Ardozia: Renda-se e dê o tablet ao seu filho, mas sem sentimentos de culpa

Humberto Neves fundador da Ardózia Portugal

Texto publicado no Dinheiro Vivo
Fotografia de Diana Quintela

Pode ser o princípio do fim da guerra lá em casa. Pode render-se e decidir entregar o seu tablet ao seu filho. No final, é um faz de conta que “eu perdi e tu ganhaste”, porque a ideia da Ardozia, empresa portuguesa que desenvolve conteúdos digitais interativos para crianças, é que seja você a controlar tudo.

“O tablet é o espelho do que o que os pais querem e gostam para os seus filhos. Também pode ser um livro. E a criança vai achar que o iPad é tão natural quanto um livro. Quanto mais restringirmos, pior. Assim, oferecendo, um dia pega no iPad, outro dia pega num livro, outro dia, num Lego”, defende Humberto Neves, o engenheiro informático e fundador da Ardozia.

A sua história começa a ser, felizmente, cada vez mais comum. Quando se viu desempregado, em plena crise, fez-se à vida e lançou o seu próprio negócio. Depois de dois outros projetos falhados, nasce a Ardozia, no início de 2012. “Senti falta de conteúdo digital de qualidade para crianças. As lojas estão cheias de aplicações com pouca qualidade e é difícil encontrar coisas interessantes”, adianta Humberto Neves.

O seu filho, de quatro anos, acaba por ser, muitas vezes, a sua cobaia. Primeiro, da Familae, uma aplicação gratuita, que permite às crianças mais pequenas associar os seus familiares aos nomes. “É muito gratificante, depois, ver uma criança de três anos conseguir reconhecer o nome do seu avô escrito em qualquer outro sítio. Aprender a brincar”, explica. Além da Familae, a Ardozia lançou já um livro interativo, o Livro Ouriço, e o Mini Maestro, uma aplicação que explora e mistura os instrumentos em cada música. Um concerto musical onde a criança é, afinal, o maestro. Neste caso, o download (que pode ser feito em http://www.ardozia.com) de cada app custa 1,79 euros e o livro, que foi escrito por uma portuguesa e ilustrado por uma italiana, está disponível, não só em português, mas também em inglês, castelhano e mandarim. Para o Natal, o Mini Maestro chegará com uma versão com músicas da época.

Neste momento, as aplicações da Ardozia já andam espalhadas pelas mãos de crianças de todo o mundo, na China também. Além de Portugal, Estados Unidos, Brasil e Suécia são os principais mercados da empresa portuguesa.

Humberto Neves mantém já conversas com algumas editoras de livros infantis, como a Kalandraka, a Planeta Tangerina e a Bruaá. “A ideia é a Ardozia tornar-se no parceiro para o canal digital. Elas têm a máquina criativa oleada e nós temos a edição digital, já conhecemos este mundo. Queremos levá-los para mais um canal, que está em crescimento, ao contrário do papel, que está estagnado”, adiantou.

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