Portas não risca nada

Opinião

Artigo publicado no Dinheiro Vivo

Paulo Portas, líder do CDS-PP, quis entusiasmar o seu país e prometeu defender no Governo, do qual faz parte, a descida do IRS ainda nesta legislatura, ou seja até 2015.

“No plano fiscal, a maioria deve estabelecer um calendário e objetivos firmes, para, após a reforma do IRC, iniciar, ainda nesta legislatura, o desagravamento fiscal em sede de IRS”, disse Portas esta semana na apresentação da moção que formaliza a sua recandidatura à liderança do partido.

Ninguém se queixou, como é óbvio. Uma redução do IRS traduzir-se-ia em mais dinheiro na carteira das pessoas e isso seria meio caminho andado para a economia despertar deste sono maldito (o consumo juntar-se-ia às exportações para fazer subir o PIB).

Neste caso, até trabalhadores e patrões estão do mesmo lado. As empresas querem é que os consumidores aumentem o seu rendimento disponível e o consumam, gastem, pois assim, conseguem aumentar as suas vendas, quem sabe até conseguem investir e empregar mais pessoas. Nem na oposição, houve críticas, ninguém questiona as vantagens, neste momento, de um alívio da carga fiscal, a começar pela queda do imposto sobre o rendimento.

Acontece que Paulo Portas sabe muito bem que entre o querer, o dever e o poder vai uma enorme distância. Como o próprio dizia no texto da mesma moção: “É condição para esse desagravamento o equilíbrio com a disciplina orçamental e daí decorre a necessidade de redução da despesa ser consistente”.

Portas sabe muito bem que, dificilmente o Governo conseguirá recuar na política de austeridade e que, perante as metas orçamentais previstas a margem para cortes nos impostos é muito curta. Uma eventual flexibilização por parte da troika servirá apenas para atenuar os efeitos da recessão e para facilitar os cortes na despesa que, na opinião de alguns, não são exequíveis no calendário acertado.

Por isso, Paulo Portas falou mas o país ficou na mesma, ninguém se entusiasmou porque, simplesmente ninguém o levou a sério. Foi Portas, recandidato a líder do CDS-PP quem defendeu a descida do IRS, mas se tivesse sido Portas, o ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros teria sido igual. Quem decide se o IRS vai ou não baixar esta legislatura será Vítor Gaspar e a opinião de Paulo Portas contará pouco ou nada para este campeonato.

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