

Entrevista publicada em Dinheiro Vivo

Fotografia de Diana Quitela

É considerado um dos melhores gestores portugueses. Integrou o conselho de administração de grandes empresas, como a Cimpor e a Jerónimo Martins. Foi, aliás, presidente executivo da dona do Pingo Doce entre 2004 e 2010.

Atualmente é vice-presidente da Galp. Entrou na petrolífera pela mão do principal acionista, o empresário Américo Amorim. Apesar da vocação para gestor, não resistiu à política: foi secretário de Estado da Distribuição e Concorrência no último governo de Cavaco Silva e, mais recentemente, em 2011, diretor de campanha do atual Presidente da República, sucedendo a Miguel Relvas, que tinha ficado conhecido como o Mourinho de Cavaco.

Além de gestor de empresas também é economista, a mistura ideal para nos ajudar a perceber o que vivemos. Esta semana, a OCDE veio dizer-nos que, ao contrário do que o governo prevê, 2014 não vai ser o ano da retoma. Até o défice não mexe e ficará longe dos 4% combinados com a troika. Afinal, a política do governo falhou?
Se perguntarmos à generalidade dos portugueses que têm sofrido a política de austeridade, que apesar de tudo reconhecemos como necessária para o país, ficaremos com a ideia de que este período de tempo tem sido muito prolongado e os efeitos não estão totalmente dentro da linha que inicialmente se perspetivava, cerca de dois anos. No entanto, se ouvirmos as instituições internacionais que nos seguem, ficamos com a sensação de que Portugal, apesar de tudo, fez um caminho razoável. Lembro-me de ter visto o plano do Ministério das Finanças de estratégia para as contas públicas e o primeiro grande objetivo era restabelecer a credibilidade do país. Neste capítulo, acho que o governo não falhou, antes pelo contrário. Os resultados são visíveis: o nosso rating deixou de se degradar; o nosso custo de capital, e consequentemente o custo de capital das empresas, também se reduziu; reduziu-se a volatilidade, a ansiedade nos mercados. Estamos à porta de nos sentirmos à vontade para regressarmos sozinhos ao mercado. Nessa perspetiva, julgo que não há falhanço. Agora, calendário, isso é outra coisa. Quando refere a OCDE, de facto, aquilo que perpassa é a diferença entre os resultados alcançados e o que se pensava há algum tempo. Mas a OCDE diz muito claramente que Portugal tem uma margem de manobra muito limitada, tendo em conta que é uma economia aberta, que está muito dependente da evolução do exterior. Se a economia dos nossos principais parceiros não está bem, temos muito mais dificuldade em tomar a onda do crescimento. Por outro lado, também fica claro que o caminho que se pretendia seguir passava por reformas estruturais e estas são mais difíceis de gerir com resultados no curto prazo. E não se pode esperar que, com a economia em depressão, com as economias dos nossos parceiros em depressão, as reformas estruturais acelerem em vez de, como é normal, demorarem algum tempo.

A política do governo é a adequada, o calendário é que não?
Não, também não disse isso. Lembro–me de um documento, muito sólido, do Conselho para as Finanças Públicas, que diz que qualquer atraso na persecução destas reformas estruturais vai implicar sacrifícios muito superiores no futuro. Portanto, não deverá, de maneira nenhuma, ser posto em causa o caminho de reformas estruturais, nomeadamente o controlo da despesa pública. Aquilo que vamos ter de medir, neste momento, é se a credibilidade que já conseguimos conquistar se consegue coadunar com alguma flexibilidade dos nossos principais credores e parceiros. Acho que isso conseguimos. Aquilo que tem vindo a ser permitido a Portugal, de flexibilização dos prazos de acomodação de défices orçamentais, revela que, com credibilidade, há mais facilidade em obter essa adequação dos calendários.

