Tiger. Design ao preço da loja dos trezentos

Paulo Borges

Fotografia de Jorge Amaral/Global Imagens
Texto publicado no Dinheiro Vivo

Atenção: se depois de ler esta notícia ficar entusiasmado e decidir entrar numa loja Tiger em Portugal, corre o sério risco de não conseguir sair de lá de mãos a abanar.

Feito o aviso, prepare-se porque irá sentir-se verdadeiramente rico – o ideal nos tempos que correm -, irá, provavelmente, pegar num dos cestos, estrategicamente colocados à entrada, e enchê-lo, ao longo de um labirinto que desemboca na caixa.

Um micado gigante, um estojo que é um frasco de ketchup, um caderno cuja capa é uma tabela periódica, chá branco com aroma de pêssego, bagas de goji, especiarias, aquele prato com pedestal para bolos, que sempre desejou, vasos de vidro para pendurar na parede, e mais um sem número de coisas. Muitas coisas, mais de 2000 artigos espalhados por cerca de 300 m2. Uma espécie de loja dos trezentos – 80% dos artigos da Tiger são vendidos a menos de cinco euros e não há nada que custe mais de 30 euros -, mas onde cada objeto foi cuidadosamente reinventado. O design é a essência da Tiger, a marca dinamarquesa fundada, em 1995, por Lennart Lajboschitz, e que está presente em 23 países (Europa e Japão) com mais de 300 lojas.

A Portugal, a marca chegou em novembro de 2012, mesmo a tempo do Natal. A primeira loja abriu na Rua da Prata, na Baixa de Lisboa, neste momento, já existem sete e os planos de Paulo Borges, o homem que fechou a parceria com os dinamarqueses para desenvolver a marca em Portugal, apontam para chegar à meia centena de lojas em todo o país. “Este ano ainda, prevemos abrir mais quatro ou cinco lojas. Nos anos seguintes, os nossos planos apontam para a abertura de oito a 10 lojas por ano, até perfazer 40 a 50 lojas”, explicou o gestor em entrevista ao Dinheiro Vivo. A ideia não é desatar a abrir em todo o lado, mas sim marcar presença em todo o país, com destaque para as capitais de distrito. Em Lisboa, as atenções estão viradas para encontrar um bom espaço na zona do Chiado e por abrir nos shoppings da Sonae – Colombo, Vasco da Gama e Cascais Shopping. “Não é fácil pedir 400m2 e obtê-los. Já estamos em negociações e há uma vontade enorme dos promotores para que a marca esteja presente nestes centros comerciais”, acrescentou. Além de Lisboa e Porto, também Aveiro, Leiria, Viseu e Braga estão”na agenda de lançamentos da Tiger em Portugal.

O investimento na abertura de uma loja varia entre os 200 e os 300 mil euros: “Em 2015, serão abertas mais 10 lojas, pelo que estamos a falar de um investimento de dois a três milhões de euros”, precisou Paulo Borges. Mas o negócio está a correr bem porque, conforme diz o gestor, que antes de lançar a Tiger em Portugal, era o responsável pela marca Pepe Jeans, a nível mundial, a recetividade das pessoas “tem sido tremenda”. O target principal são as mulheres entre os 25 e os 40 anos, mas existem muitos casos de miúdos que arrastam os país para as lojas, ou de avós que chegam para comprar presentes para os netos.

Paulo Borges tem recebido vários pedidos para ceder o franchising da marca, mas o negócio não funciona assim. O modelo para cada país assenta numa parceria entre o grupo dinamarquês (controlado por uma sociedade de capital de risco), que fica com 50% do capital, e o sócio local, responsável pela outra metade. “Até ao momento, já investimos aproximadamente dois milhões de euros. Já recuperámos o investimento na primeira loja, mas estamos sempre a reinvestir o capital na expansão da marca em Portugal”, explica o responsável da Tiger em Portugal. O investimento corrente é suportado, em parte, com a faturação das lojas, sendo que cerca de 20% são financiados pela banca. “No início, em plena crise, tivemos algumas dificuldades de financiamento, porque os bancos desconheciam o projeto, o que implicou muitas garantias pessoais, mas a situação foi ultrapassada”, adianta o gestor. Em 2013, com apenas três lojas, o volume de negócios, em Portugal, foi de dois milhões de euros, sendo que as previsões para o final deste ano, com mas lojas, apontam para uma faturação entre sete e oito milhões de euros. Os resultados começaram logo no primeiro ano de atividade, “andam à volta dos 20%, em termos brutos, e fazem com que tenhamos fôlego para a expansão da Tiger em Portugal”.

