Estou mais zangada com os portugueses do que com Tordo

Opinião

Texto publicado no Dinheiro Vivo

Quando achava que a polémica à volta da emigração para o Brasil de Fernando Tordo e da sua curta reforma já estava prestes a morrer, como acontece em Portugal com todas as polémicas que não nos levam a lado nenhum – este é um caso típico – o desabafo do vocalista dos Moonspell no seu blog, ou melhor a utilização que tem sido feita do seu texto, leva-me a querer escrever sobre o tema.

Porque, tal como Fernando Ribeiro, também eu estou zangada com os portugueses. Aliás, estou mais zangada com os portugueses do que com Fernando Tordo. O que se assistiu ao longo destes dias foi uma inútil troca de acusações, que, como já vem sendo hábito, nos afastaram do essencial.

De um lado, os que embirram com o músico, provavelmente porque, conforme lembra o vocalista dos Moonspell, Fernando Tordo tocou para partidos e assumiu publicamente, após o 25 de abril, a sua militância no PCP. Acusaram o músico português de uma tentativa de vitimização, de contratos milionários e de uma vida despreocupada e de regabofe, que agora, claro, se reflete numa reforma de miséria e numa inevitável ida para o Brasil para tentar manter uma vida de jeito.

Estes aproveitam ainda para a prática de uma moda relativamente recente, que consiste na exibição de um pensamento pseudo-alternativo de defesa dos poderes públicos. Por oposição aos que cascam a torto e a direito no Governo, reagem discriminado negativamente os cidadãos, atribuindo a estes a responsabilidade e culpa por tudo o que lhes acontece nesta vida.

Se Fernando Tordo não tem uma reforma digna é porque, obviamente, não fez os devidos descontos para a Segurança Social. Assim, sem mais nem menos. Estamos cada vez mais ideológicos, como é bom de ver.

Do outro lado desta discussão estão os que atacam o governo, mesmo que não saibam muito bem porquê, os que atacam os que criticam Tordo, fazendo do músico uma bandeira da esquerda contra as políticas liberais de Passos Coelho.

Tristes lados, que se entretêm assim, esquecendo-se do que importa e que não se resolve com a defesa do indefensável, nem com a persistente desconfiança em relação ao vizinho do lado.

Nem este governo é o direto responsável pelo valor da pensão de Fernando Tordo, nem tão pouco da sua decisão de abandonar o país. Nem os cidadãos podem exigir direitos, esquecendo as suas obrigações, como a de pagar impostos. Posto este pressuposto base, chegamos à real situação de quem é quase velho ou velho neste país. De quem é quase velho e ainda para mais foi, enquanto novo, artista e escolheu uma profissão precária. Neste país cheio de Mirós é sempre surpreendente o valor que se atribui à arte.

Mas esqueçamos então os artistas, que tanta alergia têm causado. Basta ter pais ou avós para perceber que o fim da vida, neste país, é tudo menos uma razão de debate, é, aliás, penosamente consensual.

E lamento, mas o que este governo fez até agora pelos que tentam escapar ao destino de Fernando Tordo foi exatamente o mesmo, senão pior, que fizeram todos os governos que têm governado o país. Valerá a pena falar dos cortes previstos no Orçamento do Estado Retificativo, que entrará em vigor brevemente, para quem tenha uma reforma superior a mil euros?! Ah, desculpem, mas como alguém disse: “A vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor”.

Pronto, e agora proponho que deixemos Fernando Tordo em paz e que nos concentremos no mais importante. No meu caso, desculpem-me o egoísmo, trata-se da miserável reforma dos meus.

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Hábitos ao almoço

WWII Post War Japan

Aqui no jornal existe uma zona, ou melhor, duas salas cheias de micro ondas com TV aos berros, para as pessoas almoçarem, mas eu sempre preferi fazê-lo na minha secretária. Primeiro, por exigências de um site que não para, depois porque passou a ser mais agradável a tranquilidade do meu momento com a minha lancheira.

Considerando que sou dos que amam tudo spicy e que caril é mesmo o meu middle name, por vezes as minhas saborosas refeições criam um certo ambiente na redação. Ups… A The Atlantic conta que cerca de um terço dos norte-americanos faz como eu (imitadores!) e que a regra número um é mesmo não ter vergonha. Check!

