A lavar cabelos com murumuru e moringa

Leiria - Roberto Cané, administrador da Supernova fábrica de Cosmética

Texto publicado no Dinheiro Vivo
Fotografia de Henriques da Cunha/Global Imagens

Brasileiro de origem francesa e italiana, deixou o Recife há 24 anos para um contrato de seis meses com a multinacional norte-americana de rações para animais Ralston Purina, então presente em Portugal, mas o trabalho trocou-lhe as voltas e o veterinário não voltou mais para o Brasil. Hoje, Roberto Cané produz champôs e outros produtos para o cabelo na sua fábrica de Leiria. Os primeiros frascos saíram para as lojas em abril deste ano.

Investiu quase cinco milhões de euros no negócio, que começou por ser apenas de importação e exportação de marcas brasileiras. “Aceitei o desafio do meu amigo e, em 1997, criei a Belanatur, que tinha como atividade a representação e comercialização de cosméticos originários do Brasil, mas rapidamente percebi que seguir as regras europeias dificultava ou inviabilizava do ponto de vista técnico a introdução de produtos brasileiros na Europa. Daí surgiu o clique de começar a produzir”, explicou Roberto Cané em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Comprou os terrenos, construiu a fábrica e já lançou três marcas – a Strattis, de uso diário, a Capillus, virada para o segmento profissional, e a Vita Black, dedicada ao segmento africano. “A partir de janeiro já contaremos com mais de 200 referências no mercado. Neste momento temos 160. Em 2014 vamos lançar maquilhagem para o mercado afro, onde existem muitas carências, uma linha de produtos corporais e outra de produtos infantis e ainda uma nova marca de produtos capilares – a Rewelle -, que estará à venda nos supermercados durante o primeiro trimestre de 2014”, explicou o empresário luso-brasileiro, que aguarda para muito breve o nascimento do seu quinto filho. A faturação prevista para este ano é de 2,5 milhões de euros, sendo que 25% a 30% já resultarão de produção própria. O restante é proveniente da atividade de import-export, já que a empresa portuguesa mantém a sua ligação a uma série de marcas brasileiras, entre as quais a Skalla e a Gota Dourada. Os vernizes Risqué também fazem parte da lista de produtos representados e importados por Roberto Cané, mas o contrato está neste momento a ser renegociado com os novos donos da marca brasileira. A meta é, porém, que ao longo do próximo ano metade da faturação resulte da venda das marcas próprias.

A Supernova, o novo nome da sua empresa, atingiu o auge há três anos, antes da crise, com uma faturação de cinco milhões de euros, mas “o nosso negócio sofre muito com a conjuntura do mercado interno”, explicou Cané. Pela primeira vez, em 16 anos, a empresa terá prejuízos em 2013 “por causa da crise e porque, nesta fase de investimentos, só sai dinheiro”. No ano passado, a empresa ainda teve lucros – 300 mil euros -, contra mais de um milhão nos anos anteriores, mas as previsões apontam para que este ano feche com um prejuízo de aproximadamente meio milhão de euros. “O nosso mercado quebrou 50%, mas a ideia é que em 2014, apesar de ainda ser um ano de forte investimento, regressemos aos resultados positivos”, frisou.

É que exportar não é só carregar num botão. A Supernova já exporta 20% e a intenção é aumentar essa quota: “Já temos uma boa carteira de clientes em Espanha, França, Luxemburgo, Inglaterra e em alguns países africanos, mas o nosso plano é explorar mais a Europa, alguns países do norte de África e o mercado árabe. Esses países estão cheios de dinheiro. As mulheres usam o véu mas continuam a cuidar-se. Em 2015 estaremos no Dubai, numa feira anual de referência mundial”, adiantou Roberto Cané.

Os produtos da Supernova apostam nas propriedades de novas matérias-primas, como o murumuru, uma amêndoa da Amazónia, e a moringa, uma planta da Índia, mas também pelos aromas e pela preferência por produtos naturais. Os champôs, por exemplo, não têm sal nem parabenos, espessantes mais baratos.

A grande dificuldade da Supernova é o endividamento, ainda que, até ao momento, tenha sempre cumprido escrupulosamente as suas obrigações com os bancos e com o Estado. Conforme explicou Roberto Cané, a empresa também sucumbiu ao crédito fácil. Atualmente, as dívidas totalizam cerca de dois milhões de euros, a curto e médio prazo, mas a intenção é amortizar tudo até ao final de 2015. “Preferia não ter esse endividamento. Não é fácil suportar os nossos investimentos, cada dia é uma batalha”, admitiu o empresário. A empresa conta com 37 trabalhadores mas a ideia é chegar aos 60.

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