A Tiger emprega, neste momento, 90 pessoas em Portugal, mas considerando a abertura de mais lojas, ainda este ano, a ideia e fechar 2014 com cerca de 130 trabalhadores. “Cada loja necessita de 10 a 15 pessoas”, afirma ao Dinheiro Vivo Paulo Borges.

O design, aliado a preços competitivos – o fundador já garantiu que a produção é feita em todo o mundo, da Dinamarca à China, e que são respeitadas as boas práticas -, é o ponto forte da Tiger em todo o mundo, mas a experiência do cliente, quando entra numa loja, é muito importante, explica Paulo Borges, o que justifica o facto de ainda não existir venda online. “Tudo nesta loja está estudado e é imposto pela casa-mãe. Até a playlist é comum a todas as lojas e é escolhida pelo fundador e ainda sócio do grupo, Lennart Lajboschitz.

E só mais um aviso: se passar pela Tiger e vir alguma coisa que gostava mesmo muito de ter, compre, porque se não pode ser tarde de mais. O lema é: “gostou, comprou, se não acabou”. De 15 em 15 dias, chegam às lojas de todo o mundo cerca de 400 artigos novos.

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“O objetivo do nosso consórcio não é vender a TAP daqui a três anos”

Miguel Pais do Amaral

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo
Fotografia de Gerardo Santos/Global Imagens

Miguel Pais do Amaral, conde de Anadia, chairman da Prisa – o grupo espanhol que controla a TVI -, dono da Leya e acionista de tantos outras empresas, como a Reditus, a Companhia das Quintas ou os ginásios Fitness Hut, aliou-se ao antigo dono da Continental Airlines, o norte-americano Frank Lorenzo, e prevê apresentar brevemente uma proposta para a compra de 100% da TAP. A entrevista sobre a privatização da companhia aérea portuguesa e a crise no grupo Espírito Santo.

É conhecido por comprar barato, reestruturar e depois vender caro, sem olhar para trás. É um preconceito ou funciona mesmo assim? Continue reading ““O objetivo do nosso consórcio não é vender a TAP daqui a três anos””

Icel. Há 70 anos rainha no mundo das facas

Fábrica ICEL

Fotografia de Jorge Amaral/Global Imagens
Texto publicado no Dinheiro Vivo

Facas e cutelos de cima a baixo, por todo o lado, lâminas incrivelmente cortantes – garante quem as faz -, mas a certeza de que nunca, em 70 anos de história, se registou qualquer incidente. Assim, tudo pronto na terra das facas – Benedita, concelho de Alcobaça – para a entrevista a Nuno Radamanto, o novo presidente da Icel – Indústria de Cutelarias da Estremadura. Continue reading “Icel. Há 70 anos rainha no mundo das facas”

Wine With Spirit: Este vinho é feito à medida das suas emoções

João Pedro Montes, presidente da Wines With Spirit.

Texto publicado em Dinheiro Vivo
Fotografia de Sara Matos/Global Imagens

Em Portugal, existem 10 milhões de enólogos e depois os pobres consumidores, que não percebem nada de vinho e têm que ser educados para conseguir degustar os néctares que saem das quintas, fincas e chateaux deste mundo.

É assim que João Pedro Montes, fundador e global chief drunk officer da Wine With Spirit, resume o que se passa, atualmente, no negócio dos vinhos, em Portugal. E é exatamente assim que João Pedro Montes não quer fazer com os seus vinhos, que saem diretamente das prateleiras dos supermercados para a adega – e não ao contrário: ” Somos contra os enochatos. O vinho é algo para nos divertirmos, não deve ser uma coisa constrangedora. Às vezes escolhemos o vinho a medo. Não pode ser. Se estou a pagar não me posso sentir mal”, defende o gestor.

