Eu comi chicharada e gostei

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Serpão, açaflor, feijoca, chícharo, lódão, erva do calhau ou ossama. Sabe o que são? Produtos alimentares de origem vegetal, sabores, cheiros e texturas esquecidos, que a nova marca Otoctone redescobriu e quer trazer de volta para a mesa dos portugueses.

A Otoctone, fundada pelo gestor Álvaro Dias, “pretende dar a conhecer experiências gastronómicas que caíram no esquecimento. Identifica produtos que vêm de zonas como os Açores, Beira Alta ou Alentejo.

A ideia deste professor de marketing é ir às raízes gastronómicas de cada região, em Portugal e no estrangeiro, e valorizar os produtos autóctones, colocando-os ao dispor de todos que os queiram consumir.

Os chícharos, por exemplo, são uma leguminosa típica da serra de Sicó. Hoje, o seu consumo é muito reduzido, mas, no passado, foi muito importante na dieta alimentar, já que o seu cultivo é pouco exigente em água. [Eu provei e posso garantir que é muito saboroso]. Uma embalagem de 200 gramas custa seis euros. Aqui, pode encontrar uma receita de chicharada.

Numa primeira fase, o portefólio é exclusivamente de produtos portugueses, mas a ideia é completar a oferta com mais produtos de origem africana e brasileira. A Otoctone já prevê a abertura de uma filial no Brasil para facilitar a entrada dos produtos neste mercado.

Os produtos da Otoctone estão à venda em embalagens que variam entre os seis e os 200 gramas e podem ser encontrados em distribuidores selecionados, ou então também podem ser comprados através da loja online da marca.

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Uma ideia por dia para nos divertirmos com os nossos filhos

Quarto das Brincadeiras

Os nossos filhos são lindos, são maravilhosos, e têm muita energia. Nem sempre é fácil saber o que fazer para os ajudar a gastá-la, e a tentação de os meter a ver televisão, só mais uma hora, ou de os enfiar num centro comercial, num dia de chuva, está sempre presente. 

É para nos ajudar a vencer a inércia que existe o Quarto das Brincadeiras, um site feito por pais para os pais, que todos os dias dá um sugestão, uma ideia para se divertir com as suas crianças: com os sentidos, com as mãos, com letras, com música, com personagens e com história.

“Propomo-nos a guiar os pais no emaranhado de atividades disponíveis para os mais novos, a procurar e escolher as mais interessantes e estimulantes, organizando-as em diversas categorias que vão da história ao desporto, passando pelos livros, música, teatro, ciência e por muito mais que consigamos descobrir na região da Grande Lisboa”, diz a equipa do Quarto de Brincadeiras.

Além das atividades, o Quarto de Brincadeiras sugere também brincadeiras antigas de baú, que puxemos pela imaginação e arregacemos as mangas. Quem disse que as batatas só servem para fazer sopa?

O Quarto de Brincadeiras pode ser encontrado no Facebook, Twitter, Google + e Pinterest e pode receber as dicas diariamente através de uma subscrição por email. Para já, ficam cinco sugestões para o próximo fim de semana.

Texto publicado no Dinheiro Vivo

São precisos sete homens para a abraçar

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Enquanto na Grécia se discute a descoberta da mais antiga oliveira do mundo, com uma idade entre 3500 e 5000 anos, em Portugal, acaba de se datar a segunda árvore certificada mais antiga de Portugal.

São precisos sete homens para abraçar o tronco desta oliveira com 2450 anos, localizada nos terrenos do Hotel Horta da Moura, em Reguengos de Monsaraz.

A árvore mais antiga conhecida em Portugal é uma oliveira com 2850 anos e também foi certificada pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Resiste numa praça em Santa Iria de Azóia.

A segunda oliveira mais antiga de Portugal faz parte de um conjunto de sete que viu a sua datação estabelecida e certificada pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Todas as árvores estão em bom estado de conservação e ainda na última apanha deram bastante azeitona.