Mas a economia não cresce, o défice também não é reduzido ao nível que Portugal se compromete, logo a dívida não encolhe. O que é que correu mal?
Estou habituado, em qualquer instituição – e o Estado na sua gestão não é diferente -, quando pretendemos apurar desvios ou responsabilidades, encontramos sempre algumas coisas que poderíamos ter feito melhor e algumas variáveis exógenas que explicam um bocadinho os limites em que poderíamos ter evoluído ou não. Entre as variáveis exógenas, já falámos na evolução negativa que têm tido as economias. Há dois anos, pensava-se numa economia um bocadinho mais positiva do que a que encontramos na Europa neste momento. Essa é uma variável exógena que se tem de levar em linha de conta para explicar alguns atrasos que, eventualmente, possa haver em relação aos planos iniciais. Uma segunda área, que não pode ser minimizada, é que o caminho das reformas estruturais foi sofrendo, aqui e ali, alguns percalços. O grande problema da economia portuguesa era um problema de despesa e durante algum tempo, talvez por falta de consenso político, fomos adiando o corte nas despesas. Embora esteja devidamente consciencializado na sociedade portuguesa que é através do corte das despesas e não do aumento das receitas que as coisas vão acontecer, estamos com um problema muito sério de escolhas e prioridades. Pode dizer-se que, durante estes dois anos, o caminho seguido não foi sempre direitinho no que é o problema da economia portuguesa, o excesso de despesa.

A dívida pública acima dos 130% do PIB assume dimensões gravíssimas. Poderemos estar mais próximos da Grécia, ou seja, de um haircut?
Não, os números não são diametralmente opostos às previsões do governo. Com uma forte disciplina orçamental será possível, com alguma demora, reduzir a dívida pública. Mas não se pense que é de imediato. Temos um sistema que continua a rolar e, portanto, durante algum tempo, a dívida tenderá a não baixar, ou mesmo crescer. Isso não deve ser encarado com um drama em si mesmo, se se insere num plano, se por detrás estão as reformas estruturais necessárias. Não entendo isso como um sinal de total alarme, de que vem aí outro grande problema, ou um haircut, mas como a flutuação de um programa que só tem resultados passados uns anos. O que nos aproxima do haircut é a falta de contenção, a falta de disciplina orçamental, isso é que vai fazer disparar a dívida pública para valores insustentáveis. Desde que estejamos a controlar as despesas, e julgo que há um esforço muito grande nesse sentido, quase todos os economistas acham que atrasar não vai ser a solução, vai ser provavelmente exigir mais sacrifícios às gerações futuras.

O Presidente da República tem razão quando insiste que é preciso pôr cobro à espiral recessiva e concentrar esforços no crescimento?
Acho que toda a gente pensa da mesma maneira. Mas como? Pois, esse é o tal caminho muito estreito que Portugal tem. A OCDE diz isso, que temos pouquíssima margem de manobra. Deixar subir o endividamento não é um caminho, é um dos lados do precipício.

Mas Cavaco Silva não sugere que se interrompa a austeridade?
Não me parece. O que o Presidente sempre tem dito é que estamos num caminho muito estreito, precisamos de continuar os esforços de disciplina orçamental e de reformas estruturais, mas, ao mesmo tempo, abrir espaço para as políticas de crescimento.

Mas Cavaco Silva fala da fadiga da austeridade.
Mas é isso mesmo. Ninguém duvida de que estamos num caminho estreitíssimo. Se resvalamos para uma política mais gastadora nas áreas económicas, vamos forçosamente, mesmo que façamos esforços de corte nas despesas, entrar numa espiral de subida da dívida pública. Isso não interessa ao país porque não é sustentável. Se continuamos com uma política de austeridade, se no exterior a economia não melhorar, se as reformas estruturais, como parece provável, demorarem a realizar… Temos de fazer escolhas muito bem feitas, para que os recursos disponíveis possam ser utilizados em função do crescimento. Este caminho é tão estreito que o Presidente tem chamado a atenção para a necessidade de consenso à volta desse caminho estreito, porque parte do emagrecimento desse caminho vem da falta de consenso político à volta das prioridades a definir nos cortes na despesa.