Para começar, a Wine With Spirit eliminou do rótulo das suas garrafas aspetos técnicos, mantendo apenas os obrigatórios por lei, e, depois, desenhou, com o enólogo Pedro Sereno, vinhos fáceis, dos quais se gosta logo à primeira. “Não quero fazer um vinho excessivamente técnico, que só agrada aos enólogos e a quem é educado para gostar”, explica.

Segundo afirmou João Pedro Montes, em entrevista ao Dinheiro Vivo, a Wine With Spirit, fundada em 2011, identifica, primeiro, um target de potenciais consumidores, a seguir, as emoções partilhadas por esse grupo no momento de escolher um vinho e, só depois, é concebido o vinho. “Costumo dizer que vendemos emoções engarrafadas. Procuramos o líquido perfeito para cada momento das nossas vidas”, diz.

O Bastardô, top de vendas e símbolo da irreverência da Wine With Spirit, foi feito a pensar nas mulheres e homens que se atrevem a brindar aos seus bastardos, em vez de se lamentarem, e deve ser bebido logo após o golpe, para resolver o assunto imediatamente.

Já o Dine With Me Tonight existe para todos os que estão abertos a encontros e paixões e o Feijoada&Co é um vinho pensado para encontros de amigos. Meet & Meat, Bread & Cheese, Revolucionist e Voyeur são outras das marcas da empresa portuguesa, que recusa a ideia de que esta abordagem ao negócio dos vinhos se traduz em menos qualidade. “São vinhos e produtos de marketing ao mesmo tempo e isso é possível. Quem gosta de vinhos gosta do nosso vinho. Utilizamos algumas das melhores castas nacionais e temos sido reconhecidos com prémios nos grandes concursos internacionais, como o Decanter, International Wine Challenge ou Sonoma, que nos elegeu como Best Choice 2012″, esclarece João Pedro Montes.

A Wine With Spirit nasceu em plena crise e, também por isso, concentra-se na exportação. Em 2013, as vendas no estrangeiro representaram entre 80% e 90% da faturação, que se fixou em cerca de 1,3 milhões de euros, ou meio milhão de garrafas. Brasil, Polónia e só depois Portugal foram os primeiros mercados da empresa nacional.

Para este ano, o objetivo é duplicar o volume de negócios, o que depende da evolução das negociações em curso para vender os vinhos Wine With Spirit nos países do Benelux – Bélgica, Holanda e Luxemburgo -, nos Estados Unidos, Angola” e Japão. “As previsões para 2014 dependerão muito dos novos mercados. É um ano importantíssimo porque, entre outras coisas, será o ano da consolidação do mercado português. Por isso mesmo, as exportações cairão para 70% a 75% do negócio total”, adiantou João Pedro Montes. O return on equity está marcado para daqui a três anos.

A empresa, controlada por um grupo de investidores individuais e que admite a abertura de capital a novos acionistas para suportar a expansão, não tem a propriedade das terras. Os vinhos são produzidos em casa de outros produtores, pela qual é paga uma espécie de renda. “É como se eu alugasse a sua cozinha”, exemplificou o gestor.

“Para a qualidade turística que temos devíamos ter preços superiores”

Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo
Entrevista feita com Hugo Neutel/TSF
Fotografia de Leonardo Negrão/Global Imagens

Tem 52 anos, é formado em Economia pela London School of Economics, fez uma MBA pela Nova e passou por várias empresas: em 2005, foi presidente da comissão executiva da Compal e da Nutricafés, onde trabalhou com o ministro da Economia António Pires de Lima. Três anos mais tarde passou pela Privado Holding, a dona do BPP, à qual se seguiu uma experiência de 18 meses como diretor geral da TVI. João Cotrim de Figueiredo é, desde o final do ano passado, o presidente do Turismo de Portugal.

2013 foi o melhor ano de sempre do turismo em Portugal, com recordes no número de hóspedes e de dormidas. Como está a correr 2014? É possível superar 2013? Continue reading ““Para a qualidade turística que temos devíamos ter preços superiores””

Paladin. O piri-piri é sacana e o vinagre também tem maracujá

Visita à fábrica Mendes Gonçalves, que detém a marca Paladin, na Golegã.