O método de datação foi desenvolvido pela UTAD, em parceria com a Oliveiras Milenares, empresa no Vimieiro, perto de Arraiolos, que vende oliveiras ornamentais, e tem como mentores José Luís Louzada e Pacheco Marques, investigadores do Departamento de Ciências Florestais e Arquitectura Paisagista.

O método, baseado num modelo matemático que relaciona a idade com uma característica dendrométrica do tronco (raio, diâmetro ou perímetro), não provoca a destruição da árvore, já que não implica o seu abate, nem provoca lesões que comprometam a sanidade.

Os hóspedes do Hotel Horta da Moura poderão visitar esta oliveira ao longo do percurso histórico dentro dos sete hectares – O Caminho das Oliveiras -, que associa a idade das oliveiras a acontecimentos marcantes da história.

O Banif é um novo BPN?

Jorge Humberto Correia Tomé, presidente executivo do Banif SGPS,SA

Texto escrito com Tiago Figueiredo Silva
Texto publicado no Dinheiro Vivo.
Foto de Hélder Santos/Global Imagens

Se não nos estiverem a mentir e se o Banco de Portugal fizer o seu trabalho, é isto:

Passas, champanhe e a notícia de que o Governo recapitalizou o Banif em 1,1 mil milhões de euros. A poucas horas da passagem do ano, são publicadas mais de 150 páginas de densa informação, que se fosse possível resumir numa única frase, seria assim: “o governo vai injetar 1,1 mil milhões de euros para evitar a falência do Banif”.

A operação surpreendeu pelo montante em causa, muito acima do antecipado por alguns analistas – o BPI previa metade -, mas também pelo envolvimento zero dos acionistas privados, pelo menos numa primeira fase, o que fará com que o Estado se torne accionista com quase 99,2% da instituição. O Governo vai injectar 1,1 mil milhões de euros, 700 milhões através da subscrição de ações e 400 em instrumentos de capital contingente (os CoCos) e só mais tarde – até junho -, os acionistas serão chamados para um aumento de capital de mais 450 milhões de euros (150 serão usados para reembolsar os CoCos). Por isso, até lá, o Estado ficará com 99,2% do capital do Banif e mesmo depois, isto se os acionistas acorrerem ao aumento de capital, só reduz para 60,57%, mantendo ainda 49,4% dos direitos de voto.

Estes factos suscitaram dúvidas sobre se o Banif não seria um novo caso BPN, cujo buraco poderá já chegar aos sete mil milhões de euros. No final desta semana, a oposição veio confirmar o receio de esse risco existir e acusou o Governo de opacidade na operação. Mas afinal essas suspeitas fazem sentido? O Dinheiro Vivo ouviu banqueiros e analistas da banca e todos, sem exceção, recusaram essa comparação.

“O BPN era um centro de atividade criminosa, o que, tanto quanto se sabe, não existe no Banif, que tem, isso sim, um problema de falta de dinheiro, de inexistência de acionistas com capacidade para capitalizar a instituição”, adiantou um administrador de um banco. Na sua opinião, situações como a inexistência de garantias, operações duvidosas de concessão de crédito e operações fraudulentas com offshores, como as que aconteceram no BPN com Oliveira e Costa, são hoje praticamente impossíveis de acontecer: “O Banco de Portugal está dentro dos bancos, controla tudo. Por outro lado, de acordo com as novas regras comunitárias, o Banif passará a ser diretamente supervisionado pelo Banco Central Europeu (BCE)”, justificou o banqueiro.

Esta opinião é partilhada por Steven Santos, account manager da XTB. Segundo defende, “o processo de recapitalização do Banif insere-se num contexto de reforço dos rácios de capital exigidos pela nova regulamentação bancária na Europa. Ao abrigo da linha de recapitalização disponibilizada pela troika, o Banif segue os passos do BCP, do BPI e da CGD, não sendo salvo por gestão danosa”.