Mas a austeridade torna mais difícil o objetivo das contas públicas.
A austeridade mal encaminhada, sim. Sabe-se que a austeridade conduz, no curto prazo, a algum decrescimento. Mas a austeridade significa o emagrecimento dos custos do Estado, significa que as empresas e os cidadãos vão ter mais vontade de investir e de trabalhar e, no longo prazo, é bom que a austeridade funcione no sentido da disciplina orçamental. Agora, há aspetos de uma mecânica económica que são de curto prazo. Por exemplo, se estamos a gastar menos, a procura interna é menor; se lá fora as exportações não crescem, nós temos um efeito negativo no curto prazo. O que não significa que, apesar de todos os sacrifícios, no longo prazo não seja positivo.

Cavaco Silva tem sido criticado pela sua passividade e insistência na necessidade de consensos. O Presidente tem estado à altura?
Para já, quando ouço uma crítica sobre o Presidente, fico sempre a pensar que tudo o que ele faça, por alguma crítica ou por alguma opinião, será sempre encarado como negativo. Será sempre preso por ter cão e preso por não ter. Acho que ele tem gerido com enorme equilíbrio a prioridade que dá sempre ao interesse nacional, em detrimento das opiniões que possa ter em cada momento. Ele intervém quando considera ser do interesse nacional, julgo que não deixa de intervir, mesmo quando adivinha que haverá algumas críticas. Quanto à vontade de consenso, pela leitura que faço da Constituição, é exatamente aquilo que se espera de um Presidente, já que não tem poderes para governar ou para indicar caminhos a seguir, ou de disciplina orçamental. Dado que o caminho é estreito, se se sabe que diferenças grandes de opinião sobre as prioridades para a economia podem tornar o caminho ainda mais estreito, é obrigação dele tentar consensualizar. Não creio que isso seja, de maneira nalguma, uma passividade, antes pelo contrário, dentro das regras constitucionais, parece-me da maior proatividade.

Tem nas suas mãos um poderoso indicador, um barómetro do poder dos consumidores, que é o consumo de combustíveis. Na Brisa, por exemplo, no primeiro trimestre deste ano, as receitas das portagens começaram a cair menos, o que já não acontecia há três anos. O que lhe dizem os dados mais recentes e as estimativas dos gabinetes de estudo da Galp?
Ainda não estamos a notar aquilo que pode ser visto na Brisa, ou seja, tem havido um decréscimo grande no consumo de combustíveis. Se a taxa de crescimento foi menos negativa do que em trimestres anteriores, talvez tenha sido, mas há outros efeitos a considerar. O efeito Páscoa, por exemplo, pode ter alguma influência nos números de um trimestre. Agora, se me pergunta como vejo o futuro…

Ao contrário do que diz a OCDE, em 2013 ou em 2014 já se poderá sentir inversão da tendência?
A OCDE não sente isso, mas tenho visto outros analistas dizer que a partir do segundo semestre talvez comecemos a ver a luz ao fundo do túnel. Alguns indicadores avançados, que não o consumo de energia, parecem indicar que talvez se entre num período de estabilidade que, espera-se, antecipe uma pequenina retoma. Será otimismo? Não podemos prever. Há uns anos julgávamos que, em 2013, já haveria alguma retoma no consumo de combustíveis e isso não aconteceu. As empresas devem fazer o que a Galp faz, estar preparadas para ciclos mais longos de menos consumo.

Vem do sector da distribuição, onde tudo se vende, mesmo nos piores momentos. Com a crise, a venda de gasolina e gasóleo ressentiu-se bastante. O que é que a Galp pode fazer para potenciar as vendas?
Os bens mais essenciais têm uma menor flutuação em função do crescimento da economia e os produtos energéticos têm uma forte sensibilidade à variação da economia. Em primeiro lugar, porque uma parte importante do consumo de combustíveis é realizada pelas empresas. Se as empresas estão a trabalhar menos, obviamente há menos quilómetros percorridos e há menos combustíveis gastos. Depois, embora Portugal não seja exatamente um país subdesenvolvido, o público em geral não considera que o gasto individual em combustíveis de transporte seja absolutamente imprescindível e, portanto, resiste a consumir. O que fazemos é jogar em todas as nossa variáveis comerciais. Temos um serviço que consideramos exemplar nas estações de serviço, uma linha de produtos completa, lojas de conveniência nas bombas, tentamos jogar com todos estes elementos para encontrar segmentos de mercado menos sensíveis à crise.

