Muitas desculpas

SL Benfica v Vitoria SC - Liga Portugal
Artigo publicado em Dinheiro Vivo

“Cardozo pede desculpas mas ainda ninguém o viu”. Título interessante este para a notícia sobre o regresso do avançado do Benfica aos treinos, 73 dias depois de, em pleno relvado do Estádio Nacional, na final da Taça de Portugal, ter empurrado Jorge Jesus e ter culpado André Almeida pela derrota frente ao Vitória de Guimarães.

Os problemas entre jogador e treinador não ficarão resolvidos com este pedido de desculpas tardio e indireto – o nome de Jesus nunca foi referido -, mas as desculpas ficaram dadas. É sabido que estas não se pedem, evitam-se, mas errar é humano e depois do mal feito, blá, blá, blá, por isso venham elas.

Cardozo fez aquilo que os líderes (e não só) recusam fazer, no futebol, como na política. Pessoalmente incómodos, os pedidos de desculpas são muitas vezes entendidos como uma confissão de culpa, pelo que é frequente a recusa em torná-los públicos. Hoje, raramente erram, raramente se enganam, raramente se arrependem, logo, nunca pedem desculpas.

Aquilo que ensinamos aos nossos filhos, desde pequenos, um ponto importante na educação de todos, parece ser cada vez mais entendido como uma estratégia de alto risco, mas a verdade é que pode ser ainda mais arriscado uma declaração de inocência quando tudo aponta para o contrário.

A ministra das Finanças é um exemplo claro e recente de “como um pedido de desculpas pode ser que não piorasse”. Maria Luís Albuquerque, envolvida numa série de omissões no caso dos swaps, o que contamina a sua credibilidade, tentou segurar Joaquim Pais Jorge na secretaria de Estado do Tesouro até ao fim. Preferiu teimar e defender a sua escolha, fazê-lo contra todas as evidências de que Pais Jorge terá tentado vender swaps ao anterior governo para tentar maquilhar as contas públicas.

A ministra das Finanças tomou uma má decisão, não assumiu a sua responsabilidade, fez o que a maioria faz, que é instintivamente negar a sua culpa, pior, por teimosia e orgulho, defendeu a sua escolha, e agora, ainda sugere, ela e o seu secretário de Estado, que são ambos vítimas de não se sabe muito bem quem. Bem, a verdade é que, como diria Vinicius, quem não pede perdão, não é nunca perdoado.

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