Não façam nada

Opinião

Artigo publicado no Dinheiro Vivo

Não vale desvalorizar. É verdade que um trimestre não faz o ano, também é verdade que existem fatores irrepetíveis, como a paragem da refinaria de Sines, mas a realidade é dura: no primeiro trimestre deste ano, a economia interrompeu um ciclo de crescimento e caiu 0,7% em relação aos últimos três meses de 2013. Em termos homólogos, verificou-se um crescimento – 1,2% -, mas o que seria se assim não fosse? Alguém se esqueceu de como deixámos 2012?

Podemos desvalorizar, valorizar o caminho e apagar o resultado destes primeiros três meses do ano, dizer que depois de um quarto trimestre de 2013 tão generoso seria difícil repetir a proeza, podemos destacar o comportamento do consumo interno, que segurou, para o bem e para o mal, os (maus) resultados deste início do ano, podemos dizer muita coisa, mas não estamos a ser honestos e consequentes.

Vamos esperar pelos resultados do próximo trimestre, que permitirão definir com maior segurança uma tendência, mas a verdade – indesmentível – é que a recuperação da economia é frágil, tão frágil que assusta. Surpreendente seria o contrário.

As empresas não têm como continuar a aumentar as exportações, porque não investem, os bancos continuam atolados em malparado e, por isso, incapazes de assegurar o financiamento de que a economia necessitaria, e as famílias estão, mais uma vez, com a espada dos impostos sobre a cabeça (quem sabe qual será o comportamento do consumo até ao final do ano…).

Isto e muito mais resulta na sensação terrível de que o país não sai do mesmo lugar, que remamos todos, uns mais do que outros, com cada vez mais esforço, para não sair do mesmíssimo lugar.

No final, é isto que conta: entre janeiro e março, a economia caiu 0,7% face ao período de outubro a dezembro de 2013, quando as expectativas apontavam para um crescimento de 0,4% do PIB. E a responsabilidade deste resultado é, claro, do governo: do de Passos Coelho, que sossega os mercados, ao ameaçar com aumento de impostos, mas também do de Paulo Portas, que, inebriado pelas europeias de dia 25, só lhe falta prometer uma descida do IRS já para o mês que vem, logo a seguir às eleições.

Enquanto o governo não perceber que os mercados não são burros e que este sossego, que nos dá, agora, juros historicamente baixos, só durará até ao próximo (mínimo) deslize – que, indesejavelmente, irá acontecer -, enquanto este governo não perceber que de pouco serve cumprir as metas – estas metas -, assim!, porque se arrasa com o país, que são as pessoas, enquanto nada mudar, por aqui andaremos, num ramerrame sufocante. O país precisa de crescer mais e não vai lá assim, cada vez mais afundado em dívida. Com este governo e com estas políticas não há espaço para crescer.

Os números da economia referentes ao primeiro trimestre deste ano não são a carta que derruba o frágil castelo que é a política deste governo, são apenas mais um dado para cima da mesa de um país que não sabe como vai sobreviver a uma saída limpa.

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