Fotografia de Sara Matos/Global Imagens
Texto publicado no Dinheiro Vivo

[as pipas que aparecem na fotografia são de carvalho e servem para que o vinagre estagie durante seis meses]
[o piri-piri sacana é o que se come lá em casa, não da Paladin, mas feito por mim com malaguetas trazidas de Maputo. Hot, hot, tal como eu gosto. Eu, claro, adorei o claimer da Paladin para o seu piri-piri]

Quando o grupo Mendes Gonçalves comprou a portuguesa Paladin, em 2004, a marca de temperos só produzia mostarda. Hoje, saem da fábrica da Golegã dezenas de produtos, entre vinagres, molhos e condimentos, para serem vendidos em 23 países. Só em Marrocos, a marca Paladin já está à venda em 3000 lojas e as vendas, em um ano, atingiram meio milhão de euros.

E ainda em maio, seguir-se-á a Argélia: os produtos já estão prontos, rotulados em árabe, e foi, inclusive, desenvolvida uma linha de vinagretes especial para este mercado. Líbia, Jordânia, Iraque, Irão e Emirados Árabes Unidos também estão na lista para 2014.

Antes de partir para estes países, a Paladin obteve as certificações Kosher e Halal, por forma a respeitar as leis da alimentação judaica e muçulmana. “Fazemos mais do que exportar, internacionalizamos a Paladin. Não vendemos produtos, temos um acordo com um distribuidor local e fazemos, nesses países exatamente o mesmo que em Portugal”, explicou Carlos Gonçalves, o dono do grupo Mendes Gonçalves, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A fórmula é a de sempre. Vender mais em países em crescimento, ávidos deste tipo de produtos e de inovação, para compensar os mercados mais maduros, como Portugal e a Europa.

O grupo Mendes Gonçalves, criado em 1982, para produzir vinagre a partir do figo – produto que ainda hoje vende -, faturou 22 milhões de euros em 2013, mais 20% do que no ano anterior. “Temos crescido na casa dos dois dígitos e é o que esperamos continuar a fazer, capacidade que saiu muito reforçada com o relançamento, no verão passado, da Paladin, que tem apresentado crescimentos de 100%”, acrescentou o empresário.

As previsões do grupo para o final do ano apontam para um volume de negócios de 26 milhões de euros, sendo que a Paladin deverá chegar aos seis milhões de euros. A restante faturação é proveniente da produção para as marcas de distribuição e outras marcas industriais, bem como de outras insígnias do grupo Mendes Gonçalves. A Pensinsular, que nasceu com o grupo, em 1982, é, ainda hoje, a referência para a hotelaria, responsável, por isso, por volumes maiores, e em Angola.

O objetivo é, porém, a de transformar a Paladin na bandeira do grupo. “A Paladin é uma marca de temperos transversal, não é só de maionese, ou de ketchup”, defendeu Carlos Gonçalves. E para isso, foram criados produtos exclusivos, como o molho de azeitonas e orégãos, vinagres com polpa de frutas e em spray, ou o piri-piri com laranja, limão e ananás.

Picante sem ofensa
O piri-piri da Paladin é sacana, feito com malaguetas olho de pássaro – pequenas, enrugadas, feias, mas muito picantes -, importadas de Moçambique. E a Paladin, marca relançada com um investimento de quatro milhões de euros, brinca com a palavra. Na quadra escrita na embalagem – todos os produtos têm um pregão diferente – está escrito: “É picante sem ofensa, é tradição bem apurada, este sacana faz bem a diferença, sem entrar pela asneirada”.

O piri-piri é, no entanto, uma exceção, porque a quase totalidade das matérias-primas utilizadas na Paladin é de origem nacional. Segundo explica Carlos Gonçalves, a empresa importa apenas alguns ingredientes, como os aromas, que não existem em Portugal. “Temos uma taxa de incorporação nacional de 88%. O óleo, o tomate, o figo e o vinho, entre outros ingredientes, são portugueses. A Paladin foi, aliás, uma das primeiras marcas a ter o selo Portugal Sou Eu”, frisou o mesmo responsável.