Ora, leiam aqui o manual de instruções para uma decisão difícil. 😛

No palácio do Turquemenistão a decoração é portuguesa

Carlos, presidente da Frato
Artigo publicado no Dinheiro Vivo
Fotografia de Rui Oliveira/Global Imagens

A esta hora a equipa da Frato, destacada em Asgabate, no Turquemenistão, já se livrou dos 15 graus negativos e regressou à Maia, onde Patrícia e Carlos Santos têm a empresa portuguesa de mobiliário de luxo que foi contratada para mobilar o palácio presidencial e os edifícios dos ministérios daquele país da Ásia Central. Missão cumprida.
O contrato de um milhão de euros adjudicado em meados do ano passado à Frato pela Vinci – os franceses que venceram a privatização da ANA – foi disputado com concorrentes eslovacos e italianos. “Correu muito bem. Foram feitos protótipos. Cerca de 80% das peças tinham desenho do cliente e nós produzimos o que nos foi pedido. Foi uma boa forma de testar o conceito e o modelo de negócios”, explicou ao Dinheiro Vivo Carlos Santos, presidente executivo.

Depois deste projeto, a Frato, cuja denominação resulta da fusão dos nomes dos dois filhos gémeos destes empresários – Francisco e Tomás -, também já forneceu com mobiliário, estofo e iluminação o Four Seasons em Moscovo. “O hotel abre este ano, mas o fornecimento ocorreu em 2013. É um projeto de coleção própria. A arquitetura de interiores é da inglesa Richmond, mas as peças são desenhadas e produzidas por nós”, acrescentou o gestor.

A equipa de criativos da Frato é liderada por Patrícia Santos, enquanto Carlos se dedica ao negócio. No dia 1 de fevereiro, a empresa portuguesa inaugurou, a convite do Harrods, um espaço de 200 metros quadrados no piso 3 dos armazéns londrinos. Em 2014, a faturação prevista para o Harrods é de dois milhões de euros.

E foi criada recentemente uma participada vocacionada para produzir soluções à medida para hotelaria, com ou sem desenho próprio – a Idesi, que já está a negociar mais projetos de hotéis em Beirute, no Líbano e na Arábia Saudita. Este mês foi apresentado em Paris, na Maison et Objet, a principal feira de decoração e interiores do mundo, um quarto de hotel desenhado e produzido pelo grupo português. “É um investimento que permite mostrar uma solução integrada, em que desenhamos e produzimos. Uma solução chave na mão”, adiantou Carlos Santos.

Estes são apenas os projetos mais mediáticos da Frato nos seus quatro anos de vida. A empresa nasceu em janeiro de 2010, ano em que faturou 200 mil euros. No ano passado, o volume de negócios fixou-se em 2,5 milhões de euros, os lucros rondaram os 30 mil euros e as perspetivas para 2014 “são boas”.

“Fizemos um investimento de cerca de 300 mil euros no Harrods, queremos afinar o modelo para, eventualmente, abrir mais duas lojas neste ano. Estamos a analisar espaços na Europa e no Médio Oriente. Não temos pressão para crescer”, justificou o presidente executivo da Frato. Além disso, a empresa prevê lançar-se no mercado norte-americano em 2015, estando prevista a constituição de uma empresa nos Estados Unidos e a abertura de lojas. “Não é possível fazer distribuição nos Estados Unidos se não estivermos lá”, explicou o mesmo responsável.

Tudo o que foi feito até agora foi sem recurso a crédito. Segundo explicou Carlos Santos, “o mais importante é que o nosso break even é sensivelmente 50% da faturação, ou seja, no próprio ano a empresa gera mais-valias capazes de sustentar os investimentos. Terminámos 2013 com um endividamento de 1% do volume de negócios, ou seja, um endividamento praticamente nulo”.

Portugal com 1% das exportações mundiais
Nascida para exportar, a Frato apenas vendeu em Portugal 2,5% da sua produção. “Desde o início optámos pelo mercado externo, nunca fizemos uma feira em Portugal para apresentar o nosso trabalho. O mercado em Portugal é muito pequeno. Só Londres será quatro ou cinco vezes o mercado nacional”, adiantou Carlos Santos. No panorama internacional existe, na sua opinião, cada vez mais espaço para a produção de mobiliário na Europa. E aqui Itália e Portugal são dos países mais bem posicionados – Itália tem 7% das exportações mundiais, enquanto Portugal se fica por 1%.

“Temos espaço para crescer. Exportámos 1200 milhões de euros de mobiliário em 2013 e com alguma facilidade poderemos acrescentar mais-valia ao que produzimos”, defendeu o gestor. Para a ascendência da Europa tem contribuído a perda de competitividade da China, que ainda tem uma quota de 30% das exportações mundiais de mobiliário. “Na empresa onde era sócio produzíamos muito na China, mas este país tem padecido de duas dificuldades: aumento do custo da mão-de-obra e apreciação do yuan, que tem tirado competitividade às exportações chinesas”, acrescentou.

