O lado bom de encolher a vida

Crónica publicada no Dinheiro Vivo

credit Lori Parr (2)

Porque será que alguém decide viver em 13 metros quadrados, onde uma casa inteira encaixa na área de um quarto? Ou é um freak, que ainda vive o sonho de ser como o Huckleberry Finn, ou então, é um falido, a quem a crise não deu alternativa.

É inconcebível para a maioria trocar, de livre vontade, o conforto de uma casa grande por um espaço exíguo onde, à noite, a cozinha se transforma em quarto. Não sabemos viver assim, fomos criados para ter uma casa, de preferência, própria e grande. E assim se dá início à mais longa relação das nossas vidas, com o banco. Grande parte do salário é, aliás, usada para sustentar a casa e o único custo está longe de ser o da mensalidade do crédito.

A verdade é que a nossa incredulidade perante tamanha revolução no estilo de vida de alguém tem a sua razão de ser. O movimento das tiny houses não nasceu com o subprime, mas cresceu muito com a crise financeira. As motivações não são exclusivamente financeiras, mas sim, os seus adeptos foram, quase todos, confrontados com a impossibilidade de continuar a pagar a hipoteca ao banco.

Ou seja, a maior parte das pessoas não passou a viver numa mini casa porque quis. Mas o mais interessante é que, apesar disso, estão longe de ser uns desgraçados, o que pode ser comprovado pela reportagem da Mariana Pinheiro.

Muitos passaram a viver em casas feitas pelas suas próprias mãos, o que confere aquele extra de história ao espaço, gastam dinheiro noutras coisas que lhes dão mais prazer, como viagens, conseguem poupar, o que antes era uma miragem, vivem sem acumular, sem desperdiçar, e todo o pedaço de casa faz sentido, tudo o que têm tem uma razão de ser.

Há uma frase que explica quase tudo : “A maior alegria de viver numa mini casa é a sensação de liberdade que advém de viver com pouco”. Pois é, a vida é cada vez mais complexa, que a ideia de que a nossa vida inteira cabe toda numa assoalhada e é facilmente gerível é mesmo muito atrativa.

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