Os descontos negociados com o Continente da Sonae já são o último suspiro?
Sempre tivemos uma política de adequar os preços não apenas ao sentimento do consumidor, que hoje está muito atento ao preço, mas também à estrutura de custos. Para ter sucesso num negócio em que se desce volume temos de reduzir os custos. À medida que conseguimos reduzir custos, também fazemos um esforço maior para passar parte dessa maior eficiência para os consumidores. Com o Continente temos uma política de grande visibilidade, acabamos por cobrir uma parte muito grande da população, daí que tenhamos investido bastante nesta colaboração, tem sido uma das maneiras de evitar maiores quedas de volumes.

Não deixa de ser curioso ter negociado uma parceria com o Continente da Sonae e não com a Jerónimo Martins e o Pingo Doce, onde trabalhou durante tantos anos.
São coincidências. Mas a colaboração da Galp com o Continente já vem de há tantos anos que não posso ser acusado de traição à minha antiga casa.

Ponderam vir a negociar outras parcerias para conseguirem mais descontos nos preços?
Julgo que há um equívoco na cabeça de muitas pessoas. Em Portugal, apenas uma parte pouco relevante, muito menos de metade das pessoas, não acede a vendas de produtos de combustíveis sem descontos. Há milhares de cartões espalhados por todo o país, na carteira de qualquer pessoa. Apenas uma pequena percentagem dos consumos de combustíveis do país é vendido ao preço tabelado e que se vê nas autoestradas. As companhias de distribuição em Portugal não estão a passar por bons momentos de rentabilidade financeira. Tentar demonstrar que, além dos descontos que já fazem, ainda é preciso fazerem muito mais, pode ajudar na perspetiva de que vem aí mais poupança para as famílias e para as empresas, mas creio que não é um caminho sustentável porque, neste momento, a rentabilidade das empresas é baixa.

Trabalha numa empresa de um sector que é olhado de lado pelos consumidores, acusado de cartel, de falta de concorrência e de transparência nos preços. O governo ao impor às gasolineiras privadas uma quota de mangueiras de combustíveis low cost não está implicitamente a concordar com essa leitura?
Não tenho ideia de qual será o último projeto ou decreto-lei. O sector petrolífero, quer a nível europeu quer a nível nacional, é talvez um dos mais escrutinados por todas as agências de vigilância de preços. A Autoridade da Concorrência tem a incumbência de realizar relatórios trimestrais de de-senvolvimento da competitividade e concorrência no sector dos combustíveis, e tem sido muito clara, tem feito análises profundas e não tem encontrado motivos para que se pense na existência de um cartel. Que um qualquer comentador, um qualquer jornalista venha dizer que passa numa autoestrada e vê os preços todos iguais e diga que há cartel é uma conclusão tão precipitada como injusta. Uma coisa é as empresas juntarem–se para definir um preço, outra coisa é alguém seguir um preço internacional, e os outros, com mais ou menos décalage, subirem ou descerem os seus preços, em função do que faz o líder de preço. Isso não é cartel, isso é o mesmo que dizer que 30 mil donos de snack-bars se juntaram para definir o preço da bica em 50 cêntimos e que, por isso, há um cartel. Não tem o mínimo sentido, portanto, quero crer que o governo, nas suas boas intenções de aumentar a competitividade na economia de produtos energéticos mais baratos, irá pensar numa lei adequada.

