Clientes da EPAL não arriscam aumento súbito dos preços

Entrevista - José Sardinha

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo
Fotografia de Diana Quintela
Entrevista feita com Hugo Neutel

A EPAL – Empresa Portuguesa das Águas Livres é uma das mais importantes empresas do grupo Águas de Portugal, abastece cerca de três milhões de pessoas na Grande Lisboa e gere um sistema de mais de 2100 quilómetros de extensão.

Veja aqui o vídeo da entrevista

Em 2013, o resultado líquido caiu 8% mas, ainda assim, atingiu 40 milhões de euros. Quanto é que a EPAL vai entregar ao Estado em dividendos?
A EPAL entrega ao seu acionista Águas de Portugal (AdP), de acordo com a deliberação da assembleia geral, 80% dos 40 milhões, cerca de 32 milhões de euros.

A água consumida voltou a cair. Isto explica-se com uma maior eficiência no consumo ou por uma retração do consumo? As famílias estão a apertar o cinto também neste sector?
Diria que por maior eficiência. Fornecemos não só as famílias em Lisboa, mas também as de 34 municípios na área da Grande Lisboa. Nota-se todos os anos, desde 2005, uma redução do consumo, que está alinhada com aquilo que se verifica na Europa. Por exemplo, em Paris, a Águas de Paris fornece cerca de três milhões de habitantes e tem consumos per capita cerca de 10% inferiores aos nossos. É natural que esta tendência persista durante mais algum tempo.

Existe uma maior consciência em relação aos custos da água, uma maior consciência ambiental?
É um misto das duas coisas. Aqui, muito provavelmente, o que fez mudar os comportamentos foi uma grande seca que ocorreu no país em 2005. A partir daí, começou a verificar-se uma grande preocupação com a redução dos consumos, com dispositivos mais eficientes, com dispositivos para baixar a pressão nas várias torneiras, com sistemas de regas mais inteligentes. Isto, ao nível das famílias, das empresas e também das entidades gestoras. Na própria EPAL também.

E a crise que o país tem atravessado também deu o seu contributo para essa retração do consumo?
Provavelmente, porque com as dificuldades económicas as pessoas ficam mais atentas a tudo o que são eventuais desperdícios.

Se esta tendência de retração do consumo veio para ficar, como é que a EPAL vai lidar com a realidade de um negócio em queda?
Tem lidado. Não é como é que vai lidar, porque já é uma realidade desde 2005. Há nove anos consecutivos que as nossas vendas caem. Todos os dias procuramos aumentar a eficiência e soluções com vista a reduzir custos. Por exemplo, o custo unitário médio de energia na EPAL subiu, entre 2010 e 2013, cerca de 50%, contudo o custo real subiu apenas 15%. Ou seja, aumentámos imenso a eficiência das nossas operações, conseguimos aumentar a eficiência energética do nosso sistema em 6,5%. Isto gerou uma poupança de quase meio milhão de euros.

O negócio da EPAL está limitado.
Em termos de volume de água, tem um crescimento limitado, porque, desde logo, as populações não crescem para o infinito, e, por outro lado, cada vez são mais eficientes. Mas temos procurado soluções alternativas temos desenvolvido software, soluções inovadoras ao nível da gestão de perdas.

O aumento das tarifas da água deverá acompanhar a inflação, que é de 0,8% (valor previsto para este ano). Qual foi a proposta de aumento entregue pela EPAL ao regulador?

A EPAL entregou, como faz todos os anos, a sua proposta de tarifário à Direção-geral das Atividades Económicas, que está, neste momento, em apreciação, por isso gostaria de não comentar.

No ano passado, o aumento foi de 0,61%. Será semelhante?
O assunto está em apreciação.

Em que mês é que o aumento da água entrará em vigor? No ano passado, foi em agosto.
No caso da EPAL não há uma data definida. Já foi em março, já foi em abril e no ano passado acabou por ser em agosto. Será quando a entidade competente o entender.

Sendo a água um bem essencial e cada vez mais escasso, considera que a água é barata em Portugal, num contexto europeu?
Comparativamente com a Europa o custo é inferior. Se compararmos o valor per si, por exemplo, da zona de Paris, o custo médio ponderado de um tarifário anda na casa dos 3,10 euros e, em Lisboa, anda na casa do 1,30 euros.

É possível viver com estes preços em Lisboa, no caso concreto da EPAL?
É. A EPAL não gera défices tarifários, tem as contas equilibradas com este nível de tarifário, não tem subsídios, nem da Europa nem do Estado português. A EPAL vive exclusivamente das suas receitas da tarifa e tem as suas contas perfeitamente equilibradas.

As tarifas traduzem o valor real da água?
No caso da EPAL, sim.

Não se antevê um disparar dos preços da água nos próximos anos?
O sistema da EPAL é um sistema equilibrado.

