Até que a morte nos separe

Este texto foi escrito para a inauguração de um blog novinho em folha, do querido Paulo Farinha, que me deixou muito contente quando me convidou para lá escrever. Agora, não há volta a dar, aqui estou eu, na primeira pessoa, sobre mim, num registo muito pessoal. Espero (tenho a certeza) que gostem da Farmácia de Serviço. E eu vou casar ❤

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Há os que esperam pelos 40 para surfar, andar de patins em linha, fazer maratonas ou saltar de pára-quedas, eu esperei pela ternura da idade para fazer tudo isso e ainda para casar. Vou casar pela primeira e última vez, e entre conhecê-lo e decidirmos casar não chegou a um mês. Na verdade, fiz uma revolução na minha vida, movida apenas pela intuição – a minha é poderosa! – de que é amor.

Em tão pouco tempo, desmontei a minha vida toda, a de mãe, filha e gata num apartamento com espaço para escritório e vista de rio. Em menos de um mês, decisões sobre coisas tão prosaicas como o que fazer depois de me levantar ao sábado de manhã, ou que marca de iogurtes comprar passaram a ser partilhadas, o escritório com a minha secretária estrategicamente posicionada para apanhar a tal vista foi transformado em quarto – a minha filha ganhou um irmão – e a gata Pimenta foi carinhosamente despejada para o vão da nossa escada.

Logo eu, que passei anos a fio a disputar o meu lugar, e a ganhá-lo, em todo o lado, até em casa, abro agora as portas do meu coração, sem guarda nenhuma, a um estranho, que, pensando bem, nem sei se saberá nadar. Hoje, a verdade é que não disputo grande coisa, em lado nenhum. Para já, garanti o cargo de mulher mais feliz do mundo e o melhor spot no sofá lá de casa.

Se alguma vez me dissessem que, um dia, iria querer casar de papel passado, usar aliança com o seu nome gravado, (tremo só de pensar que a posso perder), que iria querer ter os amigos à nossa volta, usar um vestido especial, que iria pensar sem parar nos meus votos de casamento, ou que admitiria (muito remotamente) as fraldas e os biberões na minha rotina de mulher madura, entre outras coisas que é melhor nem falar, eu juro que desataria à gargalhada.

Dias antes de conhecer o meu futuro marido, dizia à boca cheia que depois destes anos todos, das minhas relações, uma delas verdadeiramente longa, não queria voltar a viver com mais nenhum homem: “Cada um em sua casa. Já tenho os meus dias todos montados com a miúda, era o que faltava ter que voltar a debater com outra pessoa o destino das próximas férias”.

À minha personalidade, que tinha tanto de adorável como de insuportável e que faz de mim uma mulher de um magnetismo impressionante, acrescia um outro problema. Eu não pareço a idade que tenho e só gosto de homens com tatuagens. E convenhamos, homens da minha idade e tatuados não existem para aí aos pontapés. Não, não vou casar com um menor de idade, mas também neste caso, engoli o que fiz durante meia vida e preparo-me para casar com um homem mais novo.

E é mais ou menos isto, venho aqui dizer que me preparo para fazer tudo o que disse que nunca faria, a começar pelo casamento, que estou muito feliz, e que grande parte do mérito disto tudo é, justiça seja feita, do noivo, porque é fácil de ver que não é qualquer um o homem capaz de ficar ao meu lado, até que a morte nos separe. ❤

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