Atualmente, todos os móveis da Frato são feitos em Portugal, no Norte, onde a empresa tem a sua fábrica, que emprega 24 pessoas. Os restantes artigos encomendados à empresa – iluminação, estofos, abat-jours – são subcontratados a outros produtores locais. Por questões de logística, tudo se situa no perímetro das instalações da Frato. “São parceiros de longa data, começaram a trabalhar connosco e crescem connosco. Mais de metade dos nossos fornecedores terão cerca de 50% da sua faturação com a Frato”, explicou o gestor em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Neste ano, a empresa da Maia investirá numa unidade de acabamentos com o objetivo de potenciar o conceito chave na mão, desde o momento da criação e desenho até à instalação dos artigos.

Catarina

CatarinaLivro

Bem, este é um post que era para não ter nascido. Pensei em nem o escrever. A Catarina é minha amiga, é mais do que isso, e, naturalmente, é muito fácil elogiar. E só isso podia fazê-lo pessoalmente. Mas ontem li, de uma assentada, o seu livro Dieta das Princesas e faço questão de dar as minhas impressões.

Pode parecer pouco, um livro sobre dietas – mais um -, mas a verdade é que a Catarina tem um talento enorme. Além de escrever bem, escreve muito bem sobre sentimentos. E isso é que faz a diferença. Ela tem uma capacidade incrível de extrair o que de mais íntimo existe em qualquer pessoa, explicar tudo como se fosse simples e natural, e assim torná-lo belo. É por isso que este não é só um livro sobre dietas. E eu sei que este talento não se vai perder, porque, ainda sem saber muito bem como, a Catarina vai escrever outro livro. ❤

Memo

Li um artigo no Negócios sobre o fenómeno das raspadinhas, “o desporto nacional que até resiste à tempestade”, e fiquei impressionada com um jogador que, contava o jornal, se encontrava a raspar num canto de uma Casa da Sorte há 15 minutos sem parar. Como não sou pessoa de me ficar, decidi que teria de experimentar. Assunto arrumado.

Raspadinha

Estrelas II

Eleven3

Os chefs Miguel Laffan e Joachim Koerper, dos restaurantes L’And e Eleven, respetivamente, realizam no próximo dia 22 o segundo jantar de comemoração das boas notícias do último Guia Michelin.

Laffan estreou-se nas andanças das estrelas e recebeu a sua primeira estrela Michelin, a primeira para o Alentejo. Koerper recuperou a sua estrela para o Eleven.

Assim, depois de um primeiro jantar, onde a estrela do Eleven foi o chef do L’And, agora é a vez de Miguel Laffan receber a carta de Joachim Koerper.

Sábado, dia 22, a cozinha de Laffan no L’And, o restaurante do resort de luxo L’And Vineyards, em Montemor-o-Novo, será ocupada pelo chef do restaurante Eleven.

Por 70 euros por pessoa, poderá deliciar-se com as seguintes especialidades: Atum, vieira, manga e vinagreta de ostras fumado, caldo verde com lagostim e foie-gras, robalo com seus raviólis e molho de crustáceos, porco raça alentejana “atrás das trufas” e triologia de mousses de citrinos.

Bon appétit 🙂

“Sem António Mosquito a sobrevivência da Soares da Costa estava em causa”

Entrevista - António Castro Henriques

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo
Entrevista feita com Hugo Neutel (TSF)
Fotografia de Diana Quintela

António Castro Henriques é, desde o verão de 2011, presidente executivo da Soares da Costa, um dos maiores grupos nacionais do sector da construção. Passou pelo BCP, onde foi administrador entre 1995 e 2008, mas antes disso esteve quase dez anos na indústria. Licenciou-se em gestão, em Paris, e tirou um MBA na Nova School of Business and Economics, na qual também deu aulas. Tem 56 anos e três filhos.

