Passos não é o nosso paizão

Artigo publicado no Dinheiro Vivo

Sílvia

O estado de emergência do país tem sido desculpa para muitas medidas, para o governo cometer muitos erros, esquecendo que os resultados rápidos não bastam para governar um país com eficiência.

Se Passos Coelho tivesse lido Henry Hazlitt e a sua Economics in One Lesson – uma introdução à economia de mercado, afinal, a economia do nosso primeiro-ministro – teria ficado a saber que há uma regra básica: a arte da economia consiste em olhar não apenas para o imediato, mas para os efeitos mais longínquos de qualquer ato ou política.

Só esta distração justifica que o governo continue a atirar certas medidas para cima de todos nós. Isso e a urgência de fazer receita, de encaixar dinheiro, rapidamente, que ajude a tapar o enorme buraco que é a dívida pública.

Ao longo desta semana, foi avançada a hipótese de ser lançado, em Portugal, o chamado imposto das batatas fritas, ou seja, um imposto sobre produtos com elevadas taxas de gordura, sal ou açúcar.

Este imposto, que existe em alguns países – há uns anos, em Nova Iorque, proibiu-se a utilização dos tickets de refeição para comprar bebidas açucaradas -, trará receitas fiscais imediatas, ajudará a suportar o défice da Saúde, mas traduz também um Estado paternalista, faz de Passos Coelho um verdadeiro paizão.

Uma situação no mínimo bizarra, já que o primeiro-ministro passaria a ser, por um lado, o político liberal que quer reformar o Estado e a Saúde em Portugal e, por outro, o político paternal, que se compromete – sem poder cumprir – a cuidar da nossa saúde, da nossa alimentação e, quem sabe o que virá a seguir, da vida de todos os cidadãos.

Esta situação poderá gerar, inclusive, alguma confusão sobre quem é o verdadeiro Passos Coelho. Se o político liberal e frio, financeiro, empenhado em endireitar as contas do país, se o pai de família, que se dedica de corpo e alma aos seus semelhantes.

Volto ao início e à importância de pensar para além dos efeitos imediatos de qualquer medida. E insisto no perigo do Estado paternalista, pois recuar é, nestes casos, muito mais difícil.

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