O Governo abandonou projeto de privatização da AdP, mas tem em curso a reestruturação com a integração dos 19 sistemas multimunicipais em apenas quatro, ponderando uma subconcessão a privados. Foram conhecidos estudos de viabilidade económico-financeira dos sistemas agregados que falam num défice global do sector superior a 500 milhões de euros.
No caso da EPAL não há défice. Nos outros sistemas, de facto sim, as notícias apontam para a existência de défices tarifários.

Os clientes da EPAL não poderão sentir qualquer alteração brusca nos próximos anos, não terão que ser chamados a pagar défices?
Os clientes da EPAL, por via da EPAL, não serão afetados. Não há qualquer défice, não houve no passado, não está previsto para o futuro, aliás, o modelo nem sequer prevê.

No ano passado, a EPAL criou duas tarifas sociais que preveem reduções que podem ir até 75% na fatura da água, mas o número de adesões é baixo: 1500 famílias. Como explica estes números?
Temos feito tudo para que as pessoas conheçam os nossos tarifários, que estão abertos a todas as pessoas. Em 145 anos de história da empresa, conseguimos lançar, pela primeira vez, um tarifário social. Temos também tarifários para famílias numerosas, acima de cinco pessoas.

A verdade é que a adesão é baixa. Se calhar, como o preço inicial é baixo, as pessoas não se dão ao trabalho.
O preço inicial é relativamente competitivo.

É competitivo ou é barato?
É uma boa questão. Achamos que é justo, nem competitivo, nem barato. E é um preço justo porque não gera défices tarifários, porque permite que a empresa não viva do Orçamento do Estado, que não necessite de apoios externos e que consiga pagar impostos.

Mas e, do ponto de vista ambiental, o preço é o correto? Será que não devia existir discriminação negativa, por forma a penalizar os consumidores com maiores rendimentos e maiores consumos? Um relatório recente da Agência Europeia do Ambiente diz que, na Europa, o preço da água não reflete o custo da produção.
Já temos quatro classes de tarifa.

Que têm em consideração apenas o consumo e não o rendimento.
Leva em consideração apenas o consumo. E estes tarifários são desenhados para o sector doméstico, ou seja, levam em consideração os consumos, as capitações típicas num sector residencial, portanto, um consumo acima dos 30 metros cúbicos é, naturalmente, um consumo por desperdício, e nesse caso a água é muito mais cara.

Os escalões para os clientes domésticos podem sofrer alterações?
Estão estáveis. Seguimos as recomendações da entidade reguladora para o sector. Até ao momento, nada aponta para qualquer alteração.

Os especialistas alertam para uma série de riscos. Não deveríamos estar a exigir mais dos consumidores para garantir o futuro?
É preferível não fazer isso, é preferível iniciar o caminho por outro lado. Diria que é preferível exigir mais eficiência das entidades gestoras. Por exemplo, no país, a média das entidades gestoras, em termos de perda de água, é de 40%. A cada 100 litros de água captada no meio recetor, 40 litros perdem-se pelo caminho. Isso gera uma perda económica muito significativa, uma perda de uma recurso essencial e estratégico para o país, e gera também uma perda ambiental. Diria que, em vez de olharmos para a casa dos outros, para os nossos consumidores, para os nossos clientes, devíamos primeiro fazer o caminho de olharmos para a nossa casa e procurar primeiro a eficiência na nossa casa. A EPAL, nesse domínio, tem dado o exemplo, é uma das empresas mais eficientes, a nível mundial. Atingimos, no ano passado, perdas de água de apenas 7,9%, que compara com Tóquio. Temos melhores indicadores do que Nova Iorque, Paris, Londres, Roma. É o melhor do país e um dos melhores do mundo.

Mas o plano nacional para uso eficiente da água tem o objetivo de reduzir esse valor para 20% até 2020, a nível nacional?
Exatamente. O plano prevê que, em 2020, no máximo, atinjam 20% de perdas. Também nesse domínio, a EPAL tem dado o seu contributo. Desenhámos um produto: o WONE (water optimization for network efficiency), para ajudar todas as entidades gestoras a atingir os patamares de eficiência que nós já atingimos. Tecnologia 100% nacional, 100% desenvolvida na EPAL, que nos ajudatodos os dias a localizar as fugas de água antes delas aparecerem. Ainda há relativamente pouco tempo, em dois dias, numa aldeia do Alentejo, a pedido do senhor presidente da Câmara, conseguimos reduzir as perdas de água em 50%. Havia pessoas que não conseguiam tomar banho de água quente porque não havia pressão.