O sector da construção foi um dos mais castigados pela crise. Isso é visível nos resultados da Soares da Costa, que de um lucro de 15 milhões em 2010, passou para um prejuízo de 47 milhões em 2012. Os resultados de 2013 ainda não foram divulgados, mas já existem sinais de viragem?
O sector foi castigado – é essa a expressão – por uma fortíssima diminuição da procura, sobretudo em Portugal. 2013 ainda não foi um ano de viragem. Segundo os últimos números da produção, de dezembro, verificou-se uma queda. O único sinal positivo é que a queda foi menor em dezembro do que no resto do ano. O sector da construção trabalha para investidores e a retoma do investimento ainda não aconteceu. A retoma na construção só sucederá depois da retoma do investimento. Não tenho sequer seguro que 2014 seja um ano de viragem. Talvez em 2015 vejamos em Portugal sinais claros de recuperação. A Soares da Costa fez esforços para tornar os seus resultados tão independentes quanto possível da situação de recessão do sector em Portugal, por via da sua expansão internacional. O mesmo fizeram as principais empresas de construção portuguesas. Atualmente, mais de 90% da nossa carteira de encomendas é de outros países.

No final do primeiro semestre de 2013, a dívida líquida da Soares da Costa ultrapassava os mil milhões de euros. Até que ponto é que o endividamento da Soares da Costa asfixiou ou ainda asfixia a tesouraria da empresa?
A dívida continuou a crescer, mas moderadamente, em 2013. O nível de endividamento constitui um constrangimento importantíssimo para a nossa atividade, para o desenvolvimento e para a exploração. Há que introduzir a seguinte nuance: cerca de metade deste endividamento relaciona-se com projetos financiados em regime de project finance e, portanto, a dívida corporativa, com recursos aos capitais próprios, é um pouco mais de metade do valor. Ainda assim, estamos sobreendividados e o que se tem tratado, recentemente, não foi apenas de atrair um investidor para reforçar os capitais próprios, mas também para reestruturar o passivo financeiro. Anunciámos a intenção de o fazer logo em 2011. Concluímos um primeiro acordo de reestruturação do passivo, no final de 2012, e esta operação de capitalização é, também ela, acompanhada de um acordo de reestruturação adicional do passivo.

Mas de que forma é que o sobreendividamento traz constrangimentos à exploração da companhia?
Traz fortíssimos constrangimentos na medida em que estamos como o país esteve. Não temos acesso a endividamento adicional para financiar o fundo de maneio que resulta de novos trabalhos, de novas obras, e, por outro lado, o custo do endividamento pesa enormemente nas nossas contas de exploração.

Quanto custa o serviço da dívida por ano?
Temos um custo médio ponderado do passivo que rondará os 6% a 7%, pelo que só o custo da dívida representa mais de metade do cash flow de exploração, o chamado EBITDA.

Desde que a crise se agravou alguma vez receou não honrar compromissos, ou seja, alguma vez sentiu que a sobrevivência da Soares da Costa poderia estar em causa?
Trabalhámos sem qualquer espécie de folga ao longo destes últimos dois anos, com os objetivos de curto prazo a ocuparem-nos muito mais do que os de médio e longo prazo, mas acreditei sempre que seríamos capazes de por um lado reestruturar o passivo financeiro e baixar significativamente o custo de dívida e por outro atrair capital próprio novo. Se receasse que tal não seria possível, poderia concluir que a sobrevivência da empresa poderia estar em jogo mas acreditei sempre, desde que assumi a responsabilidade executiva, que seria possível. Graças à compreensão e apoio dos nossos principais credores e fornecedores, mas também ao valor que a empresa encerra enquanto companhia com capacidade técnica e de execução, prestígio e presença internacional, que são garantes de uma operação de grande qualidade e com potencial de rentabilidade. Acreditei porque foi possível conjugar os interesses de todos no sentido de procurar uma saída.

Se António Mosquito [que negoceia a entrada no capital da Controlinveste, proprietária do Dinheiro Vivo, DN, JN, TSF e O Jogo] não tivesse entrado, a sobrevivência estaria em causa?
Se este acionista não tivesse entrado e outro não houvesse que tivéssemos conseguido captar para realizar este investimento, a sobrevivência da empresa estava em causa.

De certa forma, António Mosquito salvou a Soares da Costa? Continue reading ““Sem António Mosquito a sobrevivência da Soares da Costa estava em causa””

Dieta das Princesas

E agora uma coisa verdadeiramente especial. A Catarina vai lançar o seu segundo livro. Chama-se Dieta das Princesas e conta um pouco como foram estes últimos meses na sua vida. A experiência será partilhada, inspirará seguramente muitas pessoas, mas para mim o que mais interessa é a dedicação e talento que a Catarina meteu neste livro. Ela escreve sobre a dieta e as corridas com a mesma doçura com que escrevia, antes, sobre Nutella e pão com manteiga. É ela que é verdadeiramente inspiradora. E eu sei que a seguir a este livro – o segundo – virá outro. Adoro-te Mana!

Livro