Nº 2 europeu dos autoclismos é nacional e vende para 60 países

António Oliveira da Oli

Fotografia de Tony Dias/Global Imagens
Texto publicado no Dinheiro Vivo

O negócio não tem o glamour de tantos outros, mas faz da Oli o segundo maior produtor do sector na Europa. Na Península Ibérica não tem, sequer, concorrência. Os seus principais adversários são alemães e suíços. A empresa portuguesa já tem 60 anos e fatura 40 milhões de euros a produzir autoclismos. Na década de 90 foi, inclusive, a responsável pela massificação da válvula de dupla descarga na Europa, mecanismo que permite uma enorme poupança de água.

Agora, a Oli, com 350 trabalhadores, todos instalados em Aveiro, prepara-se para arrancar com a produção noutros países, a Leste. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, António Oliveira, filho do fundador e presidente da Oli, adiantou já existirem estudos para a abertura de fábricas junto à Rússia para fornecer alguns clientes locais, que de outra maneira a Oli terá dificuldades em manter, devido aos custos logísticos, que começam a ser incomportáveis.

“Não se trata de uma deslocalização da produção, mas de uma produção localizada para alguns mercados. Estamos a mandar mercadoria daqui para Moscovo e para mais longe por camião, com custos muito pesados. Já estamos a pensar nisso há alguns anos, mas o investimento ainda não deverá ocorrer em 2014. É preciso que a situação estabilize naquela zona”, explicou o empresário.

A Oli exporta 80% do seu volume de negócios e vende para mais de 60 países, mas a Europa tem um peso considerado excessivo: quase 90% das exportações. “Queremos reduzir a nossa excessiva dependência da Europa. Estamos a apostar em vários mercados, mas mais intensamente no Médio Oriente, que tem um grande potencial de crescimento.

Também queremos crescer nos países da África subsaariana e estamos a tentar crescer na América do sul e central”, sublinhou António Oliveira. Neste momento, estes mercados representam apenas cerca de 10% e o objetivo é que atinjam uma quota de 30%. “Diria que um prazo de cinco anos é razoável”, adiantou.

Com esta estratégia de diversificação de mercados, a Oli pretende reduzir a sua vulnerabilidade, já que foi precisamente a crise no seu principal mercado – a Europa – que penalizou as contas de 2013. No ano passado, a faturação caiu, mas a perspetiva é que este ano o negócio volte a crescer – 10% – e que os lucros regressem ao normal. “2013 foi o ano menos bom desta década. Em 2010, lucrámos cerca de 1,5 milhões de euros e a nossa previsão é regressar a este nível já este ano”, disse.

O empresário já sente alguns sinais de recuperação em Portugal, ainda que tímida, mas o negócio dos autoclismos está intimamente ligado à construção, que foi das áreas mais penalizadas pela crise e das que mais teima em reagir. “No final de 2013, as coisas estavam aparentemente a melhorar, mas no início deste ano, talvez devido ao mau tempo, as atividades de construção abrandaram. Mas acho que já não vai piorar mais”, acrescentou António Oliveira.

O plano de investimentos da empresa portuguesa – a família Oliveira mantém desde 1993 uma parceria com os italianos da Fondital, que controlam 50% do capital – para este ano é de três milhões de euros, fundamentalmente em moldes e novos produtos. Por dia, a Oli produz seis mil autoclismos de plástico. E a fábrica assegura ainda a produção dos mecanismos interiores, que fornece depois aos produtores de autoclismos em cerâmica.

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