Um facto que distingue o caso do Banif do dos restantes bancos intervencionados é a entrada direta do Estado no seu capital. “Ao contrário do BPI e até do BCP, o Banif não tem um núcleo duro de acionistas com capacidade de investir”, explicou outro banqueiro. As herdeiras de Horácio Roque, o fundador do banco – duas filhas e a ex-mulher Fátima Roque – mantêm um conflito em tribunal por causa da herança. Numa primeira fase, o Estado assume quase 100% do capital do Banif e só daqui a seis meses, na sequência de um aumento de capital destinado a privados, espera poder perder o controlo do banco. Neste momento, não há qualquer garantia de que o aumento de capital seja bem sucedido. Os acionistas do Banif Rentipar (família Roque) e Auto-Industrial já se comprometeram a subscrever 100 milhões e o BES 50, mas ainda está por garantir o restante. Nesse caso, o Estado juntará mais um banco ao universo CGD.

Outra diferença entre Banif e BPN, além da gestão competente, é que o Estado é remunerado pelo empréstimo de 1,1 mil milhões de euros. As previsões apontam para um encaixe de 333 milhões de euros com a recapitalização – 261 milhões em dividendos, 29 milhões com a venda de ações do banco e 43 milhões que o Banif vai pagar em juros pelo reembolso das CoCos.

Outro ponto pacífico entre os especialistas ouvidos pelo Dinheiro Vivo é o de que o Governo fez bem em não deixar cair o Banif. “O Estado agiu de forma a proteger a integridade e confiança do sistema financeiro”, disse Pedro Lino, CEO da corretora Dif Broker.

Na opinião de um administrador de banco, o risco sistémico do Banif “é sempre algum”: “O Banif passará a ser supervisionado diretamente pelo BCE e mesmo assim o Governo interveio, o que pressupõe o entendimento de que o risco existe”.

Nem o jogo escapa

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Foto de Diana Quintela

Nem o jogo escapa à crise. Mário de Assis Ferreira sai, ao fim de 28 anos, da liderança da Estoril-Sol, a dona dos casinos de Lisboa e do Estoril. O modelo de negócio mudou, conforme explicou na entrevista ao Dinheiro Vivo, e, como consequência, o dinheiro falta para outros projectos. Mais uma vítima: a revista Egoísta está suspensa até ordem em contrário, ao fim de 50 edições.

A maravilhosa técnica do auto-retrato

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Hoje foi dia de entrevista e tenho um palpite que, também neste assunto, aquela velha máxima do não deves voltar aos sítios onde já foste feliz se aplica mesmo bem. Até o telemóvel do entrevistado tocou a meio – Nothing compares to you; Sinead O’Connor. A sério! Enfim, agora é editar e sábado sai. Não estarei por cá. Se até lá dominar a técnica do auto-retrato, poderia partilhar parte do que será a nossa Amesterdão até ao Natal. Sim, porque, por vezes, também faço parte dos que gostam de mostrar por onde andam e o que fazem. Foi isso que uma agência de publicidade apanhou e quis mostrar numa campanha onde manipulou no Photoshop ícones da fotografia para conseguir este efeito auto-retrato. E lá está o sempre bem posicionado bracinho. Encontrado aqui

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Próxima entrevista

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O próximo entrevistado chegou de Bentley (também tem um Porsche Turbo S, que vai dos 0 aos 100 km em menos e 4 segundos) e terminou com esta frase: «Porque acho que a vida é um prémio e a morte o seu preço e sendo esse o seu preço é melhor pagá-lo a pronto do que em prestações.»

Foi uma boa entrevista, estará cá em casa, no Dinheiro Vivo e na TSF no próximo sábado.

Doce

“A mesma confiança. Mas doce porque eles são uma empresa do caraças. Mesmo!”. E foi isto que a minha amiga, que me conhece muito bem, me disse antes de ir para a entrevista. Ela tinha razão – não conhecia o entrevistado, aliás, não me lembro de me ter cruzado com a empresa ao longo destes anos todos -, oxalá tivéssemos muitos assim. Mas, do meu ponto de vista, preferia que ele fosse pessoa de se exceder, mas nada, nadinha, nem um bocadinho, nem quando se tratava de elogiar… (os mega-suspiros são do mês passado, em Borough Market, não lhes toquei, demasiado doces para mim 😉