Cinco milhões em nova fábrica
Para já, a produção está toda concentrada na Golegã. A fábrica, que tem uma capacidade para produzir 30 milhões de litros de vinagre e 10 milhões de quilogramas de molhos por ano, está, neste momento, a funcionar 16 horas por dia, para enfrentar o habitual pico de venda que afeta os produtos da Paladin no verão. Trabalham na fábrica 180 pessoas, a maioria do concelho da Golegã, que tem cerca de cinco mil habitantes.

Mas, ainda este ano, o grupo Mendes Gonçalves irá construir uma fábrica no estrangeiro. Neste momento, os locais já foram identificados e estão em curso as negociações para a criação, de raiz, de uma nova unidade de produção, em Angola ou Moçambique. “Vamos ter produção fora de Portugal. É impensável continuar a exportar produtos de baixo valor unitário para países a milhares de quilómetros, já que os custos de transporte pesam muito”, justificou Carlos Gonçalves.

Segundo o mesmo responsável, “lá para agosto ou setembro já existirá uma decisão sobre a internacionalização da produção. Num destes dois países, já que não podemos fazer tudo ao mesmo tempo”. O investimento previsto é de cinco milhões de euros. Numa segunda fase, o grupo Mendes Gonçalves poderá vir a ter mais fábricas no estrangeiro, nomeadamente no Médio Oriente, um mercado forte para a Paladin.

O objetivo da Paladin é tornar-se na marca de temperos de Portugal, já que lhe será difícil concorrer com as grandes multinacionais, como a Unilever ou a Heinz. “O nosso desafio não é liderar na maionese, é sermos os primeiros nos temperos. Queremos ser a Paladin de Portugal, entrar no coração dos portugueses. Tanto nos faz que seja num vinagre, numa maionese, ou num ketchup”, frisou Carlos Gonçalves.

“A classe média acabou por ser aquela que menos sofreu”

Jorge Braga Macedo

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo
Entrevista feita com Hugo Neutel (TSF)
Fotografia de Natacha Cardoso/Global Imagens

Jorge Braga de Macedo foi ministro das Finanças, no início dos anos 90, na segunda maioria absoluta de Cavaco Silva. Hoje, está afastado da política ativa e concentra-se na sua principal atividade: é professor de economia na Nova School of Business and Economics.

Hoje, o país assinala o fim simbólico do resgate. Qual é o balanço que faz destes três anos? Os sacrifícios serviram para alguma coisa, ou será que foram um conjunto de medidas avulsas para cumprir metas?
Simbólico é palavra-chave, porque é um dia igual ao anterior e muitas coisas ficarão iguais no dia seguinte. Agora, não há dúvida que passou um marco e os marcos são o que nos permite viver, são momentos. Há pontos focais, momentos em que a pessoa diz “isto aconteceu naquele dia à tarde”. Isto foi uma espécie de entrega. Houve o acordo, houve um contrato – os antigos diziam que os contratos têm que ser cumpridos – e o nosso país, todo ele, cumpriu. Burocraticamente, a data nem é esta, porque são instituições complexas, há uma série de detalhes, mas por razões simbólicas concentrou-se neste dia. O que é que um economista vai dizer? Os símbolos são importantes mas, enquanto símbolos, não são importantes nos bolsos das pessoas. Por mais notícias boas que surjam hoje, ou por mais notícias más que surjam hoje. E há das duas. O dia de hoje, o dia de amanhã e o dia de ontem não são muito diferentes, nem podem ser. É essa a dificuldade que se tem em passar realidades económicas, algumas delas instantâneas, que mudam em centésimos de segundo, e que podem fazer imensa diferença na vida das pessoas Mas a realidade é muito mais viscosa, muito mais lenta. O símbolo sim, é muito importante, mas não é mais do que isso.