O próprio Ministério das Finanças também pediu uma intervenção da EPAL para reduzir o consumo de água no Terreiro do Paço.
O nosso sistema WONE é tão preciso que, um dia, detetou uma fuga de água naquela área. É um sistema automático que funciona na cloud, nos telemóveis e nos iPad, e percebeu-se que a fuga de água não era na nossa rede, mas sim na rede de um cliente nosso, nas instalações do Ministério das Finanças, e foi prontamente reparada.
Em 2013, a EPAL cortou o abastecimento de água a quase 12 mil casas em Lisboa, mais 15% que em 2012. Destes, quase oito mil foram reativados, mas sobram quatro mil. Qual é o perfil destes clientes?
O numero de cortes face a 2009, um ano pré-crise, caiu cerca de 12%. Em 2013, dos 11 800 cortes, num primeiro momento, foram reativados oito mil, e, neste momento, persistem apenas 556 habitações, que têm sido contactadas no sentido de lhes oferecer soluções para voltarem a ter abastecimento de água. Admitimos que muitas destas habitações, provavelmente, não estão a ser habitadas porque temos mesmo muita dificuldade em contactar, tentamos e não conseguimos. Em todo o caso, qualquer pessoa em dificuldades, que precise de ajuda ao nível do tarifário, ou dos planos de pagamentos pode dirigir-se à nossa loja, porque temos soluções.

Há dias, o secretário-geral da EPAL, José Manuel Zenha, desvalorizou estes cortes de água, realçando o facto do serviço público não ser gratuito. E dizia também que a cidade está cheia de chafarizes e fontanários e que ninguém morre à míngua por causa dos cortes de abastecimento doméstico. Revê-se nesta explicação?
O importa é que a empresa está preocupada com que toda a gente tenha água nas suas habitações, nas suas lojas. É para isso que cá estamos, que trabalhamos todos os dias, é para isso que desenhamos os nossos instrumentos – o tarifário social, o tarifário familiar, os planos de pagamento. Neste momento, na realidade, não conhecemos casos nenhuns em que as pessoas, por dificuldades financeiras, não tenham água nas suas habitações. Mas se existirem, que se dirijam às nossas lojas porque temos soluções.

E sobre os chafarizes e os fontanários de Lisboa?
Sobre os chafarizes e os fontanários de Lisboa não tenho nada a referir.

Estas palavras chocaram a relatora das Nações Unidas para o direito humano à água potável e saneamento, que qualifica essa situação como uma violação dos direitos humanos.
O direito humano à água é inquestionável e não colocamos esse direito em questão. Mais uma vez refiro que a nossa preocupação é que toda a gente tenha água em quantidade e qualidade.

Neste momento, o governo não tem a privatização em cima da mesa, mas esta ideia já fui discutida várias vezes, nos últimos anos, e chegou até a haver notícias de interessados. Faz ou não sentido considerar essa hipótese?
Se não está em cima da mesa, diria que não é assunto.

Mas a passagem para privados, como uma subconcessão está em cima da mesa. Na sua opinião, a passagem da gestão dos sistemas de abastecimento e saneamento de água para privados faz sentido?
O que faz sentido, na minha opinião, é que nós tenhamos e consigamos ter a melhor gestão possível. E a melhor gestão não tem cor, a melhor gestão não seleciona se é pública ou privada. Temos é que ter boas políticas, bons reguladores, bons contratos, temos que fiscalizar bem esses contratos e temos que procurar ter boa gestão, porque tendo boa gestão temos boas soluções, e boas soluções levam-nos a ter mais qualidade.

Mas a gestão é condicionada pela natureza da empresa. O aumento da eficiência da EPAL não podia ser maior ainda se a EPAL fosse privatizada?
É para isso que cá estamos, não.

Se uma melhor gestão não é necessariamente privada, então não encontra qualquer necessidade, ou urgência, em subconcessionar os sistemas multimunicipais de abastecimento e saneamento de água a privados?
O que é urgente é termos nos vários sectores, e desde logo no da água, uma gestão profissionalizada, eficiente, que consiga atingir boas soluções com o preço justo, quer seja ela privada ou pública, porque isso gera valor para os nosso clientes, e gera valor para o país, através do pagamento de impostos.

O país não fica a ganhar com a subconcessão a privados?
O país fica a ganhar, sempre, com boa gestão.

No ano passado houve 36 trabalhadores a aderir ao plano de rescisões e, neste primeiros meses de 2014, já se contabilizam seis funcionários. Qual é a meta de redução de quadros para este ano?
Em 2013, tínhamos uma meta imposta pelo Orçamento do Estado, de 3%, cumprida através de um plano de rescisões voluntárias, desenhado a nível corporativo. Na realidade, a meta atingida não foram 3%, mas sim 6%, portanto, em 2013, conseguimos atingir o dobro da meta que foi imposta pelo Orçamento do Estado, exclusivamente com a vontade dos trabalhadores aderirem a esse plano. Dito isto, este ano, não temos meta definida para reduzir o quadro de pessoal, bem pelo contrário, achamos que o nosso quadro está equilibrado.

