A esquerda louca

Opinião

Texto publicado no Dinheiro Vivo

A crise poderia ser uma oportunidade para a esquerda. Podia, mas não é. E, neste caso, a culpa não é do Governo, nem de Passos Coelho e Paulo Portas, a responsabilidade é, claramente, dos partidos da oposição. Aliás, se há facto ao qual o primeiro-ministro é completamente alheio é o de ainda estar no cargo. Não tem oposição de jeito, a começar, claro, pelo principal partido, o PS, e o seu líder, António José Seguro.

Ora, perante esta tamanha oportunidade, os partidos de esquerda – é de esquerda que se vai falar – continuam a viver como loucos, desligados da realidade. Não mudam o discurso, que bate cada vez menos certo com o mundo de hoje, e como se isso já não fosse suficientemente mau, perdem-se em coisas menores de uma existência cada vez mais pequena.

O último episódio de insanidade é protagonizado pelo Bloco, ao recusar uma convergência com o novo LIVRE, de Rui Tavares, e o Manifesto 3D. Tudo porque prefere manter uma candidatura própria às eleições europeias de 25 de maio a aliar-se ao eurodeputado Rui Tavares, que, em 2011, abandonou o Bloco para integrar a lista dos Verdes europeus.

O Bloco, melhor, a atual liderança do Bloco não digeriu a saída de Rui Tavares das suas listas e, assim, inviabiliza uma oportunidade de unir esforços à esquerda. Será que o Bloco, melhor, a sua liderança, não entendeu que os seus tempos já lá vão, que o seu charme foi-se, que já nem consegue seduzir as novas gerações, e que o permanente equilíbrio de tendências está a precipitar a sua desagregação?

A apresentação de uma candidatura conjunta às Europeias de maio está longe de representar a salvação do Bloco, muito menos da esquerda nacional, que é mais do que o Bloco, o LIVRE e o 3D juntos, mas o seu fracasso reduz o partido à sua realidade, cada vez mais miserável. O Bloco arrisca mesmo a irrelevância na discussão pública das causas e dos temas fraturantes, um espaço no qual tem vindo a perder protagonismo.

O Bloco, que chegou a ser uma lufada de ar fresco, assemelha-se, cada vez mais, aos restantes partidos, está cada vez mais fechado, oportunista e refém dos interesses dos líderes e dos seus pajens. Qual é a ideia?! Eleger uns – poucos e cada vez menos – deputados?! Ah, se é isso, então está tudo bem.

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