Mas os sacrifícios valeram a pena? Continue reading ““A classe média acabou por ser aquela que menos sofreu””

“Se as circunstâncias se mantiverem fará sentido manter a coligação nas legislativas”

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo
Fotografia de Vítor Rios/Global Imagens
Entrevista feita com Hugo Neutel/TSF

Entrevista com Nuno Melo eurodeputado do CDS PP

É advogado e eurodeputado, desde 2009. Nuno Melo é um dos rostos mais conhecidos do CDS-PP, sempre próximo da liderança de Paulo Portas. Nasceu em Vila Nova de Famalicão, há 48 anos, e é o número quatro da lista Aliança Portugal, que reúne os candidatos dos partidos do governo – PSD e CDS-PP – às eleições europeias do próximo dia 25.

O luxemburguês Jean Claude Juncker é o candidato do Partido Popular Europeu, a sua família política, a suceder a Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia. Porque é que é preferível para Portugal ter Juncker e não Martin Schulz na Comissão Europeia?
As razões são muitas e óbvias, a começar pela proximidade de Juncker a Portugal e pelo que Schulz significará no plano institucional da União Europeia. Durante alguns anos, os socialistas invetivaram contra o chamado eixo franco-alemão e condenaram o predomínio alemão no processo decisório europeu. Neste momento, Martin Schulz representa um alemão e um político que integra o governo alemão, o que significaria associar o peso institucional de um alemão à presidência da Comissão Europeia. Com uma agravante, até do ponto de vista político. António José Seguro tem avançado como a mutualização da dívida, como solução milagrosa para os problemas do país. Mas, não só António José Seguro já a tinha rejeitado, como recentemente, em debate com Jean Claude Juncker, Martin Schultz veio dizer que recusaria os eurobonds. Nestas eleições europeias, teremos o paradoxo de António José Seguro, por um lado, defender a mutualização da dívida mas, por outro lado, patrocinar com o seu apoio um candidato à presidência da Comissão Europeia que rejeita a única solução que ele vê para Portugal. Pelo contrário, Jean Claude Juncker foi chefe de governo durante anos no Luxemburgo, um país pequeno, mais próximo de Portugal, com uma enorme comunidade portuguesa (cerca de 25% da população é portuguesa), é amigo de Portugal e fez várias declarações a favor de Portugal. Até por isso, estou convencido de que os socialistas o preferirão.

Os debates não mostram grandes diferenças entre os dois candidatos.
Mostram imensas diferenças, até do ponto de vista da responsabilidade na gestão dos recursos públicos, da criação de emprego e captação de investimento, que não passa por despesa pública, numa marca muito nítida em relação a Martin Schultz. Por outro lado, Juncker surge com uma muito maior compreensão no discurso político relativamente às circunstâncias dos países intervencionados do que o alemão Martin Schultz. O que se compreende, por força das suas próprias circunstâncias. Martin Schultz representa um dos partidos do governo alemão. Sabemos que no nosso contraponto da dicotomia austeridade versus menos austeridade, está esse governo alemão, logo, está também Martin Schultz.

Atribuir essa importância toda ao presidente da Comissão Europeia não é apenas uma das ilusões que se está a tentar criar ao longo desta campanha eleitoral? A Comissão Europeia tem perdido poder e prestígio e está longe de ser um governo supranacional. Ganhe quem ganhar não serão os governos dos países mais poderosos, nomeadamente o alemão, a continuar a decidir o futuro dos países do sul? Continue reading ““Se as circunstâncias se mantiverem fará sentido manter a coligação nas legislativas””

Easypay recebe novos acionistas para antecipar revolução nos pagamentos

Sebastião Lencastre

Texto publicado no Dinheiro Vivo
Fotografia de Diana Quintela

Sebastião Lancastre, engenheiro de sistemas, começou na Xerox a vender fotocopiadoras a laser, porta a porta – o primeiro negócio foi por três mil contos -, passou pelo desktop publishing – ajudou a lançar o Diário Económico -, depois foi trabalhar com o seu pai na Unicre e daí saltou, em 2000, para lançar o seu projeto, a Easypay que, simplificando, ajuda as empresas a gerir todos os pagamentos necessários à sua atividade.

“Transforme caixas multibanco em caixas de pagamento da sua empresa”, é assim que no site desta instituição de pagamento, fiscalizada pelo Banco de Portugal, se responde à pergunta “para que serve a Easypay?”. Continue reading “Easypay recebe novos acionistas para antecipar revolução nos pagamentos”