Matemática pura

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Hoje, sou a farmacêutica de serviço n’A Farmácia de Serviço, um dos blogs mais fixes ❤

Meti Nouvelle Vague para escrever este texto, um texto que não é bonito e que só é possível ser escrito alguns tempos depois de tudo começar, depois de sossegar o medo.

Há alguns meses, senti, pela primeira vez, um medo feio, mas verdadeiro, de envelhecer. Não foi quando fiz 30 anos, nem 40, foi quando percebi que me preparava para casar com um homem mais novo do que eu — 4.740 dias, mais precisamente.

Quando soube, já era tarde demais, mas pouco importa, porque, mesmo que tivesse sabido com toda a antecedência, nada seria diferente. Mas não me saía da cabeça uma conta simples: quando ele tiver 45 anos, eu já estarei a caminho dos 60 anos. E mais tarde, um dia, eu morrerei, provavelmente, mais cedo.

Todos nós já vimos, nem que seja nos filmes, histórias destas, e já todos ouvimos aquele blá blá blá do “amor não escolhe idades”, mas, garanto-vos que, quando é connosco, a coisa é um pouco mais aborrecida.

Não era o que os outros poderiam pensar que me chateava, porque, felizmente, sempre me borrifei para muitas convenções; também não era por insegurança, porque não é difícil perceber porque é que o meu marido se apaixonou por mim ;). Era só por causa destas malditas contas à vida.

Cheguei a chorar, nos momentos mais incríveis, com medo que a felicidade, um dia, acabasse. Um dia, achei que era mais justo (ganhei coragem) e contei-lhe. Não sei bem porquê, porque já antecipava a reação. Há lá maneira mais cor-de-rosa de ver o mundo do que a dos apaixonados?!

Foi a minha sogra, sem saber, que sossegou o meu medo. Com a sua naturalidade, quando nos disse que o que mais importava era que estivessemos felizes, e com a história da sua própria vida. A Laura — sim, eu trato por tu a minha sogra — ficou viúva, com dois filhos, aos 30 anos. Um cancro raro e fatal roubou-lhe a felicidade, em poucos meses.

Por aqui, e porque a idade traz outras coisas, continua a viver-se um grande amor, daqueles “para sempre”, ainda que com irritações pontuais à conta das primeiras rugas, que começam a misturar-se com a minha felicidade.

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