Mas o governo, ao intervir e “obrigar” empresas privadas a praticarem preços mais baixos, não está a passar uma imagem ao mercado de que de facto as empresas praticam preços altos?
Essa leitura é possível, mas não tenho a certeza que seja essa a intenção. Pode ser essa a leitura, mas não me parece que o governo tenha passado por cima da leitura daquilo que diz a Autoridade da Concorrência sobre o sector. Portanto, julgo que reconhece que todas as empresas, de uma maneira ou de outra, fazem os seus esforços de preços, que, infelizmente, dados os custos que existem na atividade, é organicamente impossível reduzir mais os preços, pelo menos neste momento. Claro que todas as empresas têm de fazer um esforço para aumentar a sua eficiência, para reduzir os seus custos e para transpor uma parte desses benefícios para o consumidor.

Chegou à Galp pelas mãos de Américo Amorim. É um dos homens mais ricos do país e um importante empresário conhecido pela sua discrição. Como é trabalhar com ele, enquanto chairman da empresa?
O sr. Américo Amorim tem um segredo que é, não estando presente todos os dias, faz-nos saber que segue muito atentamente todos os negócios. Portanto, se me pergunta se estou todos os dias com o sr. Américo Amorim, não, não estou. Julgo que o vejo, normalmente, duas ou três vezes por mês, uma vez por semana nos melhores momentos, mas percebo sempre que estou com ele que lê atentamente tudo o que existe na empresa, todos o problemas por que passamos, e que existe uma enorme solidariedade dele em relação à equipa de gestão. Deixa uma grande liberdade para trabalharmos e não anda ali permanentemente, embora tenha toda a legitimidade para isso porque tem um investimento enorme na Galp, mas não tem essa intervenção no dia a dia. Como chairman, é isso exatamente que se espera, uma vigilância atenta ao trabalho de-senvolvido pelo conselho de administração e pela comissão executiva, na qual ele tem manifestado toda a confiança. Consideramos como uma forte motivação que ele mantenha essa atenção muito grande, sem estar presente. Portanto, julgo que executa com perfeição o trabalho de chairman.

Na Jerónimo Martins, teve como chairman outro grande empresário, Alexandre Soares dos Santos. Já terá pensado seguramente nas diferenças entre os dois.
As pessoas são todas diferentes. Talvez preferisse partilhar aquilo que vejo como semelhanças e depois ver se me consigo lembrar de diferenças. Primeiro, são pessoas da mesma idade, nascidos no mesmo ano, e que têm em relação a uma pessoa ligeiramente mais nova do que eles, como eu, a distância típica da idade. Têm a mesma maneira de olhar, confiança, motivação, sempre a tentar gerir ao mesmo tempo o bem-estar da empresa e das pessoas que trabalham com eles, e com essa distância semelhante da idade, que lhes permite sentirem–se num patamar superior, que eu reconheço pela experiência, pelos conhecimentos. Mas, ao mesmo tempo, têm uma atitude, diria que quase paternal. Eles não têm de ter qualquer obrigação de se sentir paternais em relação aos seus gestores, mas a verdade é que essa distância é igual e as suas idades também, e há uma atitude mais ou menos semelhante na atenção que dão aos seus gestores. Depois, acho que são ambos ótimos chairmen: são pessoas que interferem sem interferir, interferem sobretudo questionando, que acho que é a melhor maneira de um gestor poder ter as suas convicções mais profundas; é ter quem nos questiona no momento certo e quem nos força a ter todas as justificações para as decisões que tomamos. E ambos mantêm uma distancia higiénica das decisões do dia a dia, mas com uma atenção enorme sobre o negócio. Depois, têm ambos uma atitude interessante, que é a de serem investidores audazes. A grande diferença entre os investidores audazes e os menos audazes é talvez a apetência para o risco. Quando estou numa empresa e alguém me diz, de uma forma muito clara, “eu prefiro essa decisão e, por isso, temos de sacrificar a outra”, sei que é uma pessoa que gosta do risco, porque vai para aquela atividade e sacrifica outra que também poderia dar, eventualmente, bons resultados. Vejo nos dois essa mesma apetência pelo risco, isso é interessante.

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