Quantos trabalhadores tem a EPAL neste momento?
Neste momento, temos 694 trabalhadores, que é o mínimo histórico da empresa.

As rescisões efectuadas no ano passado, juntamente com a reposição dos subsídios de férias e de Natal pesaram 6 milhões nos resultados. A EPAL poderia ter uma gestão mais eficaz, poderia atingir melhores resultados sem estas restrições ligadas ao facto de ser uma empresa pública?
A EPAL é uma empresa do sector público e tem que responder às metas definidas para o sector público. Cumprimos essas metas e essas metas não nos impediram de as ultrapassar, aos mais diversos níveis, e também não nos impediram de lançar produtos novos, aumentar a eficiência energética, reduzir as perdas. Estamos cá para, olhando para essas condições, encará-las até como oportunidades.

A EPAL, no último ano, apostou em negócios paralelos à distribuição de água, como o WONE, um sistema que monitoriza de forma permanente a rede de distribuição e avisa imediatamente das fugas detectadas. Isso contribuiu para a tal eficiência de que falou. A EPAL está com um nível de perdas de 7,9%. Mas não é, certamente, apenas devido a esse sistema que a EPAL consegue um nível de perdas tão distante daquilo que é a média nacional. O que é que explica esta maior eficiência da EPAL em relação aos outros sistemas?
Há várias condicionantes que levam a isso, desde logo uma cultura histórica que existe na empresa, de procurar eficiência. As pessoas não se lembram mas aqui há uns anos havia falta de água e nós tínhamos que fazer investimentos muito significativos, a cerca de 100 quilómetros, em Castelo de Bode, para trazer água para Lisboa. Foi opção procurar perder cada vez menos água em Lisboa. Depois, o segundo grande factor, é a excelência dos nossos trabalhadores, ao nível de formação, ao nível da produtividade, ao nível das capacidades, isso também faz diferença. E o último, como disse, é o WONE que reuniu estas duas competências, esta experiência, numa ferramenta informática que muito ajuda ao nosso desempenho.

O WONE vai ser comercializado na Coreia do Sul?
O WONE foi lançado na Coreia do Sul, está neste momento em fase de comercialização junto de várias entidades, com muitas propostas, com atividade de deteção e redução de perdas de entidades publicas e privadas.
Ainda sobre o WONE, tem havido manifestações de interesse de outros países?
É verdade, temos várias proposta no pipeline, essencialmente para dois mercados: o mercado brasileiro e, mais recentemente, houve demostrações de interesse em Angola.

A EPAL lançou também o Water Beep, um sistema de controlo de consumo que, até há pouco tempo, já tinha várias centenas de adesões, sobretudo de particulares. Qual tem sido a recetividade das pessoas?
Este é um serviço inovador, mesmo a nível do panorama internacional. É um serviço diferente dos outros porque se destina, de facto, aos nossos clientes. O serviço permite que cada um dos nossos clientes saiba, em tempo real, se é ou não eficiente. Se lhe perguntar se sabe quantos litros de água gasta por habitante por dia, na sua casa, vai-me dizer que não sabe, mas se lhe perguntar se gasta muito ou pouca água, já tem uma opinião. O problema é que quando fazemos estas perguntas, as pessoas têm opiniões formadas, mas não sabem comparar-se com a população onde vivem. Este serviço diz a cada um das pessoas, de forma muito simples, qual é que é o consumo real de litros por habitante/dia na sua habitação e como é que isso se compara.

Que percentagem de clientes domésticos é que já aderiu a este Water Beep?
Temos neste momento cerca de mil clientes, face a cerca de 200 mil clientes domésticos. Este serviço foi lançado há três meses e tem uma taxa de adesão de cerca de 10 clientes por dia. Tem três níveis de serviço. O primeiro nível é completamente gratuito, não se paga nada pelo serviço ou pela instalação. O segundo nível paga um euro por mês, também não paga nada pela instalação e, para além de saber se é ou não eficiente, passa a ter, no seu telemóvel ou no seu e-mail, um alarme. Cada vez que deixar uma torneira a pingar, ou um autoclismo mal vedado, ou se tiver uma rotura na rede da sua habitação, recebe imediatamente uma sms para incentivar a tomada de uma atitude.

E já estão a pensar lançar novos serviços para os consumidores?
Neste mandato definimos como meta lançar um serviço inovador no panorama nacional e até mesmo internacional todos os anos. No primeiro ano lançámos o WONE, no segundo ano, lançámos o Water Beep e no terceiro ano, que é este, já temos um produto direcionado para os nossos clientes particulares e empresas, em fase de teste, que a devido tempo anunciaremos.

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