Cheiro a férias

E agora vou ali num instante de férias. Isto tem sido como quando estamos cheios de vontadinha para fazer xixi e os últimos metros até à casa de banho são um suplício. Tenho (temos!) andado num estado de enorme sofrimento, desejosos das próximas duas semanas. Contando com dias inúteis são 17 dias inteirinhos de sol, piscina, de família, de tempo para tudo o que nos apetecer.

E como em tudo o que cheira a festa, o prazer começa logo com os preparativos, com o antecipar de sensações. Não faço malas, enfio meia dúzia de tshirts, biquínis, calções de ganga e havaianas (uns jeans para alguma eventualidade), mas tenho imenso cuidado na escolha do gel de banho, do creme para o corpo, do óleo para o cabelo… As minhas férias já cheiram. ❤

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Prova de águas

Bebo muita água, mas, quase toda, sob a forma de chá. Verde, earl grey, caramelo, etc, etc, vários ao longo do dia.
Por casa, bebe-se da torneira. Há muito que deixei de gastar dinheiro em água engarrafada. Carregar garrafões até ao 2º andar sem elevador não vale o esforço. Há anos que deixei a Brita, não só pelo custo, mas também porque exige manutenção – não era raro esquecer-me de trocar os filtros.

A água tem cheiro e tem sabor. Para mim tem. Gosto mais do sabor da água de Caramulo do que da do Vimeiro, por exemplo. Sei que estou a precisar de desatarraxar a torneira da casa de banho, onde lavo os dentes, para substituir borrachas e limpar dos resíduos que se vão acumulando, porque todos os dias me cheira a mofo. Sei que detesto o sabor da Evian e de todas as águas espanholas. Todos sentimos quando a água tem muito cloro, porque nos sabe a piscina.

Fui fazer um curso de prova de águas. Treinar os sentidos e aprender um pouco sobre a composição da água, sobre o seu cheiro e sabor. Passar pelo Museu da Água e terminar com um almoço na Mãe d’Água das Amoreiras (lindo!). O curso está aberto ao público em geral e as inscrições para o próximo podem feitas junto da EPAL, para o e-mail gic@epal.pt.

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Insensíveis, favor não ler

Aqui estou eu, mais uma vez, farmacêutica de serviço desta espectacular Farmácia. E desculpem se estou insuportável.

Trevo4Estrelas

Estou com um problema. Um daqueles problemas que sempre me disseram ser um erro que as pessoas maduras, independentes e inteligentes, como eu, jamais cometem. Não fazemos nada um sem o outro. Ou antes, não fazemos quase nada um sem o outro. Melhor ainda, fazemos algumas coisas um sem o outro, mas ficamos com aquela sensação estranha e muito pirosa de que nos falta alguma coisa.

Podem começar a vomitar, mas chegam a acontecer coisas tão ridículas, como o envio de vídeos do concerto para o que não foi.

Sempre me contaram que a convivência extrema é um comportamento a evitar, que passar muito tempo com a mesma pessoa, sem sair com amigos, sem visitar a mãe e a irmã sozinha torna o relacionamento chato. Porque depois ele passa a ser o único alvo das minhas reclamações, observações e objetivos, e vice versa. E garantiram-me, e eu quase acreditei, que isso acaba com qualquer espécie de amor.

Aqui estou eu, especialista em fins, para refutar esta teoria milenar. Aquilo que me fez, há uns tempos, telefonar à minha melhor amiga para me desencantar um voo Nova Iorque-Lisboa para a próxima hora, quando ainda faltavam 10 dias para o fim das férias, foi uma vontade incontrolável de me afastar, de estar com os amigos, a mãe, a irmã e a gata. Quando cheguei a casa, as janelas estavam todas escancaradas, como se me quisessem dizer ainda bem que voltaste.

Ainda hoje me espanto com esta brutal desafeição, que só se tornou clara num acordar nova-iorquino.Da mesma forma que, hoje, me assusto com a nossa interdependência. São gigantes as diferenças, mas nenhuma, garanto-vos, se aproxima dos habituais argumentos que sustentam a tese da importância das separações , como o tempo e o espaço, ou a falta de ambos.

É uma coisa mais simples, é o sentimento que me faz diferente. Podem expelir tudo o que ainda vos resta no estômago, mas ninguém será capaz de me convencer que não é o amor – e a coragem – a única razão que me faz querer, hoje, partilhar a minha vida, quase ao minuto.

A registar apenas o persistente boicote aos meus planos de um dia conseguir correr a ultramaratona, mesmo assim sempre compensados pela descoberta de maravilhosos spots para corridas mais curtas. Entretanto, já tenho bilhete para ir ver Clã com as minhas amigas do coração. Lá está, é como vos digo, sempre tudo uma questão de afetos.

Cat

Se eu cantasse gostaria de cantar como a Cat Power. Melhor, se eu pudesse escolher, de todos os músicos do mundo, como gostaria de cantar, seria como a Cat Power.
Vi-a em 2008, no Coliseu, num camarote de frente para o palco. Com duas amigas da minha vida. Numa noite da história da minha vida. Chovia a potes e cheguei a casa completamente encharcada. E fiquei apaixonada. Ouvi até não me cansar todos os discos. Ouvi em repeat o seu cover do Wonderwall (Oasis) numa viagem de comboio Londres-Manchester, que fiz sozinha para ir ver Leonard Cohen na Opera House. Prefiro-o ao original. Adoro a voz e o jeito descomprometido. Sempre disse que nunca meteria os pés no Super Bock Super Rock, mas acho que vai ter que ser ❤

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Vaya con Dios em Lisboa

Começo por dizer que a culpa é toda minha.
Eu já ia com as expectativas baixas.
Gosto, gostava muito de os ouvir. Na década de 90 bombaram no meu leitor de CD.
Ultimamente, voltei a ouvi-los (há coisas inexplicáveis, coincidências desta vida).
Gosto de arranjar atividades e entreténs. Um concerto numa sexta à noite não me pareceu nada mal.
Ainda para mais o concerto de Lisboa fazia parte da tourné de despedida. Nunca mais os poderia ver ao vivo.
E os bilhetes comprados à última da hora, surpreendentemente, deram dois lugares bem bons. E o Campo Pequeno estava cheio.

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Mas, saímos a meio. O espectáculo estava morno, lento… Era bom, mas não satisfez. Boa, mas pouca voz de Dani Klein.